Sexta-feira, 28 de Abril de 2006

Sofia Lemos - 9ºC

Uma estrela brilhava mais forte do que nunca nessa noite fria de Inverno em que uma jovem ruiva a observava sem parar. Nos seus olhos reflectia-se o brilho incontestável da estrela e, ao mesmo tempo, a esperança da rapariga. Ela repetia vezes sem fim o seu desejo, pedia à estrela para o concretizar, pedia-lhe para que, mais cedo ou mais tarde, ela pudesse ver o seu sonho realizado. Pedia-o à estrela.

When you wish upon a star (Quando pedes um desejo a uma estrela)

Galadriel olhava pensativa para fora da janela, através das gotas de água que escorriam lentamente pelo vidro, distorcendo a imagem da aldeia.

As casas castanhas mergulhadas no mar verde das florestas, que as circundavam, eram uma prisão para qualquer um que, como Galadriel, tivesse uma imaginação sem fronteiras. Sempre que um forasteiro se aproximava da aldeia e todos os aldeões se escondiam, a jovem era a primeira a dar as boas vindas ao visitante, saindo de casa às escondidas e fugindo pelas sombras ao encontro de quem quer que fosse que lhe pudesse trazer histórias do exterior. A aldeia de Galadriel era das mais pequenas da região e encontrava-se isolada por ordem do rei que treinava lá os seus combatentes.

As casas amontoavam-se em volta do centro da aldeia, onde todas as noites se acendia uma fogueira e os anciãos contavam longas histórias aos mais jovens. Com uma altura superior à das casa dos plebeus, podia-se ver a alta torre branca da igreja, cuja cruz apontava para o infinito, e ainda o edifício da biblioteca, cujo andar inferior fora reservado para os estudos de técnicas de combate, e os superiores estavam destinados a todo o tipo de literatura, desde manuscritos de contos, a lendas locais, passando pelos livros que o reino distribuía, de tempos a tempos, com o intuito de deixar as pessoas mais conscientes do exterior das suas propriedades.

Makes no difference who you are (Não faz diferença quem sejas)

- Galadriel? Posso entrar? – perguntou uma voz masculina resgatando-a dos seus pensamentos.

- Claro, Garahan... – sorriu incentivando o jovem a entrar. Garahan era apenas um ano mais velho que Galadriel embora a sua altura a ultrapassasse por mais de dez centímetros; tinha olhos azuis como o céu e os cabelos loiros como o sol. – Trazes novidades?

- Queria falar-te sobre o que descobri na biblioteca... – respondeu enigmaticamente sentando-se de frente para a ruiva.

- Tu?! Na biblioteca?!

- Claro... Na biblioteca posso descobrir o que procuras, pois os livros contam-me coisas que ninguém sabe...

- Deixa-te de enigmas! O que descobriste? – perguntou abrindo ainda mais os olhos cor de mel.

Anything your heart desires (Qualquer coisa que o teu coração deseje)

- O teu maior sonho é sair daqui e conhecer o mundo, não é? – Galadriel anuiu com um sorriso. – Farias qualquer coisa para sair daqui? – ela voltou a acenar afirmativamente. Para que eram aquelas perguntas? – Viverias uma aventura comigo?

- Uma aventura?!

- Sei como sair, sei como conhecer o mundo, mas tens de confiar em mim... – propôs Garahan estendendo a mão.

- Conhecer o mundo?... Contigo?... – interrogou pensativa, passando a mão pelos longos cabelos ruivos. - Porque não? – sorriu dando a mão ao jovem que a fez sair do quarto.

Will come to you (Virá ter contigo)

Correndo por entre as gotas de água que caíam cada vez mais fortes magoando a pele de Galadriel, Garahan percorreu a aldeia desértica ao encontro do celeiro abandonado. A velha casa de madeira com telhado de colmo esperava-os de portas abertas, a palha amarela espalhada pelo chão formando um tapete confortável. O tecto tinha um buraco no centro, pelo que se sentaram encostados a uma das paredes, em silêncio, vendo o compasso rápido das gotas de água no chão do celeiro.

- Conta-me tudo! – pediu impaciente Galadriel, voltando-se para o amigo.

Garahan não respondeu. Levantou-se e encaminhou-se para a parede oposta, onde algum mobiliário jazia esquecido. Abriu cuidadosamente uma das gavetas de onde Galadriel viu sair uma traça incomodada com a luz fraca que a havia despertado.

- Encontrei isto há algum tempo, não sei se é o verdadeiro, mas tudo indica que sim...

- O verdadeiro quê?

If your heart is in your dream (Se o teu coração está nos teus sonhos)

- Uma janela para o mundo... – explicou retirando de dentro da gaveta pesada um espelho pouco maior do que um alguidar. Os poucos raios de sol que entravam dentro do celeiro e se direccionavam para o espelho brilhante numa tentativa de se reflectirem perdiam-se na sua face, não voltando a aparecer.

- O quê?!

- Deixa-me experimentar... Não o queria fazer sem ti... – murmurou como para não acordar o espelho, pegando em alguma erva e colocando o espelho no chão.

- É um espelho... Não podemos ver o mundo através dele!

- Talvez não ver o mundo... Mas visitá-lo...

No request is too extreme (Nenhum pedido é demasiado extremo)

Galadriel aproximou-se confusa. Garahan sempre gostara de lhe pregar partidas, mas desta vez parecia mesmo convencido de que aquilo iria funcionar. O jovem loiro baixou-se e passou a mão por cima do espelho.

- Sente... – sussurrou para Galadriel que se baixou e fez o mesmo, sentindo ar quente acariciar-lhe a mão. – Acertei na janela...

A ruiva olhou Garahan admirada; o que é que se passava?! Ele estava a ir longe de mais com aquela brincadeira... Garahan sorriu sob o olhar assustado de Galadriel e deitou as ervas sob o espelho.

When you wish upon a star (Quando pedes um desejo a uma estrela)

Galadriel gritou e afastou-se rapidamente do espelho ao ver que as ervas o haviam ultrapassado em vez de ficarem espalhadas na sua superfície.

- Eu explico-te antes de passarmos...

- Tu... Eu... passarmos?! – perguntou assustada recuando até ao centro do celeiro e deixando-se molhar pela água gelada da chuva.

As dreamers do (Como os sonhadores fazem)

- Calma... – pediu baixinho Garahan, aproximando-se de Galadriel e afastando-a do buraco no tecto. – No outro dia fui à biblioteca, só para passar entre os livros, talvez escolher um para te levar... Quando, na penumbra, ouvi alguém murmurar acerca do espelho. A voz da mulher parecia cansada, não me atrevi a fazer-lhe perguntas, mas percebi que ela escrevia num livro pequeno e deteriorado, numa página que ficara embranquecida pelo tempo. Ouvia murmúrios embora não os compreendesse a todos e, por isso, fiquei à espera que a senhora acabasse o seu trabalho ali. Ela terminou de escrever no livro, guardou-o no meio de uma prateleira e murmurou mais algumas coisas, um género de protecção ou assim... Depois foi só ir até lá, pegar no livro e entender o que a velha tinha escrito.

Fate is kind (O destino é simpático)

«Abri o livro na página correcta e percebi o que a senhora tinha escrito. Falava de um espelho, tinha a sua localização e as suas funções. Sorri perante aquilo, era aquele espelho que nos podia levar através do mundo, de nos levar a conhecer aquilo que sempre quisemos...

She brings to those to love (Ela traz a esses para amarem)

- Estás a dizer que... Estás a dizer que o espelho é uma passagem para o resto do mundo? Tal como uma janela aberta para os nossos sonhos? – perguntou esperançosa Galadriel, endireitando-se.

- Penso que sim... – disse-lhe Garahan calmamente, voltando a aproximar-se do espelho adormecido no leito de palha.

The sweet fulfillment of (A deliciosa recompensa)

Galadriel sorriu pensando em sair dali de uma vez por todas, pensando em conhecer o mundo, em ouvir novas histórias, conhecer novas culturas, novas línguas, viver novas aventuras...

Their secret longing (Do seu secreto desejo ardente)

- Para onde é que ele nos leva? – inquiriu levada pelo desejo de aventura.

- Esse é o problema... – respondeu nervosamente Garahan, travando dentro de si uma luta árdua entre a curiosidade e o receio.

Galadriel ia perguntar pelo livro, para tentar compreender o que se passava, quando um violento relâmpago cruzou o céu, e a sua energia se perdeu no vidro polido.

Like a bolt out of the blue (Como um relâmpago no azul)

Garahan olhava estupefacto para a superfície prateada, questionando-se se aquilo estaria correcto. Galadriel, por sua vez, fora tomada pelo medo que a havia paralisado de boca aberta e olhos esbugalhados, num grito mudo.

- Galadriel?! Estás bem?

A jovem desfaleceu, caindo desmaiada na carpete doirada de palha.

Fate steps in and sees you through (O destino passeia e vê através de ti)

- Por favor, acorda... – rogou Garahan molhando as mãos na água da chuva e passando--as ao de leve na pele branca da amiga. – Vá lá... Acorda...

Galadriel fechou os olhos ainda com mais força para depois os abrir lentamente. Sobre ela o céu escuro, que era visível através do buraco no telhado do celeiro, adormecido depois da tempestade, encontrava-se iluminado apenas por uma estrela, a estrela mais brilhante desde há uma semana naquele firmamento infinito.

When you wish upon a star (Quando pedes um desejo a uma estrela)

- Vamos? – perguntou a rapariga levantando-se. – Sei que é seguro...

Garahan sorriu. Ia viver a aventura da sua vida, ia conhecer o mundo, ia viver uma vida diferente da que lhe havia sido destinada; e tudo aquilo graças a Galadriel. Havia sido por ela que ele se passeara na biblioteca, havia sido pelo desejo desta de sair da aldeia que ele havia escutado atentamente a anciã, havia sido por esta que ele havia roubado o livro e procurado o espelho numa demanda impossível e seria por ela que ele o iria usar.

- Juntos – pediu Galadriel dando-lhe a mão.

E, sem pensar mais, saltaram para aquela janela sempre aberta para novos mundos e para novas aventuras.

Your dreams come true (Os teus sonhos tornam-se realidade)

Publicado por ML às 17:13
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João Lourenço - 9ºH

 

       O rapaz chama-se Juan. Pode-se dizer que se trata de menino comum a todos os outros, mas com uma pequena diferença: é órfão desde os seus três anos de idade. Vive com a avó numa casa pequena, pobre e maltratada. Exteriormente e de uma forma clara, apresenta grandes manchas amarelas na madeira límpida e bem trabalhada. A falta de limpeza nota-se ainda no quintal onde, longinquamente, existiam enormes girassóis que se espreguiçavam quando o Sol acordava. Era uma casa bonita, prendada de juventude, amor e carinho. Agora, depois da morte dos pais de Juan, tornara-se muito triste e solitária.

      O menino, esse, de nada se lembra devido à sua pouca idade, mas já lhe haviam contado que David e Ana, seus pais, tinham um enorme coração e caso ainda fossem vivos, gostariam de o ver crescer, pois, durante o pouco tempo que passaram juntos, tratavam-no como verdadeiros pais. Apesar disto, o rapaz não é triste e sossegado. Ama sua avó Dora como se fosse sua mãe, e na verdade é assim que se pode designar a sua função. Tem média estatura, possui cabelo desorganizado e muito escuro, que em conjunto com os seus olhos, dão-lhe um aspecto de um rapaz endiabrado, irrequieto e brincalhão. Contém também um misto de inteligência e desleixo, tornando-o uma pessoa que consegue grandes proezas sem nenhum esforço.

      Ambos vivem perto de Santiago, no Chile. Aqui Juan tem bastantes amigos, que, como ele, não param de brincar e fazer asneiras. No entanto, entre todos, é ele que se destaca pelo seu carácter. Com apenas sete anos, é inefável a maneira como demonstra elevada perspicácia e coerência. Frequenta a mais infame de todas as escolas da pequena cidade. Não se transfere para uma melhor, pelo simples facto de as restantes serem demasiado caras e a sua avó, devido à pequena reforma que recebe, tem indubitavelmente falta de dinheiro para pagar outra. Não devemos falar primeiro num elevado custo do ensino, mas sim numa pobreza a grande nível.

      Esta história teve início numa bela tarde de Outono, onde, contrariamente ao previsto, o Sol não se encontrava escondido no meio das nuvens. Estava bastante calor, como já é normal, mas, entre a multidão que passava, presenciava-se alguma ansiedade: chegava o dia onde todos os apaixonados trocariam presentes, assim como seriam feitas algumas surpresas. Era uma pequena tradição muito recente, mas apenas servia para quem o dinheiro não significava um problema. E como na terra de Juan as pessoas viviam com extremas dificuldades, o próprio entusiasmo não seria, talvez, dos melhores. Prosseguindo, muita gente seguia este costume, o que por vezes, provocava situações complicadas de resolver.

      Na casa do jovem, apenas estava a sua avó Dora, esperando a chegada do neto a qualquer momento como normalmente acontecia, dada a sua pontualidade. Olhando para o fiel relógio de parede, pôde constatar este facto. Lendo-lhe o pensamento, o rapaz abriu a porta de casa e perguntou-lhe se ela havia estado à sua espera. Depois de arrumar a mochila pesadíssima, decidiu lanchar, algo que já se mostrava normal.

      Mais tarde, sentado na velha e antiga poltrona que pertencera a seu pai, Juan fazia os trabalhos recebidos aquando a saída da escola, nesse mesmo dia. Depois de os acabar, resolveu ir brincar com os carrinhos de rolamentos, com os quais mantinha uma cumplicidade forte.

      Nos dias seguintes e com a mesma rotina de sempre, o menino foi melhorando as suas atitudes perante determinados estímulos. Antigamente, os colegas troçavam-no por não ser um óptimo jogador de futebol. Reagia prontamente, mas não correctamente, através de socos e pontapés, que quase sempre lhe traziam problemas sérios. Dora, felizmente era compreensível, e por isso, não o punha de castigo, contrariamente ao esperado. De maneira a fazê-lo perceber certas coisas, tinha conversas que se verificavam tanto eficazes quanto panos molhados em água fria por cima de cabeças escaldantes. Como resultado, obtia uma enorme satisfação ao dar conta que seguidamente a estes pequenos monólogos, o próprio Juan assumia os seus erros e comprometia-se a fazer o óbvio, pedir desculpa. Transpostas bastantes zangas, o miúdo entendeu finalmente que cada pessoa tem diferentes qualidades e assim, deve-as usar quer os outros gostem ou não. Passado este tempo, caracterizado por alguns distúrbios sem consequências, muito por culpa da avó sempre presente para o apoiar e ensinar a ser melhor, veio um tempo de acalmia, que se veria a revelar benéfico.

      Durante os meses seguintes, Juan comportou-se da melhor maneira possível: bons resultados nos testes e excelente atitude tanto em casa como na escola. A sua professora encontrava-se relativamente contente, uma vez que aliado à melhoria do rapaz, estava também um melhor relacionamento quer consigo, quer com os colegas.

      No entanto, Dora estava já muito cansada de todo o trabalho que o seu neto lhe dava, apesar de isso já não acontecer com tanta frequência. Assim, o rapaz sabia perfeitamente que teria de se esforçar para estar à altura, pois a sua avó estava consideravelmente idosa. Além disso, segundo o médico, a avó não poderia de maneira nenhuma pegar em coisas pesadas, de modo conseguir recuperar bem e rapidamente.

      De forma mudar esta situação, o médico decidiu pedir a um amigo seu, assistente social, para ir regularmente a casa do jovem, impedindo que a senhora perturbasse o seu completo estado de repouso. Poucos dias depois do pedido, Hernandez, o assistente social, encontrava-se à porta da casa de Juan. Era alto, possuía cabelos louros, dada a sua descendência inglesa, e ainda olhos azuis que incendiavam quem para eles tentasse olhar. Tinha ar simpático, necessário à sua profissão, e um coração enorme.

      Tocou à campainha, e minutos depois, foi o jovem que apareceu, perguntando:

   -     Quem é o senhor?... E o que deseja?

      O assistente, respondeu de uma forma delicada, muito suave, leve e amiga:

Chamo-me Hernandez e venho ver a tua avó!

      O miúdo não compreendia como é que a sua querida avó iria receber visitas sem o informar. No entanto, sem dar parte fraca, disse hesitante:

   -      De onde é que o senhor... conhece a minha avó?     

      Hernandez deu uma gargalhada fresca, significando que estava de bom humor. Contudo, Juan pensando tratar-se de uma situação de troça, rematou de imediato:

-      Eu não sei o que o senhor deseja, mas se pretende falar com a minha avó, terá de fazê-lo mais tarde!

      O jovem assistente social, percebeu que o rapaz havia ficado agitado, e por isso, tomou uma postura séria, de modo a poder entrar sem que o neto de Dora tivesse medo dele. De seguida, voltou novamente a Juan dizendo-lhe:

   -      Não tenhas medo! Sou amigo do Dr. Sebastian. Penso que sabes de quem falo!                

     O menino, voltou a acalmar-se, até porque se recordava de algumas palavras do médico, apontando precisamente nesse sentido. Respondeu de imediato:

   -      Entre, por favor! Esteja à vontade, enquanto eu  vou chamar a minha avó.

      Hernandez ficou sozinho na sala, onde pôde constatar mais uma vez que esta família deveria passar dificuldades. Notou também nos sofás e na poltrona: eram velhos, encontravam-se rotos e sujos. Reparou ainda na estrutura da sala: apresentava-se modesta, tal como o resto da casa; tinha uma ornamentação simplicíssima, visto que a casa era de madeira; existia uma pequena estante de livros, também eles muito antigos, situada num canto da sala. O assistente tinha uma pequena ideia de tudo isto, já que todos os dias via e constatava casos completamente diferentes e até extremos.

      Foi precisamente no final deste pensamento que Dora acabava de chegar à pequena e humilde divisão. Trazia os seus cabelos cinzentos apanhados, deixando assim a sua cara com acentuadas rugas completamente à vista, o que dava uma inteira percepção da sua avançada idade. Iria no próximo ano fazer setenta e cinco anos de idade.             

      Iniciando a conversa, Dora mostrou-se surpreendida pelo facto de um assistente social estar ali, em sua casa, ainda para mais, para a ver. Desorientada perguntou a Hernandez o porquê daquela visita. O assistente respondeu de imediato dizendo que havia sido enviado pelo Dr. Sebastian. A avó de Juan compreendeu tudo aquilo e por fim agradeceu a ajuda dada por aquele homem que acabara de conhecer. Seguiu-se a primeira de muitas sessões para a reabilitação de Dora. Hernandez apenas aconselhava a avó do rapaz a fazer pequenos exercícios, com o intuito da melhoria de movimentos.

       Passadas algumas horas Hernandez foi-se embora, porém, deixando a promessa de voltar na tarde seguinte. Este cenário repetiu-se durante vários dias até que chegou a altura de aumentar o nível do exercício. Nada muito cansativo, até porque seria fatal, visto tratar-se de uma senhora um pouco idosa.

      E assim que se iam passando as manhãs, tardes e até noites. Fazia agora um mês desde a chegada do assistente. Realmente, pode-se dizer que foi ele o grande empreiteiro deste projecto. E pelos vistos, estava a dar resultado, uma vez que agora, Dora podia-se mover melhor e mais livremente.

      Juan, esse, continuava numa boa maré de resultados escolares e ainda melhorara substancialmente em termos futebolísticos. Considerado por todos como o melhor aluno e jogador da escola, um prémio atribuído ao aluno, designado como sendo o praticante que ilustra realmente este desporto. Por tudo isto, aliado à melhoria da avó, o rapaz estava bastante contente com a situação vivida.

      O tempo voava como uma águia num voo matinal, onde subtilmente procura alimento para as crias, inquietas pela sua chegada ao ninho. Estávamos já nos princípios do Verão, e por isso, o ano escolar chegaria ao fim. Este era sem dúvida o tempo mais adorado pelas crianças porque não teriam de estar nas aulas. O miúdo e a avó, por um lado, viam com bons olhos a chegada da estação quente, por outro lado, temiam cada minuto passado, pensando na pobreza e suas naturais consequências que alastravam fervorosamente. No entanto, nem tudo eram más notícias: Dora recuperara totalmente e apenas contava com três visitas semanais, por vezes não tendo nada a ver com a sua doença. Porém, este, encontrava-se, à medida que o tempo decorria, cada vez mais triste. Sabia que daí a pouco tempo teria de se separar de Juan e sua avó. Apesar do pouco tempo passado com esta pequena e humilde família, conhecia-os há muito, segundo o seu coração.

      Tal como o esperado, foi numa amena manhã, onde se ouvia o doce canto dos pássaros, empoleirados em cima de folhas, ramos e troncos, que Hernandez se despediu dos dois amigos. Consigo trazia as chaves da casa, emprestadas-lhe aquando a notícia das suas frequentes visitas. Entrou, sentou-se e já confortável, começou a falar:

Bem, parece que vou deixar de a vir ver! -esperou algum tempo, de modo a captar a atenção da senhora. Esta nada disse, e ele prosseguiu:

Pois é! Já lá vai quase um ano que vim bater-lhe à porta! - disse, escondendo uma lágrima teimosa preparando-se para sair do olho.

      Dora, detestando despedidas, pediu ao preocupado assistente para que chegasse junto de uma janela. Era pequena, mas tal como ela havia dito, tinha uma bela vista. Hernandez não percebia porquê, mas também não quis perguntar. Voltou a espreitar e novamente pôde constatar que através dela apenas se observava um muro alto e forte. Não dando tempo para qualquer questão, a avó do rapaz iniciou a conversa:

Meu amigo, estar-te-ás a perguntar o porquê de tudo isto? Interrogas-te  quando digo que esta janela é a mais bonita?

Sim. Não entendo, porque nada se vê daqui! Penso que existem outras mais belas!

Não concordo... isso era antes de te conhecermos! Tornou-se a mais bonita, desde o momento em que entraste na nossa casa. Esta janela expandiu-se e agora, podemos ver o que quisermos através dela. É o poder da imaginação e dos sonhos! Isto, aliado à amizade, transmite esperança, algo que não tínhamos até a tua vinda. E por isso estamos eternamente gratos. E dizendo isto, caiu no chão, imóvel e sem vida, presenteando-o com um sorriso de dever cumprido.

Publicado por ML às 16:46
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Maria Frade - 5ºA

O Espelho dos Sonhos

 

            Era sábado de manhã, a família Stronde tinha herdado muitas terras do bisavô da Ana. A Ana era a mãe do João e da Joana Stronde e era casada com o André Stronde. A família ia agora mudar-se para uma das terras onde havia uma mansão muito misteriosa. O João e a Joana estavam ansiosos por chegar, a ideia de morar numa mansão misteriosa não lhes saía da cabeça.

            Assim que chegaram ficaram parados imóveis a olhar para a casa. A Joana estava a ficar com medo porque a casa parecia daquelas dos filmes de terror, uma mansão assombrada. O João, mais excitado do que nunca quis, entrar na casa, mas o portão estava todo ferrugento e não o conseguiam abrir. Até que, misteriosamente, o portão se abre. Entram todos em conjunto para dentro de casa. Ao fundo da primeira galeria vê-se um espelho antiquíssimo coberto de poeira. A Joana que é muito vaidosa corre em direcção ao espelho para onde fica a olhar misteriosamente. Ela adorava enigmas e reparou que no espelho, para além de poeira, havia também areia, musgo e restos de flores mortas. Lá bem no final do espelho viam-se lágrimas secas. Nessa noite, Joana não dormia a pensar no espelho, como era possível que num espelho houvessem coisas que só se podem encontrar em lugares muito diferentes.

          Na manhã seguinte, Joana foi logo ver o espelho, mas desta vez chamou o seu irmão que também achou muito estranho o sucedido. Então, decidiram que iriam desvendar este mistério. Mas, antes que tivessem tempo de dizer algo foram almoçar.

         Assim que acabou o almoço, os dois irmãos correram em direcção ao quarto onde fizeram uma lista: Areia – praia; Musgo – zonas húmidas; Flores – campos. Nesse momento chegaram à conclusão que o espelho tinha estado em muito lugares diferentes e como ninguém conseguia levar sozinho um espelho tão pesado para uma praia ou para o campo, o espelho tinha de se transportar sozinho.

          No dia seguinte, enquanto estavam a ver a casa descobriram um papel escrito pelo antigo dono da casa que dizia uma frase em latim. Quando a traduziram descobriram que a sua mensagem era a seguinte: “ O espelho vai-te levar onde gostas de estar.” A Joana deduziu que o espelho era um espelho de transporte. Como o que estava escrito no papel era uma espécie de um feitiço, Joana e o irmão chegaram perto do espelho e disseram-no, mas não aconteceu nada. Repetiram-no várias vezes e já cansados, deitados no chão adormeceram profundamente.

          De manhã quando acordaram a sua mãe chamou-os para irem tomar o pequeno-almoço. Estavam desiludidos por não ter acontecido nada. Durante o pequeno-almoço a mãe deles estava a folhear um álbum de fotografias, a Joana pediu para ver e a mãe mostrou-lhe. Quando ia começar a ver o álbum, um carro apita na rua. Joana espreita pela janela para ver quem é e, fica espantada quando vê o Ferrari do André, o rapaz de quem ela gosta, à porta no jardim. Joana não pensa, abre a porta e é recebida com um olá carinhoso. Não era possível o que estava a acontecer. Ontem, em vez de ir a casa dela e tratá-la bem, tinha gozado com ela por ser a mais nova da turma. Algo estava mal e Joana não sabia o que era.

             André convidou-a para ir com ele para a escola e ela aceitou. Assim que chegou à escola a sua pior inimiga, a Marisa, em vez de a tratar mal, agia como se fossem as melhores amigas há muitos anos. Resumidamente, era tudo com que ela tinha sempre sonhado.

             Assim que chegou a casa, foi logo contar ao irmão o seu dia. Ele também lhe contou o dele que também tinha sido esquisito, mas de sonho. O João por acaso, durante a conversa, disse:

             - Para isto ser um sonho só faltava eu ser a grande estrela de futebol na escola. – No mesmo instante, o seu pai chega com um jornal que dizia: “Escola Nova Geração ganha o campeonato inter escolas graças à estrela da equipa – João Stronde.” – Eles nem queriam acreditar que os seus grandes desejos se tinham concretizado. Então o João disse:

             - Joana diz outro dos teus grandes sonhos.

             - Porquê? – Perguntou ela.

             - Diz.

             - Está bem. Sempre pensei em viajar muito e ter um álbum cheio de fotos das minhas viagens.

             - É isso, – disse o João – o álbum que a mãe tinha hoje de manhã. Deve ter as fotos com que sempre sonhaste. – Quando foram ver o álbum as suas suspeitas confirmaram-se. O álbum só tinha viagens feitas pela Joana. Ambos estavam iludidos, porque os seus sonhos se tinham realizado.

                No dia seguinte estava tudo na mesma. Joana e João estavam a ficar preocupados. Como era possível, todos os seus desejos se terem realizado? Então lembraram-se do espelho e disseram:

                - Talvez tenha a ver com o espelho! – E João sugeriu que relessem a mensagem. Depois de relerem a Joana disse:

                - É claro! Se o espelho nos vai levar onde gostamos de estar, onde nos leva? – O João respondeu:

                - Aos sonhos. Já tudo faz sentido.

                - Não. Não faz tudo sentido. Se o espelho nos leva aos nossos sonhos, porquê as lágrimas no fundo do espelho. – João ainda não tinha pensado nisso.

                Passou uma semana e quase todos os seus desejos se tinham realizado. João e Joana já não queriam voltar ao mundo real, mas sabiam que algum dia teriam de o fazer. Joana já não gostava muito do mundo dos sonhos, porque descobriu que alguns dos seus desejos se fossem realizados iriam magoar muitas pessoas. Uma tarde ela e o irmão fartaram-se e decidiram arranjar uma maneira de sair daquele mundo. Eles fartaram-se porque não tinham de lutar para tornar os seus desejos realidade, não faziam nada para alcançar os seus objectivos e já não sabiam como era a sua vida quando não tinham os seus desejos realizados. Então o João disse:

                - Para sairmos daqui, se calhar devíamos procurar informações sobre o espelho na biblioteca do avô. – A Joana achou uma excelente ideia. Começaram a procurar e a primeira coisa que encontraram foi um livro sobre espelhos. Passaram a noite toda a lê-lo, mas só depois de o lerem é que repararam que na contracapa estava uma folha rasgada na qual só se percebia a seguinte frase: ” O espelho dos sonhos traz com ele a alegria, mas é um espelho muito…” – A frase estava incompleta e eles ficaram muito chateados e tristes por pensarem que nunca mais regressariam a casa. Na manhã seguinte, quando foram colocar o livro na estante a Joana quase que caía no chão, mas ao apoiar-se numa vela puxou-a para baixo e do quadro que estava na biblioteca abriu-se uma porta. Eles perceberam que era uma passagem secreta e entraram.

                Dentro da passagem estava outra biblioteca ainda maior onde haviam mais estantes repletas de livros. A Joana e João começaram a procurar e numa das estantes encontraram um bloco de notas que pertencera ao antigo dono da casa, o Sr. Stronde. No bloco estava escrito outro feitiço também em latim que quando eles iam traduzir… a sua mãe chamou-os:

                - Venham jantar! – Gritava ela e eles foram imediatamente, combinando que se iriam encontrar à noite na passagem secreta.

                À noite, João esperava ansiosamente a chegada de Joana que tinha ido buscar o dicionário de latim à sua mala da escola. Quando a Joana chegou eles começaram a traduzir e descobriram que o feitiço dizia: “ Quero sair daqui, leva-me do mundo…” – Mais uma frase incompleta, ou melhor, um feitiço incompleto. João e Joana continuaram a ler o bloco:

                “O espelho leva-nos a uma dimensão paralela onde todos os nossos desejos são realizados. Depois de todos estarem realizados e as pessoas não terem mais nada para pedir, todos os sonhos se transformarão nos nossos pesadelos mais profundos, por isso quem não saísse a tempo do mundo dos sonhos ficaria preso nele para o resto da vida. “ - Eles não perceberam porque é que aquilo era mau, ficar perto dos nossos desejos era muito melhor que ficar no mundo real. Então continuaram a ler:

                “Faças o que fizeres se ficares preso no mundo dos sonhos, o mundo vai transformar-se no mundo dos pesadelos.” – No fundo da folha via-se uma lágrima seca. Foi nesse momento que eles perceberam que as lágrimas no espelho significavam o pesadelo que o Sr. Stronde devia ter vivido ao ficar preso no mesmo. Mas como não tinham certezas, decidiram perguntar à sua mãe como é que o Sr. Stronde tinha morrido. Na manhã seguinte, quando foram tomar o pequeno-almoço, perguntaram à sua mãe como o Sr. Stronde, seu bisavô,  tinha morrido. A mãe disse-lhes:

                - Sinceramente ninguém sabe. Um dia quando estava na biblioteca, a escrever no seu bloco de notas, um dos seus muitos criados ouviu um grito vindo da biblioteca, mas quando lá chegou já não estava lá ninguém. Ninguém soube o que lhe aconteceu, nem mesmo o criado que até foi suspeito de o ter morto, mas como não encontraram o corpo não o puderam prender.

                - O que é que pensas que aconteceu ao teu bisavô? – Perguntou o João.

                - Eu acho que ele fugiu. O meu bisavô acreditava que existiam criaturas mágicas com poderes especiais, mas ninguém acreditava nele. O pobre do criado que foi acusado não deve ter tido nada a ver com o assunto. – Joana e João tiveram de ir para a escola, mas não se conseguiam concentrar nas aulas a pensar em tudo o que lhes tinha acontecido nos últimos dias. Na aula de Geografia a professora perguntou à Joana:

                - Qual a terra que ninguém conhece, mas onde todos querem estar?

                - A terra dos sonhos. – A professora não ficou admirada com a resposta de Joana e perguntou a toda a turma:

                - Será que é bom estar na terra dos sonhos? – Toda a turma ficou a pensar. Então a professora pôs outra questão:

                - Alguém nesta turma já foi à terra dos sonhos? – Ficaram todos a rir e a professora muito séria disse:

                - Eu já fui à terra dos sonhos.      

                Um dos rapazes da turma da Joana, a rir da professora, perguntou:

                - Então onde fica essa terra? É que eu gostava de a ir visitar.

                - A terra dos sonhos está no nosso coração. Quando estamos preocupados ou com problemas sonhamos com uma vida melhor. O mundo dos sonhos não se localiza, não se estuda em Geografia mas existe. – Isto fez Joana pensar e quando chegou a casa foi contar ao irmão o que a professora lhe tinha dito, mas o irmão não percebeu a mensagem.

                - Não percebes, nós nunca vamos sair do mundo dos sonhos porque nunca lá estivemos. Nós não estamos no mundo dos sonhos estamos apenas a viver a sua ilusão. – Disse a Joana.

                - Mesmo assim, como vamos deixar de viver esta ilusão?

                - Não sei, mas talvez o feitiço nos possa ajudar. Vamos lê-lo perto do espelho.

                - Mas ele está incompleto, vamos ter de o completar primeiro.

                - Tens razão. Vamos completá-lo. – Então fizeram num papel as várias possibilidades.

                “ Quero sair daqui, leva-me do mundo:

                1. Dos sonhos.

                2. Da ilusão.

                3. Do coração.

                4. Da infelicidade.”

               

                Em frente do espelho disseram todas estas possibilidades, mas nenhuma resultou. Desesperados, não sabiam o que fazer e decidiram ir dormir e organizar as ideias.

                Na manhã seguinte, o João sai muito cedo do seu quarto e vai para o quarto da irmã. Acorda-a imediatamente e diz-lhe entusiasmado:

                - Já sei como sair deste mundo. - A irmã levanta-se logo, mas antes que o João tenha tempo de lhe explicar a sua mãe chama-os para irem tomar o pequeno-almoço. Durante o pequeno-almoço, o telefone toca. A sua mãe vai atender e do outro lado da linha alguém lhe diz que não haviam aulas naquele dia.

                - Que estranho – disse ela – não há aulas hoje. – Da janela entra uma baforada de vento que deixa imóvel toda a família, menos a Joana e o João. Quando o João e a sua irmã olham para o lado vêem um espírito e o João pergunta:

                - Quem és tu?

                - Sou o espírito do espelho.

                - O que fazes aqui?

                - Vim avisar-vos que daqui a uma hora voltarei e se não souberem como voltar para o mundo real ficarão presos no mundo dos pesadelos para sempre. - Joana desmaiou e o espírito desapareceu. João estava preocupado pois se a irmã não acordasse ele não lhe poderia explicar como podiam voltar para casa.

                Faltavam cinco minutos para o espírito chegar e Joana acorda. João de tão feliz que estava queria falar, mas não conseguia. Até que chegou o espírito do espelho que disse:

                - Vou escolher um de vós para fazer o que é preciso fazer para voltar para o mundo real. Deixa-me cá ver…tu! – E apontou para a Joana, pondo-a numa casa sem ver o João e disse:

                - Faz o que tens a fazer. – Joana pensou em tudo o que tinha descoberto com João e descobriu a maneira.

                - Já sei. – E fez o que tinha a fazer, com o coração que era o verdadeiro mundo de sonhos pediu o seu último desejo:

                - Eu quero voltar para casa. Eu quero voltar para casa. Eu quero voltar para casa. – E o coração respondeu ao seu pedido, ela e o João voltaram finalmente para casa.

                Em casa, a reflectir sobre tudo o que lhes acontecera, chegaram à conclusão que nunca deviam ter mexido no espelho do seu trisavô, não deviam ter ficado iludidos com os seus sonhos e descobriram o mais importante: os nossos desejos estão sempre no nosso coração e conseguimos realizá-los com força, coragem e apoio daqueles que mais gostamos.

Publicado por ML às 16:44
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Quarta-feira, 26 de Abril de 2006

Ana Raquel Machado- 10ºD

Um dia, quando tinha seis anos o meu avô disse-me:

- E melhor manteres-te limpa e brilhante. Tu és a janela aberta através da qual tens de ver o mundo!”

Quatro anos depois, ele morreu e nunca tive a oportunidade de lhe perguntar o que queria dizer com isso. Cresci a pensar que a resposta à minha pergunta estava no futuro e suponho que hoje a tenha encontrado.

Meditei bastante e julgo que o meu avô me deu uma grande lição de vida. Aprendi que os dias da minha vida que se destacam com mais clareza são aqueles em que aprendi alguma coisa e de facto, o dia em que o meu avô me disse aquilo foi um dia em que aprendi bastante.

O meu avô era uma pessoa muito sábia, possuidora de vários valores que fazia questão de defender, determinada, usufruía de um carinho natural por tudo e todos, para mim ele será para sempre uma grande janela aberta, ornamentada de amor, carinho e beleza... Se fosse um pássaro gostaria de poisar todos os dias na sua janela para cantar, pois saberia que todos os dias seria brindada com um sorriso e uma palavra amiga.

No dia em que morreu senti a minha janela fechar-se, ficar embaciada e com um aspecto sujo... Mas, de seguida lembrei-me do meu avô, das suas palavras, do seu sorriso e, abri a minha janela. Sim, foi um dia muito triste, tudo estava sombrio e apagado. Ver uma das pessoas de que gostamos muito ir embora para sempre dói. Fazemos perguntas como: “Porquê?” ou “Para que serve a vida se acabamos todos por morrer?”

Fui ter com uma grande amiga do meu avô. Uma mulher linda, em tempos e antes de o meu avô casar com a minha avó, ela tinha sido uma grande paixão sua. Tornaram-se grandes amigos e confidentes. O meu avô sempre que falava nela, os seus olhos brilhavam, assim com quando a D. Sofia (assim era o nome da amiga do meu avô) falava dele.

A D. Sofia tinha sempre histórias para contar. Eu apreciava muito lanchar com ela. Era solteira, não tinha filhos e afirmava gostar de mim como de uma neta.

Na tarde, depois do funeral do meu avô, convidou-me para lanchar. Aceitei e fui ter com ela. Não sei porquê, mas assim que cheguei ao pé dela só me apeteceu chorar e foi o que fiz. Chorei durante muito tempo ao colo da D. Sofia. Senti que havia alguém como eu, alguém que perdera uma parte de si e que ficara apenas um vazio cheio de dor. Em seguida, ela levantou-se e foi buscar uma carta e uma caixinha de música. Disse que era para mim. Comecei por abrir a carta e apercebi-me que era a letra do meu avô. Li-a em voz alta:

“Querida neta,

Não sei quando vais ler esta carta, mas sei que será depois de eu morrer. Não, a vida não é injusta, como tu deves estar a pensar. Eu posso não estar ao pé de ti fisicamente mas estou dentro do teu coração, assim como tu estás no meu. De ti só tenho recordações boas, desde o dia em que nasceste até ao último dia da minha vida. Tive medo de morrer e de não te dizer tudo aquilo que gostava de dizer.

Nunca deixes de acreditar em ti, no teu valor. Sempre foste uma criança cheia de energia, refilona, alegre que punha todas as pessoas a rir. Sempre que te lembrares de mim quero que seja com um sorriso, aquele com que me habituaste. Tenho a certeza que vais encontrar o teu rumo. Luta sempre por aquilo em que acreditas. Espero que ainda te lembres das minhas palavras, quando te disse para te manteres limpa e brilhante, tu és uma janela aberta.

Eu vou estar sempre a olhar por ti como fiz durante toda a minha vida.

A tua avó deixou-me uma caixinha de música e pediu-me que quando morresse a entregasse a alguém que fosse realmente importante para mim.

Conta sempre com a Sofia, se precisares de alguma coisa.

Um beijo muito grande do teu avô,

Afonso.”

O meu avô conseguia sempre surpreender-me, mesmo depois de morto. Perguntei à D. Sofia o porquê daquela carta e ela disse-me que o meu avô sabia que estava doente e que podia morrer a qualquer momento. Percebi então o quão a vida é frágil. Perdemos tempo com coisas insignificantes e damos pouco valor àquilo que realmente importa.

Decidi abrir a caixinha de música e ouvi a música mais linda do mundo. Suave e cheia de expressão, trazia à minha cabeça os melhores momentos da minha vida.

A D. Sofia contou-me a história da caixinha de música enquanto lanchávamos. Fiquei a saber que tinha passado de geração em geração, que na minha família era um objecto de grande valor emocional. Prometi à D. Sofia que ia dá-la a alguém de quem gostasse muito.

Entretanto e depois de todas as emoções, decidi perguntar à D. Sofia porque nunca se tinha casado. Ela olhou para mim e disse que eu nunca iria perceber. Ao que lhe respondi que jamais saberia qual a minha reacção se não me contasse.

“— Existe uma felicidade na vida: amar e ser amado.” Foi a única coisa que me disse. Percebi que ela tinha sempre amado o meu avô. Preferiu amar a ser amada. Para ela não fazia sentido casar, constituir família com um homem que não amasse. Mesmo passados todos aqueles anos em circunstância alguma o esqueceu. Questionei-a pelo facto de não ter casado com o meu avô e ela disse que na altura a minha avó engravidara e que o pai era o meu avô pelo que foi obrigado a casar.

- Porque é que não fugiram? — inquiri com a inocência dos meus dez anos.

- Era errado fazê-lo. O teu avô era um homem com valores bem assentes, como sabes...

- Mas quem ele amava era senhora. Não devemos ficar com quem amamos? O meu avô disse-me que só devemos fazer aquilo que queremos.

- E era justo que a tua avó ficasse sozinha, com uma criança...? De qualquer forma tenho a certeza de que o Afonso não se arrepende de ter casado com a Maria, tiveram filhos lindos e netos maravilhosos...

- Mas... e a senhora no meio disto tudo, foi quem mais sofreu.

- Não me importo. O Afonso era um homem feliz e eu só queria ver quem amava feliz.

A partir daquele momento passei a admirar ainda mais aquela mulher. Sofreu a vida inteira por amor e mesmo assim era feliz, à sua maneira.

Passei a visitar a D. Sofia todos os meses. Levava-lhe flores e no dia dos Avós era com ela com quem estava. Fui crescendo e ela envelhecendo, mas cada dia gostava mais dela. Ela lembrava-me a minha infância, o meu avô, tudo aquilo de que sentia falta. Tinha sempre um ensinamento para me dar, uma palavra amiga para me dizer, uma repreensão a fazer quando eu precisava e era a minha melhor amiga. Por mais estranho que parecesse, conseguia contar-lhe coisas que nem era capaz de dizer à minha mãe ou amigos. Ela era no fim de contas a minha confidente. Nunca me deu conselhos, era apologista daquele provérbio: “ Se os conselhos fossem bons não se davam, vendiam-se.”

Esteve sempre presente em todos os momentos da minha vida.

Um dia, a D. Sofia adoeceu. Senti que ia perder outra pessoa de quem gostava. Foi nessa altura que me disse:

- Tens de manter limpa e brilhante. Tu és a janela aberta através da qual tens de ver o mundo! Não te podes deixar abater.

E fui a todos os médicos que conhecia procurar uma cura para ela. Eu não a podia deixar morrer, o meu avô tinha morrido e eu nada tinha feito e agora não podia cruzar os braços. Mas todos me respondiam que não existia cura. Que nem sequer sabiam de que doença se tratava. Senti-me presa, incapaz, senti ódio de tudo e todos. As pessoas morriam e ninguém se importava. Porque é que as pessoas boas morrem em acidentes de automóveis ou com doenças e as pessoas más são sempre as últimas a morrer?

Passei a visitar todos os fins-de-semana a D. Sofia. Ela estava cada vez mais fraca, o olhar apagado, nem conseguia falar durante muito tempo. Senti que estava a fugir-me das mãos e eu chorei, senti uma dor que há mais de cinco anos não sentia, a dor de perder alguém. Ela exigiu-me que lhe sorrisse, aquele sorriso que o meu avô me pediu. E eu tentei, mas a tristeza, o desespero tinham invadido o meu coração.

Posteriormente, perguntou-me pela escola, pela profissão que queria escolher. Disse-lhe que estava a viver o maior dos pesadelos. Toda a minha família queria que eu seguisse medicina, pois dava dinheiro e era uma profissão de prestígio. Eu nunca quis ser médica, sempre aspirei seguir arqueologia ou jornalismo de investigação. Não tinha qualquer sentido ser médica, nem sequer tinha vocação. Sempre gostei de História, de escrever, de investigar. O meu sonho era informar o mundo, dar a conhecer coisas que em tempo algum alguém descobriu. Ia ser muito feliz se tivesse uma conta bancária com menos zeros. Sim, de facto, ter dinheiro é essencial para viver e ser feliz não conta? O que me interessa ter fama, dinheiro e ser infeliz? Não obrigado, mas prefiro ser feliz.

A D. Sofia disse que eu fazia bem em me impor. Tudo o que fizesse naquele momento iria condicionar o resto da minha vida. Ela disse-me que desde de pequena eu tinha a mania de investigar, de escavar, de procurar tudo. Era possuidora de uma curiosidade aguçada, tal como o meu avô. Cada dia que passava achava-me mais parecida com ele. E antes de me ir embora para casa disse-me:

“— As vezes existe um limite entre fazeres as coisas que os outros querem que faças e seres verdadeira para contigo própria — escuta a tua própria voz, as tuas preferências, age de acordo com o que acreditas e faz aquilo que é realmente importante para ti...” e morreu.

Tinha a sua mão agarrada à minha, largou-a, fechou os olhos e morreu. Assim de uma maneira rápida e estúpida. Ver uma pessoa morrer faz-nos repensar toda uma vida.

No dia seguinte foi o funeral. Quase não estava ninguém, apenas alguns amigos, familiares e eu. Mais uma vez senti a minha janela fechar-se.

O padre começou a falar e eu só me conseguia lembrar de todos os momentos bons que a minha amiga me tinha proporcionado.

A sua amizade, a sua paciência, o seu amor tinham-me ajudado a tornar numa pessoa melhor, mais responsável.

Vê-la ali deitada era estranho, mas eu sabia que assim como o meu avô, ela estava no meu coração e iriam ajudar-me estivessem onde estivessem. Antes de taparem o caixão senti que só havia uma pessoa merecedora da caixinha de música, a D. Sofia e pu-la dentro do caixão. Fui-me embora, não queria despedir-me dela.

Hoje em dia, comecei a encarar a morte como algo natural, que mais cedo ou mais tarde tem de acontecer.

A minha janela está mais aberta do que nunca e pronta para receber tudo aquilo que lhe quiserem oferecer.

Nádia Filipa Cabral - 10ºC

 Uma Punhalada no Amor

 

Era uma vez um menino chamado Pedro que vivia numa aldeia muito pequena que quase ninguém conhecia. Pedro era um menino bondoso e sincero, mas muito ambicioso cujo maior sonho era ser rico e poderoso. Contudo, tal como os restantes habitantes da aldeia onde vivia, também ele e a sua família eram pobres, pelo que Pedro não ia à escola. Em vez disso, trabalhava numa oficina para ajudar os pais a pagar as dívidas e a comprar comida suficiente para, pelo menos, não morrerem à fome, visto que, devido a uma paralisia cerebral incurável, a mãe de Pedro estava impossibilitada de exercer qualquer profissão.

Mas dentro daquele pobre coração nem tudo eram tristezas. Havia alguém que o fazia sorrir mesmo quando estava triste por não poder ajudar mais a sua família. Alguém que o fazia ver sol mesmo quando chovia. Alguém que o encantava verdadeiramente. Esse alguém era Amália, uma menina muito bonita e simpática que também era pobre, mas que, ao contrário de Pedro, vivia feliz. E Pedro interrogava-se sobre como poderia alguém ser tão feliz se era tão pobre! Mas não encontrava respostas.

Mais tarde, com a morte da mãe, com a qual sofreu muito, o seu único consolo foi Amália, que exerceu sobre Pedro um poder protector que este jamais havia pensado ser possível. Contudo, a morte da sua mãe deixou Pedro muito em baixo e tornou-o rancoroso e insensível, levando a que Amália se afastasse de si. Por sua vez, com o afastamento de Amália, Pedro começou a envolver-se em meios menos próprios e a fazer amizades com as mais variadas pessoas. Uma delas era Justino - um moço alto, magro, de cara borbulhenta e grandes olheiras - e que era, provavelmente, uma das pessoas mais detestáveis que pode haver. Quando passava na aldeia todos lhe viravam a cara e os poucos que o olhavam de frente, faziam-no com ar desconfiado. Onde estivesse, havia sempre confusão.

Os anos iam passando e Pedro, com o dinheiro que ia obtendo da sua vida obscura, resolveu criar uma sociedade com Justino, na qual seriam sócios gerentes de uma empresa têxtil, que se sabia dar grande lucro na altura.

Ao saber de tal sociedade, Amália, que até então tinha tentado aguentar toda a solidão que a abrangia sozinha e calada, resolveu de uma vez por todas que tinha de advertir Pedro para os riscos adjacentes a tal sociedade com Justino, pois este era um grande vigarista e decerto faria de tudo para que Pedro ficasse sem nada, ficando assim com todos os lucros da empresa investindo apenas metade do capital. No entanto, todas as palavras que Amália proclamou e todas as lágrimas que entretanto derramou não foram suficientes para Pedro mudar de opinião em relação ao seu sócio e “amigo”, pois este não quis ouvi-la e escorraçou-a do seu gabinete fazendo-lhe o ultimato de que se ela voltasse a interferir na sua vida, poderia acabar por ficar sem a dela. Amália não quis ouvir mais e saiu desgostosa da vida daquele escritório onde tanto mal lhe haviam feito. Jurou a si própria que nunca mais ali voltaria e dependendo de si, também nunca mais quereria ver Pedro na sua vida. Contudo, bem lá no fundo, Amália sabia que ele tinha um bom coração e que apenas tinha sido atingido pela ganância.

Por sua vez, Pedro estava cada vez mais rico e, consequentemente, mais feliz. Tinha agora tudo com que sempre sonhara: dinheiro, poder, uma casa enorme e movimentada (ainda que mal), uma empresa bastante lucrativa, bastantes amigos e/ou conhecidos, um carro topo de gama que exibia excitadamente e com grande agitação, e, o mais importante (pensava ele): a popularidade que tinha junto do sexo feminino e que lhe concedia uma condição especial no que tocava a arranjar namorada ou namoradas. Visto que a vida lhe dera a oportunidade de ser feliz, ele queria aproveitá-lá. Pedro sabia, no seu interior, que poderia vir um dia em que tudo mudaria, mas preferia não pensar tão negativamente e aproveitar a vida enquanto podia. E agora, ele estava certo de que podia e devia fazer tudo o que quisesse!

No entanto, enquanto fazia tudo a que tinha direito, Pedro não conseguiu aperceber-se de que o mundo não era aquele sonho cor-de-rosa em que ele vivia, para toda a gente. A verdade é que o seu pai estava gravemente doente e, também devido à sua idade avançada, encontrava-se agora às portas da morte. Mas Pedro parecia desconhecer tal situação pois o tempo que dedicava ao seu pai era tão pouco que raramente o via. Nem nos anos do seu pai ele se dignava a aparecer e não era por não se lembrar, porque Pedro enviava-lhe sempre um cheque como prenda de aniversário. Pobre coitado! O Pedro não entendia que o dinheiro não era solução para os problemas reais da vida. Talvez, no mundo em que vivia, o dinheiro tivesse muito valor, até demasiado, mas o que é facto é que até a mais ignorante pessoa do mundo saberia que sem amor não há dinheiro que compre a felicidade eterna e verdadeira. Mas Pedro não era ignorante. Pedro estava cego! Tomara-se numa pessoa horrível e não dera conta de que estava a perder aquilo que de mais precioso se pode ter: o amor! Perdera o amor da sua mãe quando esta morreu, o amor de Amália - que entretanto encontrara alguém mais merecedor do seu amor, embora esta não o tivesse para lhe dar, uma vez que, infelizmente, o seu coração continuava a suspirar secretamente por Pedro -, no dia em que a escorraçara do seu escritório, e estava prestes a perder o amor do seu pai que, com o passar do tempo e a falta de carinho e atenção, se encontrava agora mais debilitado que nunca.

Pedro só soube do estado de saúde do seu pai quando foi informado oficialmente de que este se encontrava já morto. A sua única reacção foi sentar-se na cadeira do seu gabinete e esperar acordar do que pensava ser um pesadelo. No entanto, aquele pesadelo continuava e ele sabia agora que não ia acordar nunca dele.

No dia do funeral do seu pai, a aldeia estava toda presente, incluindo Amália, para prestar homenagem àquele que tinha sido um grande homem e que se tinha feito notar pela sua grande humildade, grande personalidade e grandeza de alma e coração, qualidades que o seu filho não tinha. A cerimónia correu perfeitamente bem e ninguém quis deixar de dizer uma última palavra de adeus a um grande amigo que se perdia graças às circunstâncias da vida cruel que levava. O padre, esse, proferiu comoventemente as palavras, elogiando infinitamente aquele que disse ser «um homem nobre e encantador e não deixou de notar “a sua enorme dedicação à aldeia e o enorme esforço que teve para fazer dela um sítio melhor para viver contribuindo bastante para que os presentes se mostrassem, não melancólicos por perderem um grande amigo, mas felizes por terem conhecido alguém tão bom e com tanta coragem e força de vontade.

No fim da cerimónia fúnebre, Pedro encontrava-se - pela primeira vez desde há muito tempo - verdadeiramente comovido e não quis deixar de agradecer a ninguém a sua presença naquela que era a última vez que veria o seu pai.

Contudo, ninguém se dignou a olhar para ele e muito menos a dirigir-lhe qualquer palavra que fosse... excepto Amália. A única coisa que ela lhe disse foi que ele tinha escolhido o caminho errado na sua vida e que a sua estrada só tinha uma direcção, pelo que não havia meio de dar a volta e voltar para trás. Disse-lhe que era altura de ele seguir em frente e que esquecesse que alguma vez havia tido amigos na aldeia pois já ninguém conseguia sequer olhar para a sua cara pela vergonha que sentiam de ter gostado tanto daquele rapazinho inocente que ele era e que se havia transformado num monstro. Dito isto, também Amália virou costas a Pedro e, tal como os restantes habitantes da aldeia, voltou para casa.

Durante dias ninguém ouviu falar de Pedro e corriam boatos de que se havia mudado da aldeia para a grande cidade, que se havia suicidado, que havia sido raptado, que desaparecera propositadamente devido à vergonha que sentia por ter “morto” o seu pai... No entanto, nem Pedro sabia realmente o que se passava. Não conseguia sair à rua, era verdade, mas não era por vergonha, ou talvez fosse, não sabia. Apenas sabia que algo estava errado consigo. Teria finalmente entendido que não eram o dinheiro, o poder e a fama a verdadeira felicidade? O que é facto é que uma dor enorme se apoderava de si e era impossível curá-la com que remédio fosse, pois a dor que sentia era a perda dos seus pais, principalmente do seu pai, de quem costumava ser muito amigo. E a verdade era que desta vez nem Amália tinha do seu lado para o consolar como acontecera quando a sua mãe morreu. Sentia a falta dela, mais do que pensava ser possível. Teria ele compreendido que era amor o que sentia por ela? Seria possível que, depois de tantos anos a pensar que o amor era algo tolo e enfadonho, tivesse descoberto que estava e sempre estivera, embora não soubesse, apaixonado por Amália? A resposta era sim! Foi nesse preciso momento que Pedro percebeu que todo aquele dinheiro que tinha conseguido até então não o ajudara em nada, pois ele continuava triste e solitário, o que fazia com que se sentisse ainda pior e mais destroçado.

Foi então que decidiu que estava na altura de mudar as coisas. Sabia que não podia voltar atrás no tempo de modo a fazer tudo de novo, mas podia, pelo menos, tentar emendar os estragos que causara. Durante semanas, Pedro preparou uma enorme surpresa para que toda a aldeia visse e compreendesse que ele estava mudado ou que estava a tentar dar um novo rumo à sua vida. Encontrava-se agora verdadeiramente feliz, pois sabia estar a fazer o melhor que podia por si e pelos outros. Os preparativos para o grande dia estavam prontos e na aldeia ninguém sequer imaginava o que Pedro andava a tramar e não tinham de todo qualquer conhecimento sobre a sua intenção de lhes fazer uma surpresa.

Quando o grande dia chegou, a primeira coisa que Pedro fez foi ir falar com Amália e dizer-lhe que estava arrependido, pedir-lhe por tudo que o perdoasse, pois ele estava mudado. Mas qual não foi a sua surpresa quando chegou a casa de Amália e observou com desagrado que todos lá se encontravam com um ar bastante pesado. Pedro tentou saber o que se passava, mas nenhum dos presentes parecia saber responder-lhe, balbuciando apenas algumas palavras soltas no meio de vários soluços e lágrimas. Sem saber o que fazer, Pedro entrou de rompante no quarto de Amália, mas nada mais encontrou que um caixão. Amália tinha morrido. A pessoa com quem, em pequeno, pensava passar o resto da sua vida tinha desaparecido para sempre e ele nem tivera oportunidade de lhe pedir perdão. Pela primeira vez desde a morte da sua mãe, Pedro sentia uma enorme vontade de chorar. Parecia-lhe que não conseguiria aguentar tanta dor e sofrimento. Sentia-se muito triste e vazio, como se o coração e a alma lhe tivessem abandonado o corpo e deixassem em seu lugar apenas um ser pálido e imóvel. Pedro sentia-se incapaz de se mexer como se estivesse preso aos terríveis sentimentos que se iam apoderando de si. Só passados alguns minutos, que lhe pareceram intermináveis horas, conseguiu olhar em seu redor, para o quarto da sua amada. Encontrava-se agora sentado no chão e, de lá, observava cada pormenor daquele quarto que tão bem conhecia. Estava tudo no seu sítio, pois, embora Amália não fosse pessoa de grandes posses, sempre fora muito arrumada e organizada. Não conseguia ficar ali nem mais um momento. Levantou-se e saiu.

No dia seguinte era o funeral de Amália. Pedro, com a ajuda dos seus empregados, distribuiu todo o seu dinheiro pelas casas dos habitantes da sua aldeia, sem que estes dessem conta, e por lares e instituições de caridade, para que fizessem melhor uso dele do que aquele que Pedro fizera anteriormente. Guardou apenas algumas das suas jóias para si. Tinha uma boa utilidade para lhes dar, pensava.

Eram onze horas e Pedro encaminhava-se agora para o cemitério onde já todos se encontravam a celebrar o funeral de Amália. Chegou a meio da cerimónia e nesse mesmo instante pediu perdão a todos por ter sido injusto e por ter enganado tanta gente para conseguir dinheiro, dinheiro esse que não lhe trouxera nenhuma felicidade.

Depois, tirou do bolso do seu casaco um punhal em forma de rosa feito de ouro e cujos espinhos eram diamantes e, perante todos os que ali se encontravam, disse a chorar:

- Esta é a prova de que o dinheiro não traz felicidade e pode até levar à morte, quando a ganância e a sede de poder são mais fortes que o amor que nos esquecemos de viver!

Ao acabar de proferir tais palavras - e perante o olhar assustado ou até aterrorizado de todos os presentes — espetou o punhal no peito e deixou-se cair sobre o caixão de Amália.

Pedro tinha razão. O dinheiro que durante tanto tempo tinha sido a sua felicidade, acabara de o matar. Mas não em vão. A história de Pedro foi contada e recontada vezes sem conta e passava de pais para filhos como um pequeno tesouro que todos queriam conter e guardar preciosamente. E ainda hoje existe, naquela pequena e pobre aldeia em que o dinheiro era pouco, uma estátua de um rapaz sem rosto com o punhal que matara Pedro na mão e com uma placa aos pés que diz:

            -“Aqueles que seriam capazes de dar a vida em troca de dinheiro, para que se lembrem de que houve alguém que o fez e que se arrependeu, embora tarde demais para recuperar o seu amor que acabou por morrer. Bem vindos ao concelho de Ávila”.

Publicado por ML às 22:39
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Monique Morais -8ºF

A Janela do Luar

            Sentada em frente a uma janela de um quarto que me era desconhecido, fechei-me a sete chaves. Sem saber o que se passava lá fora, não queria ver ninguém. Éramos só nós as duas: eu e a janela. Fitei-a com um olhar desconfiado, mas segui na sua direcção. Aproximei-me e em seguida abria-a. Como era bela e grande a sua armação! Tinha um parapeito revestido de ouro e nele me sentei.

Através daquela janela pude reviver muitos bons momentos que passei. Por segundos vi a minha vida a andar para trás. Quis apanhar os bons momentos e revivê-los. Quis apagar os maus, para que nunca mais fossem lembrados: momentos de decisão, paz e conflitos.

Sentia-me feliz, pois tudo aquilo era mágico. Os risos que tinha dado, as lágrimas que derramei, a alegria que sentia e o sofrimento que com alguns passei, mas não os pude agarrar nem apagar. Vi também aquele momento que formou a minha vida num poço de tormentas. Lá estava ele sentado no banco do jardim. Sentei-me a seu lado. Parecia-me com uma estrangeira que tinha acabado de chegar a um país que lhe era totalmente desconhecido. Era como se não falássemos a mesma língua. Não estávamos em sintonia. Tínhamos de aprender a língua que muitas pessoas não sabem falar: a língua do Amor. Porém nem eu nem ele a podíamos aprender assim num abrir e fechar de olhos. Teria de ser com o tempo, mas não soubemos esperar... E nenhum de nós falou. Ouviu-se um grande silêncio. Queria dizer-lhe como era bom estar a seu lado, como era bom ouvir a sua voz, como me sentia quando o voltava a ver depois de muito tempo, mas nada saiu! Era como se me tivessem apunhalado na garganta e juntamente com o escorrer do meu sangue e lágrimas as palavras iam fugindo uma a uma e eu sem as puder reter. Com dor vi-as caírem no chão, partindo-se em pedaços. Desisti e vim-me embora sem olhar para trás.

            Sentia-me fraca, porque só os fracos desistem. Não tive mais força para lutar e seguir em frente. Vi a minha imagem desaparecer no escuro. E, de repente, tudo parou: as imagens desapareceram. Queria vê-las outra vez, mas foi como se um portal se tivesse fechado. Entretanto vi o sol nascer, ouvi os galos com grande postura e elegância a cantarem. Era uma melodia que nunca tinha ouvido antes.

            De súbito, e sabe-se lá de onde, levantou-se um enorme vendaval. As portadas da janela pareciam um cavalo relinchando de sofrimento. Suavam de acordo com o vento, e percebi que era hora de me vir embora. Saltei do parapeito de ouro e fechei a grande janela. De novo, encontrava-me num quarto desconhecido com uma bela e grande janela. Não me atrevi a abri-la outra vez.

            Tive medo de ficar presa ao passado para sempre, de não conseguir viver o futuro e o presente. Um dia hei-de voltar a essa janela que me fez voltar no tempo, sem medo das tristezas e para perceber onde errei e aprender que para se amar é preciso sofrer. E se pudesse voltar atrás não mudaria nada, apenas aquele dia, durante o qual teria gritado ao mundo como o adorava.

 

            Os dias foram passando... Aquela janela não me saía do pensamento. Pensava nela todos os dias. Tinha dito que não havia de voltar, mas não resisti. Fiquei indecisa quando estava a chegar à porta do quarto. Por momentos pensei em recuar, mas não ia desistir outra vez. Abri a porta e quando ia a entrar a minha mãe chamou-me. Ainda bem, salvou-me de voltar ao passado. Desci as escadas e fui ter com ela. Para meu azar pediu-me que fosse a esse quarto buscar uns álbuns de fotografias, para ela deitar fora. Percebi que à minha mãe aquele quarto também lhe trazia recordações antigas. Não me atrevi a perguntar-lhe a razão de querer deitar os álbuns fora.

            Entrei de novo no quarto que me parecia ainda mais desconhecido. Fiquei com imenso calor e ao mesmo tempo cheia de frio. Foi ainda mais estranho do que da primeira vez, pois anteriormente não tinha reparado no armário grande e robusto que se encontrava no fundo do quarto. Este parecia-me sozinho e triste. A única janela que existia não passava luz suficiente. Aquele quarto era muito misterioso. Quando abri o armário senti um cheiro horrível! Cheirava a velho e havia imenso pó! Peguei nos álbuns e voltei a fechá-lo.

            Quando passei perto da janela ouvi uma voz muito suave e meiga. Era uma voz quente cheia de força que me pedia que voltasse a abrir a janela. Tentei resistir, mas aquela voz não se calava. Abri de novo a grande janela. Vi crianças a brincar, risos, cheiros, muita alegria se sentia no ar.

            Admirei-me imenso, estava à espera que a janela me mostrasse o que não queria ver. Pelo contrário sentia-me bem, cheia de força. Desta vez não tive pressa em fecha-la, não se levantou nenhum vento e as portadas não pareciam cavalos. Ouvi a minha mãe chamar-me outra vez. Fechei a janela sem pensar se devia voltar ou não. Entreguei os álbuns à minha mãe que de imediato os queimou. Continuei sem saber bem porquê, pensei se seria isso que teria de fazer para esquecer aquele dia. Como podia eu queimar essa recordação? Não podia agarrá-la nem tocá-la. Seria impossível. Entreguei-me de novo ao quarto. Sentei-me no chão em frente a grande janela e fiquei a pensar.

            O tempo foi passando e eu sem dar por isso. Entretanto acabei por adormecer. Do chão saía um cheiro a madeira e era desconfortável. Mas eu sentia-me bem, aquela janela transmitia-me paz e bem-estar. De madrugada apercebi-me que não devia estar ali, no entanto nem sequer me importei. Olhei para a janela e não me parecia tão bela. Queria ouvir a voz que me fez abri-la de novo. Mas limitei-me a um silêncio. Não sabia se a devia de abrir ou não. Sentia-me triste, era como se fosse a primeira vez que ali tinha entrado. Abri a janela e vi o tempo recuar, não consegui evitar. Teria que esperar que o vento se levantasse para dali sair. Doeu mais do que da primeira vez. Agora o meu sentimento de culpa aumentava, e tudo aquilo era muito intenso. Entretanto tudo acabou. Senti-me aliviada, mas a dor permanecia. Não era uma dor qualquer, era sim qualquer coisa de inexplicável, inacabável. Estava obcecada pela grande janela, pois todos os dias ali estava eu, à mesma hora nem mais um minuto. A janela fazia-me ver como tinha desperdiçado aquela oportunidade. Sentia-me cada vez mais culpada. A janela todos os dias me dava um castigo diferente, mas não a conseguia evitar. Via-a como um vício e dela me ia tornando cada vez mais dependente. Não me conseguia ver livre dela. Queria pedir ajuda, mas tinha vergonha, medo de que me ignorassem. Um dia coloquei um ponto final nesta pessoa em que me tornei: fechei a porta do quarto e resolvi deitar a chave fora.

            Decidi ir para fora por uns dias. Desfazer a pessoa em que me tinha tornado e voltar a ser eu. Fui para longe da janela, do quarto, da casa, da cidade e do meu país.

            Saí por duas semanas. Conheci novas pessoas, costumes e línguas. A janela não permanecia na minha vida. Nem sequer ousei falar dela. Para quê? Para voltar a cair no mesmo vício e nunca mais me levantar. Não! Isso não irá acontecer. Chegou o dia de vir para casa. Sentia-me triste, mas com uma moral diferente. Continuei a minha vida, sem estar presa ao vício daquela janela. Tinha vencido. Ela não me conseguiu derrotar completamente. Passei pelo corredor em frente à porta do quarto e reparei que a porta tinha uma fechadura nova e encontrava-se entreaberta. Espreitei: por dentro o quarto estava igual e a janela continuava com a mesma armação. Tive uma enorme vontade de dizer que a tinha vencido e que ela não conseguiria derrotar-me de novo.

            Enfrentei-a, segui na sua direcção e abri-a. Fiquei à espera que o tempo recuasse e nada aconteceu. Apenas sentia o frio que vinha da rua, e via a neve cair, estava tudo muito calmo. Não percebi se eu tinha estado louca este tempo todo, se tinha mesmo sido verdade. Fiquei muito tempo a pensar, mas nada me ocorria. Como não tinha mais nada a fazer fui perguntar à minha mãe. Pedi-lhe que me ajudasse e contei-lhe o sucedido. Ela riu-se e perguntou se eu estava bem, virou as costas e foi-se embora. Tinha voltado ao princípio, sem saber o que aquela janela me queria dizer. Fui de novo para o quarto. Na janela reparei que havia uma frase que se situava onde me tinha sentado da primeira vez. A frase estava escrita com umas letras muito diferentes do habitual. E a frase dizia: só VÊS O QUE QUERES VER! Por uns dias essa frase não fazia qualquer sentido. Até que cheguei a uma conclusão. A janela apenas me mostrava o que eu de facto queria ver. E como me sentia tão culpada por aquele dia não ter corrido bem, fiquei a sofrê-lo todos dias como se fosse o primeiro.

Micael Ribeiro -8ºE

Dia quatro de Setembro de 1990, pelas seis horas e vinte oito minutos, nasci. Os meus pais deram-me o nome de Micael Ribeiro. Tenho um irmão Gil, o meu pai Armando Ribeiro, é Soldado de Infantaria da Guarda Nacional Republicana e a minha mãe, Isabel Ribeiro é empregada doméstica.

Aos meus quatro anos de idade, sofri um atropelamento, quando atravessei a estrada, atrás do meu irmão. Como era pequeno, ainda não tinha mentalidade para prever os perigos que corria. O motorista de um autocarro, não conseguiu travar a tempo e atropelou-me. Tive sorte, porque apenas sofri um traumatismo craniano. Lembro-me apenas que foi o meu irmão que me tirou da estrada, e me levou ao colo. O meu pai levou-me de carro para o hospital de Torres Vedras e dali fui transferido de ambulância para o hospital de S. José, em Lisboa. Foi um grande susto, mas aprendi, pois até aos nove anos de idade não atravessava aquela estrada sem estarem os meus pais comigo.

Com os anos, surgiram várias peripécias na minha vida, e o sonho de vir a seguir as pisadas do meu pai, crescia cada vez mais. Com dez anos de idade, comecei a estudar no Externato Irene Lisboa em Arruda dos Vinhos, onde resido e dali sou natural. Após três anos, já na nova escola, ainda em Arruda, agora com novo nome, Externato João Alberto Faria, numa segunda-feira apanhei outro susto agora com o meu pai, visto que este, é agora neste momento, Cabo de Infantaria, no Posto Territorial de Sobral de Monte Agraço.

Estava na Padeirinha de Arruda, a almoçar com os meus colegas, quando ouvimos uma viatura da GNR com rotativos e sirenes ligadas a alta velocidade na direcção de Sobral. Após termos visto duas viaturas nestas circunstâncias, eu, a Laura, a Sara e a Tânia (minhas colegas) saímos da Padeirinha e dirigimo-nos para o ringue de S. Lázaro. No entanto, não era ali que a GNR estava e voltamos para trás. Já de regresso a escola, deparamo-nos com uma ambulância escoltada por mais duas viaturas da GNR, em sinalização de urgência. Então seguimos a estrada por onde a GNR ia, mas a meio do caminho, a situação parecia ainda mais grave, pois passaram mais quatro viaturas da GNR a escoltar dois jipes do Cl e COE, Corpo de Intervenção e Corpo de Operações Especiais, da GNR respectivamente. Coisa boa não era. Mas a curiosidade falou mais alto e decidimos ir ver o que era. Entrei no restaurante o Serrote na Arruda, para pedir o número de um táxi. O dono do restaurante conhece-me e perguntou-me se eu sabia quem era o guarda que tinha levado o tiro no Sobral. Fiquei logo com o coração nas mãos, porque o meu pai estava de serviço e poderia ser ele o alvejado. Telefonei-lhe logo, e fiquei mais aliviado quando soube que não era ele e que tinha sido um militar dos NIC, Núcleo de Investigação Criminal de Vila Franca de Xira.

Quando passei a estrada, passou, outra viatura em emergência, agora um Renault Clio branco da Polícia Judiciária.

Não deu para irmos mais longe, pois eram treze horas e vinte minutos e tínhamos de estar nas aulas dali a dez. Quando chegámos à escola soubemos que tinham passado mais viaturas, tanto da GNR como da PJ.

Durante a noite, não dormi descansado, porque o meu pai teve que lá estar durante o tempo que o barricado permaneceu nesta situação. Zaca Malandro, assim é conhecido pelos seus vizinhos e militares da GNR do Sobral, cinquenta e quatro anos, padeiro de profissão e divorciado, disparou sobre o soldado João Ferreira, com uma caçadeira, quando este entrou na casa de Zaca. João e o seu colega ainda puxaram das armas, para deterem Zaca Malandro, mas estas, STAR, encravaram. Quando estas encravaram, o colega de João, pô-lo a salvo e chamou reforços.

No local estavam, elementos do posto territorial de Arruda e do Sobral, do Destacamento de Vila Franca e de Torres Vedras, também do Corpo de Intervenção e do Corpo de Operações Especiais da GNR e inspectores da Polícia Judiciária. Zaca Malandro é conhecido pelas autoridades da sua área por vários delitos e autos, e também por já ter cumprido pena por homicídio de um tio.

De volta da residência de Zaca Malandro, a GNR montou um vasto perímetro de Segurança. O Barricado, vencido pelo cansaço, rendeu-se após vinte e oito horas e depois, de ter disparado sobre João Ferreira, de vinte e seis anos, que perdeu a vista esquerda.

Manuel Cardoso “Zaca”, teve a sua vida por um fio, pois um elemento do COE, teve-o sempre na sua mira, mas o Tenente-Coronel Pereira, um dos responsáveis pela operação deu ordem para não dispararem.

Depois deste episódio, que marcou aquele ano escolar, acabei por concluir, após quatro anos de estudo, o décimo segundo ano de escolaridade. Concorri à Universidade de Direito em Lisboa e fui aceite. Enquanto estudava na Universidade servia, durante os fins-de-semana, almoços e jantares no mais requintado restaurante de Arruda dos Vinhos: o Fuso. Saí da Universidade com vinte e dois anos, e candidatei-me a inspector da Polícia Judiciária.

Com vinte e três anos, tornei-me inspector da Polícia Judiciária na Directoria Nacional em Lisboa. Logo na minha primeira investigação, sofri uma tentativa de atropelamento e de homicídio, mas consegui sair ileso daquela operação no Bairro Alto, graças à intervenção de uma civil e grande amiga minha Catarina. Pensei sair da PJ, mas o meu companheiro, o inspector Hugo Costa, convenceu-me a não sair.

Um ano mais tarde, já no DECC da PJ, estava com o Inspector Costa numa operação em Arruda, quando o vi a ser alvejado por um indivíduo cadastrado. Puxei pela minha arma, uma Erma 6.35mm, e disparei 9 tiros, sobre o individuo, levando-o à morte. Hugo Costa, baleado numa perna, já estaria ao serviço uma semana mais tarde, tempo em que eu estive suspenso da PJ, pelo Ministério Publico, devido ao meu comportamento de revolta, na altura do Costa ser alvejado. Mais uma vez, quis sair da PJ, mas o Hugo novamente convenceu-me do contrário.

Passados já dois anos, o Hugo foi transferido para Faro e nunca mais soube notícias dele. Eu com vinte e três anos, vi o meu cão e o meu parceiro, morrerem carbonizados, na minha viatura, um BMW 320d. Aí, não tinha o Inspector Costa, para me convencer a não sair da PJ, é costume dizer-se que à terceira é de vez.

Não consegui estar muito tempo fora de serviço policial, por isso inscrevi-me na GNR e fui aceite. Aos vinte e sete anos, já estava a estagiar no Posto Territorial de Albufeira, no Batalhão numero três. Quando não é o meu espanto que no dia que entrei ao serviço em Albufeira dou de caras com o Costa, agora Cabo da GNR em Albufeira. Este saiu também da PJ, por ser acusado injustamente de abuso de autoridade, por parte de um indivíduo cadastrado por tudo um pouco, desde furtos a homicídios qualificados.

Fiz várias patrulhas com o cabo Costa, mas foi numa operação que o salvei de uma tentativa de atropelamento. Por causa disso recebi uma medalha de mérito e fui promovido a Cabo-Chefe. Eu e o Hugo, pedimos transferência para o Posto Territorial de Arruda, onde fomos colocados. Aqui reencontrei uma pessoa especial, pela qual no passado era apaixonado. Dois meses depois casámo-nos na Igreja Matriz de Arruda.

O Cabo Costa casou com a sua noiva um mês mais tarde, e convidou-me a mim e à minha mulher para padrinhos, visto que este e a Catarina foram os padrinhos do meu casamento.

Eu e o Costa, subíamos de posto um atrás do outro, umas vezes por mérito outras por estudo.

O Costa, agora l Sargento da GNR, foi destacado para comandar a Brigada de Trânsito da GNR, no Carregado. Eu surgi logo a seguir para 2° Sargento na BT, no Carregado, e fomos os dois promovidos a Sargento-Mor. Na BT, naquele momento em Torres Vedras, eu e o Costa, ambos com trinta anos de Idade, fomos convidados a dirigir o Corpo de Operações Especiais, em Lisboa.

Dois anos mais tarde, éramos os mais especializados nos COE: carregávamos aos ombros as divisas com a patente de Tenente e chegámos a receber o convite para ingressarmos nos URT, Unidade de Resposta Táctica da PJ, mas não aceitámos.

Posteriormente fui destacado para dirigir o 11° contingente no Iraque. Não aguentei lá muito tempo, pois a família falou mais alto que aquela missão, e por isso voltei ao fim de cinco meses e meio. Orgulho-me muito daquela decisão e da de sair dos COE. Logo a seguir tive de ir para o CI da GNR, onde comandei várias operações, uma delas que envolvia o Hugo Costa, Tenente no Destacamento Territorial de Vila Franca de Xira, comandante deste destacamento.

Um grupo de assaltantes sequestrou a mulher e o Tenente Costa num barracão, para o local foram várias equipas dos COE, CI e elementos dos postos envolventes da área de Torres Vedras, Sobral, Arruda, Loures e várias equipas da PJ. Após oitenta e sete horas, os Indivíduos não se renderam, e eu não tive regras a medir, mesmo contra as ordens do Tenente-Coronel Pereira: entrei no barracão e consegui salvar o tenente e a mulher, disparando sobre os indivíduos de uma Shotgun. Fui atingido apenas com um tiro no braço esquerdo.

À saída, o Tenente-Coronel Pereira, deu-me uma descasca das piores, e ameaçou-me que me instaurava um processo por desobediência ao meu superior hierárquico. Mas na opinião, do Comandante-Geral da GNR, Exmo. Sr. Tenente-General Mourato Nunes, que condecorou a minha atitude de louvor e me promoveu a Capitão, a minha atitude foi a mais certa.

Agora, com a patente de Major, comando o Destacamento Territorial de Torres Vedras, e tenho como meu assistente, o Capitão Costa. Sou visto, como um homem militar oficial, graças à minha garra, coragem e revolta. Revolta essa que vinha perdendo enquanto subia a minha patente.

Hoje, com 38 anos, Major da Guarda Nacional Republicana, a comandar o Destacamento Territorial de Torres Vedras, casado e sem filhos por opção, devido à minha profissão, residente em Arruda dos Vinhos, sigo a minha carreira enquanto puder.

Requisitado para comandar a Brigada de Trânsito, no Carregado, onde estive há nove anos, como 2° Sargento. Comandei a BT, pelos seguintes sete anos. Numa operação STOP, num dia de muito Sol, em Arruda, um condutor alcoolizado, não obedeceu ao sinal de paragem por parte do Cabo Fonseca, e eu encandeado pelo sol, não reparei na viatura que se dirigia na minha direcção. Não tive reacção, pois só me deparei com a viatura, quando esta me atropelou.

Agora que adoeci vou deixar a minha mulher viúva. Quanto a minha carreira, pelo menos concretizei o sonho de ser uma autoridade, lutei pelos meus direitos e além de ser inspector da PJ, Soldado, Cabo-Chefe, 2°Sargento, Sargento-Mor, Tenente, Major, ser membro dos COE e dos CI e de comandar o 1 1°Contingente no Iraque, por onde passei, deixei grandes amizades. Ao Capitão Costa, actualmente a comandar o Destacamento de Torres, devo-lhe a vida. Um muito Obrigado.

 

Bianca dos Reis Lobato -7ºD

O Outono entardecia a cidade ... a penumbra daquela tarde iluminava os passeios calcetados, nas esplanadas as pessoas conversavam sobre diversos assuntos, outras passavam na rua a correr rodeadas de sacos de compras, grandes carros invadiam as estradas e o fumo pairava no ar danoso e poluente. Toda esta agitação contrastava com a calma e a beleza de um lugar aparentemente esquecido, mas que se encontrava ali perto. Era um pequena vila mas semelhante a uma aldeia. Há muito, muito tempo fora habitada por muita gente mas agora só as pequenas e velhas casas predominavam na paisagem habitual.

Porém, no cimo de um monte surge de súbito num olhar atento um enorme casario. Era um edifício eminente e de uma beleza incalculável. Tinha um pórtico de madeira escura como breu, e muitas janelas que harmonizavam a casa. Árvores guarneciam-na, agora desfolhadas, pela época outonal. De todas as suas divisões interiores dotavam-se os quartos que eram muitos e onde existiam muitas janelas... cada quarto contactava com o Mundo exterior através do simples abrir de uma das suas janelas.

Nesse casario habitava uma senhora de bem, fina, delicada e de gostos requintados. Vivia com o marido, um senhor astuto, decidido, ardiloso e de uma vasta cultura. Ambos gostavam de ópera, arte e literatura da época. Tinham dois filhos: o ilustre Miguel e a doce Catarina. Os dois irmãos mantinham uma óptima relação quase nunca discutiam, mas eram diferentes em tudo: na maneira de pensar e discutir assuntos, nos seus ideais e filosofias de vida, na relação que tinham com os estudos ... em quase todos os assuntos falados naquela casa pensavam de maneiras diferentes. Porém havia uma coisa em que eram totalmente iguais: Ambos consideravam a educação da época, uma educação sem liberdade, rígida, austera. Como qualquer criança, eles adoravam a Natureza, os pássaros, as árvores, as flores, tudo os fascinava...

Catarina, só saía de casa para ir à escola, quando não tinha labores para fazer, passava grande parte dos seus dias fechada no quarto, à janela a pintar.

No caminho para casa, Catarina observava tudo com muita atenção. As paisagens, as casas, os caminhos de areia que se arrastavam sinuosos pela mata, as crianças a brincar, os velhinhos a tratarem dos seus jardins… tudo ficava na mente de Catarina até que chegava a casa, atravessava o jardim de orquídeas, o canteiro de narcisos, entrava no salão, subia as escadas caracol a correr e finalmente chegava ao seu cantinho, sentava-se numa cadeira almofadada e logo os seus pincéis começavam a trabalhar arduamente, delineando tudo o que a doce menina tinha observado. Catarina apesar de tudo vivia feliz com os seus quadros, sonhava ser uma grande pintora, viajar pelo Mundo, voar mais alto sem que lhe prendessem as asas e viver livre e muito, muito feliz...

Miguel também frequentava a escola, uma escola para rapazes, futuros políticos ou militares de sucesso. Mas Miguel não queria ser político muito menos militar. Gostava de arte, escultura, pintura mas não possuía aptidão para pintar, nem para esculpir. Gostava apenas de observar, criticar e possuir algumas peças de arte. Adorava os quadros da irmã e sempre a apoiou e incentivou a seguir uma carreira de pintora, tal como o resto da família, que não a deixavam sair mas até gostavam de a ver pintar. Embora Miguel não possuísse vocação para ser pintor, político ou militar, existia uma área em que era muito bom, mas muito bom, mesmo... a dança. Um rapaz dançarino não era muito bem visto perante a sociedade austera da época. Existiam os trovadores que cantavam poesia e divertiam a aristocracia, mas dançar isso era para os jograis, que eram vistos com vagabundos, pobres, incultos e metediços. Miguel não pensava dessa maneira, considerava a dança uma forma de liberdade, de expressar os nossos sentimentos e preocupações, uma arte diferente da pintura ou escultura mas também ela uma arte digna, de ser praticada por todos sem censura nem exprobração.

Helena tinha catorze anos vivia na cidade e conheceu Miguel quando pela primeira vez, o rapaz saiu para ir ao mercado com a aia Susana, uma das doze aias que se encontravam na casa, acompanhadas de mais quatro jardineiros e oito criadas.

Miguel conheceu então a sua primeira amiga e contou-lhe o que pensava acerca da dança, uma feliz coincidência que veio mudar a vida de Miguel. Helena também dançava às escondidas e prometeu dançar com ele e dar-lhe algumas aulas se ele precisasse. Miguel adorou a ideia e para ele a sua vida começou a tomar um rumo, a fazer algum sentido. Pediu aos pais para ter umas explicações de matemática para não baixar a excelente nota que tinha. Os pais concordaram e ficaram muito satisfeitos pelo empenho que Miguel estava a demonstrar.

Mas Catarina achou muito estranho, pois embora o irmão não gostasse muito da escola, e só querer dançar, era um excelente aluno a Matemática e não necessitava de explicações. Depois do jantar e da troca de olhares misteriosos entre irmãos, Catarina chamou Miguel ao seu quarto e então ele explicou-lhe tudo o que tinha acontecido na ida ao mercado. Catarina apoiou-o sempre e então Miguel começou a ter aulas de dança. Miguel tornou-se num grande dançarino e Helena também. Tinham aulas de dança, supostas explicações de Matemática, na casa de Helena, que entretanto fora morar para uma pequena casa em frente ao grande casario onde Miguel morava.

Catarina observava tudo da janela do seu quarto que se encontrava em frente a uma janela da casa de Helena e começou a pintá-los. De vez em quando Catarina acenava-lhes com as suas graciosas mãos e eles respondiam com passos de dança elegantes, e subtis.

Miguel e Helena cresceram e prosperaram ... contaram a verdade às suas famílias e contra a sua vontade foram para a Argentina, onde fizeram muito sucesso com os seus novos estilos de dança, desconhecidos mas muito aprazíveis para os argentinos.

Catarina, continuou a viver no casario... rodeada de aias e criadas continuou a pintar. Em cada janela da casa Catarina pintou um quadro diferente, um mais bonito do que o outro.

Na janela do seu quarto, pintou o nascer do sol, o percurso do sol iluminando os campos, os jardins de flores, as casas, os caminhos de areia... a luz resplandecente saciava o quadro de amarelo e laranja

Na janela do salão, pintou o pôr-do-sol, o laranja, a penumbra cobriam a vila, o frio chegava, a noite aproximava-se...

Na janela da cozinha, pintou a Primavera. As rosas a desabrochar, os narcisos a florir, as árvores cobertas de folhas verdes e atestadas de ninhos de pardais, que ousavam quebrar o silêncio da vila, com os seus cantos harmoniosos. O sol brilhava no céu azul, leves perfumes invadiam o ar, as crianças jogavam ao pião, ou andavam de baloiço, saltavam, sorriam, felizes.

Na janela da biblioteca, pintou o Verão, as árvores começavam a dar os seus primeiros frutos, várias pessoas apanhavam maçãs, pêras e pêros, outras sentavam-se nos bancos de jardim, conversavam e jogavam xadrez ou cartas.

Na janela da sala do piano pintou o Outono, as folhas secas caíam das árvores, os dias eram cada vez mais pequenos, fazia vento e o sol quase não aparecia, escondido pelas nuvens, negras, acinzentadas, escuras.

Na janela do quarto de Miguel, pintou as estrelas e a lua... a este quadro sucederam muitos outros quadros que foram completando a vasta colecção de Catarina.

Catarina decidiu, então, partilhar os seus quadros com todas as pessoas que os quisessem ver. Com a ajuda das aias e criadas suas amigas, companheiras decorou as paredes do casario com todos os seus quadros e convidou todas as pessoas da vila e da cidade próxima para os contemplar. O casario encheu-se de gente, muitos pintores famosos quiseram ver as obras de Catarina e incentivaram-na a prolongar a apresentação dos seus quadros durante todo ano, dar-lhe um título para que este acontecimento ficasse marcado no pensamento de todos. Catarina aceitou a proposta, intitulou a sua vasta colecção de quadros de « Janelas Abertas » e tornou-se assim na pintora mais conhecida da época... graças às janelas que continuam abertas na esperança que por ali passem outros, novos talentos...

 

Publicado por ML às 00:14
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Terça-feira, 25 de Abril de 2006

Ana Raquel Santos -6°l

           Era uma vez uma menina que se chamava Mariana. Um dia, quando a Mariana acordou, como já era habitual, foi abrir a janela do seu quarto.

Através dessa janela a Mariana via coisas lindas, ela sentava-se ali horas a olhar para aquela paisagem, os animais a pastar, as casas baixinhas cada uma com a sua beleza própria, o rio a bater nas pedrinhas, os vales e os montes. Mas o que a Mariana mais gostava era de ver o seu cão e a sua cadela a brincarem um com o outro, eles eram os seus melhores amigos.

Um dia, Mariana recebeu uma notícia que nem queria acreditar, os seus pais decidiram ir morar para a cidade. Mariana disse que não ia mas os seus pais não fizeram caso do que ela lhes tinha dito.

Nessa noite, Mariana pensou que se fugisse para uma pensão que havia ali perto os seus pais não iriam a procurar lá, porque eles não gostavam dessa pensão. Ela fez a mala e lá dentro levou cobertores para o frio, algum dinheiro e alguma roupa para o dia-a-dia.

Para ninguém se aperceber que ela tinha fugido ela trancou a porta do quarto e pôs almofadas na cama para pensarem que ela estava a dormir.

Quando estava pronta escreveu uma carta aos pais que dizia:

“Queridos pais:

Eu não queria fugir mas não havia outra maneira de ficar no campo e esta foi a única maneira que arranjei, eu adoro-o, por isso nunca vou sair de lá. Espero que não me procurem. Sei que vai ser difícil para ambas as partes mas vocês não me compreendem.

Adoro-vos beijos da vossa filha Mariana.”

Quando saiu de casa ela ficou um pouco confusa, mas pensava que seria fácil de enfrentar os problemas, apesar de não estar muito confiante. Mariana foi para a tal pensão.

Quando os pais descobriram que ela tinha fugido mandaram chamar a polícia, pois não fizeram caso da carta que a filha lhes tinha dado, o que Mariana já desconfiava, mesmo assim não adiantou muito, porque passado uma semana eles foram à pensão souberam que ela ali tinha estado, mas a dona da pensão tinha-a expulsado porque Mariana já não tinha dinheiro.

Na noite em que ela saiu da pensão ela ainda pensou em voltar para casa pelas saudades da sua vista maravilhosa, do seu cão, da sua casa e principalmente da sua família, mas ela não fez isso. Nessa noite teve de dormir na rua e logo por azar estava muito frio. Mariana foi para umas ruas muito escuras, porque eram as ruas mais calmas. Até que a Mariana ouviu a voz de uma velhinha:

- Ei tu, anda cá.

- Eu!? — Perguntou Mariana com uma voz fina e cheia de medo. A era velhinha era baixa e magra, cabelo muito escuro, olhos grandes, nariz arrebitado, com muito mau aspecto.

- Sim tu, vês aqui mais alguém? — Disse a velhinha.

- Não mas porquê que queres que eu vá aí? -disse Mariana ganhando coragem para enfrentar a velhinha.

- Penso que andes à procura de um canto mais abrigado para dormir, porque todas as pessoas que vêm para uma zona escura como esta, vêm para dormir. Acertei ou não? — Perguntou a velhinha.

- Sim, acertou. — Disse Mariana.

A Mariana decidiu fazer o que a senhora lhe tinha dito, apesar de tudo ela estava muito cansada e com muito frio.

- Como e que a senhora se chama? — Perguntou Mariana.

- Eu chamo-me Mansa Filipa, e tu como e que te chamas? — Perguntou a velhinha.

- Eu chamo-me Mariana Costa, e desculpa a agressividade com que eu falei há pouco.

- Respondeu ela.

- Não faz mal eu compreendo, já te devem ter dito para não falares com as pessoas que não conheces. Não é? — Disse a velhinha desculpando a Mariana.

- Sim, tens razão. — Respondeu Mariana.

- Tu tens pai e mãe? — Perguntou a velhinha.

- Sim, tenho. — Respondeu Mariana.

-Onde estão eles? - Perguntou a velhinha com um pouco de curiosidade.

- Eles estão em casa. — Respondeu Mariana.

- Puseram-te fora de casa? — Perguntou a velhinha.

- Não, eu é que fugi. — Respondeu Mariana.

- Porquê que tu fugiste de casa? — Perguntou a velhinha curiosa.

- Porque eles queriam ir. .. é uma longa historia. — Respondeu a Mariana.

- Eu tenho muito tempo, podes começar. — Insistiu a velhinha.

- Está bem, eu conto.

Eu vivia num sítio lindo, no campo, adorava viver ali e os meus pais sabiam disso, mas mesmo assim eles decidiram ir viver para a cidade. Eu disse que não queria ir morar para a cidade e disse que eles não me podiam obrigar, mas eles não me deram ouvidos. Então, eu decidi fugir de casa para não ter de ir para a cidade. Fui para uma pensão até hoje, mas o dinheiro esgotou-se e foi assim que eu aqui vim parar. — Contou Mariana.

-Eu só te faço uma pergunta “Valeu a pena teres fugido de casa?” porque tu afinal não estas longe da tua casa, do teu cão e da tua família? — Perguntou a velhinha.

- Sim, tem razão não valeu a pena. — Respondeu Mariana com uma voz triste.

- Então porquê que não voltas para a tua casa? — Perguntou a velhinha um pouco confusa.

- Porque eles não entendem que se eu for para a cidade vou estar a “fechar a janela” à minha vida. — Explicou Mariana.

- Não, estás enganada, isso é mentira. Tu estás a enganar-te a ti própria e estás a preocupar as pessoas que gostam de ti. Porque estarias a fechar uma janela a uma fase da tua vida mas estarias a abrir uma noiva janela a outra fase da tua vida. — Explicou-lhe a velhinha.

- Tens razão! Não é justo o que eu estou a fazer às pessoas que gostam de mim. Obrigado mas eu acho que vou para casa. Tenho muito para explicar aos meus pais. — Disse Mariana.

- Espera até amanhã, agora já é uma da manhã. — Disse a velhinha.

- Tens razão. Boa noite e até amanhã. — Pensou Mariana.

- Boa noite. — Disse a velhinha.

No dia seguinte, depois de se ter despedido da velhinha, Mariana foi para casa a pé

ela não tinha dinheiro para pagar transportes e não queria pedir à velhinha mendiga, pois ela já tinha ajudado muito e também estava perto de casa.

Quando chegou a casa deu um grande abraço aos seus pais e esclareceu tudo:

- Desculpem, eu sei que não devia ter fugido de casa, mas vocês não me podiam ter consultado antes de terem tomado essa decisão? — Perguntou Mariana.

- Mariana! Tínhamos tantas saudades. — Disseram os pais de Mariana abraçando-a — Estás desculpada. Apesar de teres fugido tens razão, nós devíamos ter pedido a tua opinião.

- Não faz mal eu também não fui nada compreensiva, mas também vocês não perceberam que estavam a fechar uma janela à minha vida e isso fazia-me confusão mas já não faz. — Disse Mariana.

- Já não te faz confusão? — Perguntaram os seus pais.

- Não, porque estive a falar com uma senhora que conheci na rua e ela disse-me que eu estaria a fechar a janela da minha vida, mas eu estaria a abrir novas janelas. E eu acho que ela tinha razão, por isso se eu for para a cidade estaria a começar uma nova etapa da minha vida. — Esclarecendo assim os seus pais.

- Mas filha agora já aceitas ir viver para a cidade? Já não tens medo de ir viver para lá? — Perguntou a sua mãe.

- Sim mãe, eu agora já não me importo de ir viver para a cidade o que importa é eu ficar convosco, mas.., mas eu gostava de ir para uma casa que tivesse um quintal para eu poder levar o meu cão. Pode ser? — Perguntou a Mariana.

- Claro que pode. - Disseram os seus pais sorrindo.

Foram viver para a cidade, mas Mariana respeitou e pensou numa frase que a sua bisavó, que tinha falecido um mês depois do seu regresso lhe tinha dito” Não interessa se vais fechar uma janela na tua vida o que interessa é que vais abrir novas janelas à tua vida”. Mas o melhor de tudo era ela poder levar o seu cão.

Mariana quando chegou à Cidade ficou fascinada com a sua casa. Era uma casa magnifica tinha um jardim enorme para o seu cão brincar, mas também tinha uma grande piscina.

 

Publicado por ML às 23:43
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Bárbara Casteleiro -6ºI

Eu estava a ler um livro chamado «Um Lugar Mágico», quando olhei para a janela e vi uma paisagem completamente diferente: eram só casas e mais casas, supermercados, centros comerciais, mas bem lá ao fundo, vi um parque de merendas e logo atrás uma Floresta. Foi aí que me apercebi do que se passava. Saí de casa a correr, para ter a certeza do que se passava. Quando cheguei à rua, estava tudo igual ao que era antes; o rio, os prédios, os assadores. Mas quando voltei para casa, deparei com televisões e computadores por tudo quanto era sítio. E para minha maior surpresa a minha mãe estava especada em frente das televisões da sala (o que não é hábito).

No dia seguinte, de manhãzinha, fui à Floresta e no caminho passei por um homem gordo e pequeno, que me perguntou:

- Onde vais a esta hora da manhã? Não devias estar em frente a uma televisão, como os teus colegas e amigos?

- Eu vou à Floresta.

- À Floresta?! Os teus pais não te disseram que essa Floresta é muito perigosa? - Voltou ele a perguntar-me.

-Não, ninguém me contou. Mas porquê, é assim tão terrível, essa Floresta?

- Estou a ver que não sabes a história do jardineiro que não voltou de lá.

Um pouco mais assustada, lá fui eu. Quando entrei na Floresta, era tudo tão maravilhoso que quase não há palavras para o descrever: tudo era verde, mas no meio havia um belo lago onde habitavam sapos, rãs, insectos como a libelinha e outros.

Ao longo do caminho, encontrei ratos, esquilos, lebres, caracóis, minhocas, doninhas, melros, rolas, galinhas de água e outros. Mas, encontrei um animal muito especial: a tartaruga. Foi ela que me disse tudo o que vou contar.

A primeira história que ela me contou foi a de um menino que encontrou um gnomo numa caixa, ao lado do caixote do lixo e que o adoptou. Desde então, são grandes amigos, partilhando todos os bons e maus momentos. Muito sorrateiramente ela mostrou-me o pequenino (era um gnomo) escondido sob a sua carapaça. Depois dela me contar a história, eu olhei para o relógio e já eram horas de ir almoçar.

Na rua, ouvi outra vez o boato do jardineiro que tinha desaparecido e também reparei que estava toda a gente cheia de medo.

No dia seguinte à tarde, voltei à floresta e a tartaruga contou — me outra história:

-Eu era nova quando tudo aconteceu. Numa noite quente de Verão, os animais da floresta juntaram — se para ver as estrelas. Entretanto, um meteorito cruzou os céus. Imediatamente, uma nuvem luminosa cobriu todas as árvores e os seus habitantes. A árvore maior, mãe das restantes árvores, ficou como que enfeitiçada com poderes que lhe permitiam defender e proteger os habitantes da Floresta, dos ataques do Homem. No entanto, falava-se de um extraterrestre que vivia nessa cidade e tinha poderes maléficos para destruir a natureza. Alguns dos habitantes da Floresta, diziam que deveria ser um homem pequeno e gordo, mas ninguém tinha a certeza, porque ele vivia disfarçado e poderia ser qualquer um dos habitantes da cidade. Apenas a árvore mágica o poderia identificar com os seus poderes.

Eu achei uma história fora do normal, louvável, até. Quando voltei a olhar para as horas, lembrei — me de que tinha combinado ir a um sítio com uma amiga.

No outro dia à tarde, voltei à Floresta para ouvir mais histórias, pois em cada uma dessas histórias descobria mais um pouco da imensa Floresta. A história, desta vez era sobre o seu passado e foi contada pela árvore mágica:

-Numa tarde quente de Verão, um homem gordo e pequeno com um grupo de homens e de máquinas estavam decididos a acabar com a Floresta e com os animais que cá viviam. Só uma senhora, o seu gato e eu conseguimos travá-los. Com os meus poderes, fiz aparecer uma grande nuvem que fez cair a sua chuva torrencial, precisamente em cima do extraterrestre e das máquinas. Esta chuva mágica fez enferrujar as máquinas. Por sua vez, o gato atacou os homens com as suas garras afiadas, que se puseram em fuga. O extraterrestre que era alérgico à mistura da água com o pelo do gato desatou a espirrar e desfez-se num líquido pegajoso. Foi assim, que nos livrámos, durante uns tempos desta força maléfica e horrível.

-Que história!!!!

No dia seguinte, na aula de História e Geografia de Portugal, o professor falou da altura em que os animais e o ser humano viviam juntos e se respeitavam. Foi aí que eu tive uma ideia: fazer panfletos e espalhá-los pela cidade. Certo dia, fui à Floresta falar com os animais sobre a minha ideia, mas eles não aceitaram pois acharam que só iria trazer problemas.

Então, tentei arranjar outras formas e uma delas foi a de ir à procura da tal senhora, que tinha defendido a floresta. Alguns dias depois, encontrei a senhora, ela morava numa rua estreita e não tinha televisão nem computador. Fiquei muito surpreendida ao ver quem conseguiu deter o homem mau. Fui logo direito ao assunto. Ela estava de acordo comigo. Tínhamos de arranjar forma de sensibilizar as pessoas e de fazer com que, o que tinha acontecido já há algum tempo não se repetisse. Foi então que ela se lembrou que podíamos fazer anúncios na televisão e na rádio. Como tinha acontecido anteriormente, os animais da Floresta rejeitaram a ideia. Tivemos de pensar noutras formas de os ajudar.

Então, nós começamos a espalhar o boato de que, o tal senhor gordo e pequeno, era um homem mau e pretendia acabar com todos. Assim, conseguimos que todos se virassem contra o homem e deixassem de o apoiar na destruição da floresta, que era o único espaço verde que existia naquela cidade.

Ele foi para outra cidade onde não conseguiu a fama que tinha tido na nossa cidade. A senhora que tinha ajudado a Floresta foi nomeada presidente da câmara e criou mais espaços verdes.

Depois disto tudo eu fechei o livro e tudo voltou ao normal. E a partir daí percebi que os livros são uma janela aberta para a imaginação.

E como gostava de partilhar isso com vocês decidi fazer esta composição.

Quem quiser descobrir mais, leia-a e abra a “janela” da sua imaginação para que muitas histórias possam nascer, pois isso, não é muito difícil, basta gostar de ler e um pouco de imaginação para que as ideias possam surgir, e um texto ou composição surjam também.

Publicado por ML às 23:31
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Joana Oliveira - 6ºI

           Era uma vez uma menina muito sonhadora que se chamava Graciete e que tinha três anos de idade.

Graciete era muito simpática, o que fazia com que todas as pessoas da aldeia gostassem dela. Passava as manhãs a brincar com a sua prima mais velha que tinha cinco anos e que se chamava Rita.

Quando chegou a hora do almoço, Graciete despediu-se da sua prima e foi almoçar com a sua mãe e com o seu irmão.

Após o almoço, Graciete e o seu irmão brincavam e corriam entre os montes do terreno da sua casa. Passavam montes de horas a brincar, todos os dias era assim, até ao entardecer e o sol desaparecer no infinito.

Quando o seu pai chegou, Graciete foi logo a correr para os seus braços pois sabia que todos os dias ele lhe trazia um presente depois de chegar do trabalho.

Graciete estava ansiosa, pois queria o que era, para no outro dia de manhã poder brincar com sua prima.

Quando seu pai lhe deu o presente, Graciete abriu-o logo, e de dentro daquele embrulho, muito bem enfeitado, saiu um lindo livro.

Graciete ficou fascinada com tantas cores vivas e letras bonitas que tinha aquele livro. Ela tinha muitos livros ,mas aquele era especial pois levá-la-ia a sonhar.

Logo após o jantar ,Graciete pediu a sua mãe para a ir pôr na cama e lhe ler aquele livro fascinante. Sua mãe concordou, mas disse-lhe que primeiro ela tinha que ir lavar os dentes, e quando estivesse pronta que a chamasse. Foi mesmo isso que Graciete fez. Lavou os dentes depressa e muito bem.

Quando se ia deitar viu uma estrela lá no céu, tão linda e calma que abriu a sua janela, e com um olhar fixo olhou para a estrela mais bonita que já tinha visto. Mas de repente, ouviu sua mãe chegar ao seu quarto e foi-se logo deitar, até se esqueceu de fechar a janela!

- Então, não me chamaste? Mas afinal já estás deitada? Perguntou a mãe.

- Desculpa, é que eu pensei que tu vinhas aqui ter! Respondeu a Graciete.

- Mas mãe, eu queria que me lesses o livro! Pode ser?

            - Claro que pode! Disse a mãe.

Então a mãe leu o livro até Graciete adormecer.

Quando ela adormeceu começou a sonhar com o Pai Natal e com os presentes que a história do livro lhe falou! De todos os presentes com que sonhou o mais bonito foi o carrinho de bonecas.

Depois de ter este sonho fascinante, Graciete sonhou que da janela viria uma luz muito forte que até fazia doer os olhos, e que dessa luz aparecia o Pai Natal montado no seu trenó de renas, muito bem enfeitado, e decorado como na época Natalícia. Mas seria impossível, não é que Graciete não acreditasse no Pai Natal, mas sim porque era Verão.

No outro dia, Graciete não parava de pensar no que sonhou e no quanto gostava de poder conhecer o Pai Natal e o seu país onde está sempre muito frio e uma época bastante Natalícia.

Nesse mesmo dia, à noite, Graciete sentou-se ao pé da janela, e de repente, qualquer a puxou, uma coisa muito forte que a levou para cima de um monte de neve, mas para muito longe da sua casa.

Graciete não sabia onde estava, como é que tinha saído da janela do seu quarto e começou a pensar para si própria, se a janela que ela tinha deixado aberta, teria ouvido o seu pedido, ou, ainda pior, se era mágica!

Nesse mesmo instante, ouviu um som que lhe era muito familiar e que vinha duma casa coberta de neve. Esse som era o tal Hohohohohoho! Hohohohohohohoho! que o Pai Natal fazia.

Sem receio, Graciete entrou na casa e viu um homem muito velho e que estava vestido de Pai Natal!

Esse homem disse-lhe:

-Não tenhas medo! Eu sou o Pai Natal e não te faço mal, só te trouxe até cá porque tu és uma menina muito bem comportada e como te vi tão sozinha ao pé daquela janela, queria mostrar-te como se fazem os presentes!

- Mas aquela janela é mágica? E eu sempre que quiser posso vir cá, ou pedir-lhe algum desejo? Perguntou Graciete.

- Realmente aquela janela não é uma janela qualquer, é uma janela muito sortuda por te ter como dona e por tu sonhares ao pé dela, mas também é certo que é mágica.

Quanto a tu vires aqui quando quiseres, sim é verdade, mas quanto aos desejos não sei se ela os vai realizar todos! disse o Pai Natal.

E assim Graciete conheceu o Pai Natal!

O Pai Natal era muito simpático e levou Graciete a passear por todos os cantos do seu país.

Graciete viu muita neve, mas também viu as renas do Pai Natal.

Por todos os sítios por onde passava, toda a gente lhe acenava e o Pai Natal ia distribuindo presentes por todos os meninos. Graciete espantada por ver tanta felicidade perguntou ao Pai Natal:

-Claro que é! Na tua terra é que é muito diferente por isso é que a janela que estava aberta me convocou para eu te animar porque por mais feliz que tu estejas eu posso-te pôr mais contente.

O Pai Natal deu-lhe o tal carrinho de bonecas que ela gostava e lá foi toda contente para casa.

Quando chegou foi logo para o quentinho da sua cama e agradeceu muito à janela por ter ido contar ao Pai Natal o seu pedido.

No outro dia de manhã, Graciete foi brincar com a sua prima, com o carrinho de bonecas e contou-lhe tudo o que tinha acontecido, mas a sua prima não acreditava.

Então Graciete foi pedir novamente à janela para dizer ao Pai Natal para a vir buscar porque ela queria mostrar tudo de maravilhoso que jamais teria visto, a não ser na terra do Pai Natal.

Quando o Pai Natal chegou, a sua prima nem queria acreditar, estava maravilhada pois tudo o que viu foi lindo!

Graciete, todas as noites, se sentava ao pé da janela e ouvia as mais lindas histórias de amor contadas pela janela!

Tornaram-se inseparáveis, eram muito amigas e contavam tudo uma à outra!

Cada noite uma história diferente, mas quando já não havia mais histórias começaram as duas a sonhar! Sonhavam coisas tão lindas, até impossíveis de acreditar.

Todas as noites a mãe da Graciete via aquela janela aberta e dizia-lhe para a fechar e Graciete dizia-lhe:

-Não a feches. Se não, eu não consigo sonhar com ela e acredita que nós sonhamos coisas tão lindas!

Graciete ia crescendo e tinha que ir para a escola!

Primeiro, começou a comprar o material, e depois vinha o primeiro dia de aulas!

A janela deu-lhe muita sorte e disse-lhe que iria fazer muitos amigos. Graciete ficou toda contente por ter o apoio da sua amiga, tão importante!

Quando chegou à escola havia muitos meninos e meninas mas em especial havia um que estava triste. Então, Graciete aproximou-se dele:

-Olá!

-Eu sou a Graciete e tu, Como te chamas?

-Eu chamo-me Carlota.

-Queres ser minha amiga?

-Claro que sim, adoraria.

-Mas porque é que tu estás triste?

-Eu estou triste porque não tenho amigos e por isso só sonho com coisas más!

-Mas eu posso-te ajudar. Eu tenho uma amiga mágica que nos pode levar a conhecer muitos sítios. Depois da escola queres ir lá! Perguntou a Graciete.

-Sim eu ficava muito contente se fosse. Respondeu a Carlota.

-Obrigado.

Foi mesmo assim, depois das aulas, Graciete e Carlota foram falar com a janela. Graciete pediu à janela que as levasse a um sítio muito giro, para a Carlota poder sonhar com muita alegria.

A janela desta vez levou-as ao mundo das guloseimas, onde havia de tudo. Desde rebuçados, gomas, chupa-chupas e chocolates. Havia tanta coisa que e Carlota e Graciete nem conseguiam escolher.

A viagem foi muito divertida e conseguiram resolver o problema de Carlota.

Carlota e Graciete passaram a ser muito amigas, e agora em vez de Graciete ouvir sozinha as histórias de romance que a janela lhe contava passou a ouvi-las acompanhada pela Carlota.

Os anos foram passando, mas Graciete, a Janela e Carlota nunca mais se separaram.

 

Publicado por ML às 23:27
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Ana Bonito - 6ºI

Ao longo da nossa vida, vão-se abrindo porias e janelas. Portas de magia, janelas de curiosidade. Por detrás dessas portas e janelas por vezes descobrimos mundos maravilhosos, histórias cheias de encantamento, boas e más, de bruxas e de fadas.

O meu nome é Matilde, tenho treze anos. Quando crescer gostaria de ser escritora. Tenho por hábito, escrever no meu diário aquilo que de mais importante me acontece, e hoje vou contar-vos a maior aventura da minha vida. Estamos no dia três de Agosto, já é Verão. Está um dia de muito calor, o termómetro marca trinta e dois graus. Estou muito ansiosa para que o dia de amanhã chegue. É que vou acampar para a Serra do Caldeirão no Algarve.

Espero, nesta colónia de férias, conhecer muitas pessoas da minha idade, fazer muitos amigos, mas acima de tudo, divertir-me. Acho que esta noite vou ter mesmo muita dificuldade em adormecer...

Finalmente, após uma noite de sono muito agitada, chegou o tão ansiado dia! Olho para o céu, está maravilhoso, pintado de azul celeste. O sol brilha, os passarinhos cantam alegremente. Está um óptimo dia para fazer campismo!

Salto da cama, visto-me rapidamente, lavo a cara, e vou logo tomar o pequeno-

-almoço. Tenho de me despachar. Vem um autocarro buscar-me às dez horas em ponto e eu não quero chegar atrasada.

Natureza, aí vou eu!

Quando entrei no autocarro tive uma sensação de insegurança. Para dizer a verdade, excursões nunca me atraíram muito. Principalmente, quando, para se chegar ao destino, se tem de ir de autocarro. Não consigo deixar de pensar que pode acontecer algo trágico, como um acidente, ou um pneu furado que dê origem a um incêndio. Nestes aspectos sou muito medrosa.

Costumo ter muitos pressentimentos e quase sempre negativos.

Daqui de Lisboa ao Algarve, ainda são três horas de caminho. Vou tentar acalmar-me e dormir um pouco, embalada pelos solavancos do velho autocarro.

Acordei com uma travagem mais brusca, provocada por um animal que cruzava a estrada. Já devemos estar quase a chegar, porque já consigo observar as extensas planícies do Alentejo.

A estrada é sinuosa, cheia de curvas e contracurvas muito apertadas. Estamos já no Algarve. Começámos a subir a Serra, ao longe já se consegue ver o mar. Finalmente chegámos. O Parque de Campismo é lindo. Tem muita vegetação, um arvoredo cerrado muito verde e imensas flores de todas as cores, e como se não bastasse tanta beleza, no centro do parque há ainda um lago natural de água cor de esmeralda. Não sei porquê, mas assim que vi aquele lago senti que ele escondia algum mistério, talvez um segredo bem guardado durante séculos, à espera de ser desvendado...

Um monitor simpático veio receber-me e apresentar-me aos outros colegas de colónia. Éramos ao todo vinte, doze raparigas e oito rapazes. Fomos distribuídos pelas tendas em grupos de quatro elementos do mesmo sexo. As minhas companheiras pareceram-me fixes.

Na manhã seguinte, acordei inquieta, algo me perturbava. Estava triste, cabisbaixa e com pouca vontade de rir, o que na minha pessoa não é uma atitude que se considere propriamente normal. Levantei-me, e sem dizer nada a ninguém dirigi-me para a beira do lago. Estava muito calor. Nem hesitei, fui rapidamente vestir o fato de banho e mergulhei... O lago era muito profundo e quase me afoguei. Foi por milagre que isso não aconteceu.

Senti uma força sobrenatural a elevar o meu corpo até à superfície, e foi então que me deparei com o mais belo ser que já tinha visto em toda a minha vida. Tinha cabelos longos e loiros, brilhantes como o sol, corpo azulado da cor do oceano, e um rosto simplesmente perfeito. Os nossos olhares cruzaram-se. Fiquei como que hipnotizada, pronta para fazer tudo o que me ordenasse.

A brisa batia-me suavemente na face e a água estava muito fria, Fechei os olhos, abri os braços, deixei — me levar... De repente vejo duas passagens, como se de duas janelas se tratasse. Do outro lado, estava uma bonita paisagem, com campos verdejantes, onde nem uma erva bulia. Seres magníficos voavam pelo céu. Pareciam fadas. Pequeninos como uma gota de água formavam uma nuvem brilhante, fui puxada para dentro dela.

Do meu lado esquerdo vi uma tabuleta que dizia: “Bem-vindo ao reino de Merluza, um mundo de utopia”.

De repente, vejo uma borboleta gigante que vinha na minha direcção. Parecia que estava em puro estado de choque. Dizia para eu saltar para as suas asas, percebi que precisava da minha ajuda. Fiz o que me disse. As suas asas eram macias como veludo. Olhei para trás, o ser magnífico que me trouxera até ali, tinha desaparecido.

Enquanto voávamos explicou-me porque precisava de mim. Segundo percebi, o rei estava muito doente, e existia naquele reino um homem chamado Edgar que ambicionava ser um dia, rei de Merluza. Ele estava a planear realizar a profecia. Esta dizia que quem conseguisse reunir todos os seres mágicos do reino e encontrasse o livro encantado, tornar-se-ia o novo rei.

Eu não fazia ideia para onde ela me estava a levar, e não hesitei em perguntar:

- Para onde vamos?

-Para a minha casa

- Onde fica?

-No centro da aldeia das árvores da sabedoria. Já estamos a chegar. Estás a ver aquela cabana que tem uma enorme janela?

- Sim.

-É aí que eu moro.

Quando aterrámos, o meu corpo estremeceu todo, e senti um pouco de medo. Já com os pés bem assentes na terra, perguntei à borboleta, o seu nome:

- Como te chamas?

- Eu sou a Luz, e tu és a Matilde!

-Como sabes quem eu sou?

- Só posso dizer-te que estávamos à tua espera, confia em mim... Agora, o motivo porque que te chamei: como já te disse, o Edgar anda a reunir todos os seres mágicos do reino e a tentar encontrar o livro encantado para conseguir realizar a profecia. Se eu e os meus irmãos não fugirmos depressa, mais tarde ou mais cedo vamos todos ser apanhados pelas tropas do Edgar. A única maneira de impedir que a profecia se concretize é encontrarmos o livro encantado antes do Edgar e cortá-lo ao meio com a espada da sabedoria.

- E onde se encontra esse misterioso livro e a tal espada de que falaste?

- O homem mais sábio da aldeia pode ajudar-te. O seu nome é Marlin e é ele o guardião da espada. Podemos ir ter com ele agora. Vou levar-te até lá.

- Está bem.

- Ele mora na torre, ao lado do mercado.

Voei com a Luz até lá. Na porta um letreiro dizia: Aqui vive um feiticeiro, por favor não perturbar...” por baixo, em letras pequeninas, podia ler-se: “fujam a sete pés se não querem ser transformados em velhas gárgulas...” Quando vi o aviso fiquei um pouco perturbada. Surpreendentemente, antes mesmo de eu bater, a porta abriu-se e apareceu um velho de longas barbas, com o cabelo desgrenhado, chapéu pontiagudo, óculos na ponta do nariz, vestido com um

fato azul-escuro onde, estrelinhas minúsculas brilhavam intensamente. Ele disse:

- Tu deves ser a Matilde...

- Sim sou. Mas como sabe isso?

- Não é por acaso que dizem que sou o feiticeiro mais sábio da aldeia, não é verdade? Já estava à tua espera.

- Pois... Então quando é que partimos em viagem?

- Deixa-me só ir buscar a espada. Prepara-te que a viagem é dura e longa!

Andar tanto, durante dias e dias, parecia-me bastante cansativo e doloroso mas o Marlin era muito boa companhia e cada vez que me doíam as pernas, as costas e os pés ele lançava-me sempre um feitiço que acalmava a minha dor.

À medida que íamos atravessando os campos e vales verdejantes, eu ia desfrutando cada vez mais das belas paisagens que nos rodeavam, das noites de céu estrelado, dos dias de sol resplandecente e das histórias mágicas do Marlin. Até que chegou o momento em que o Marlin me disse:

- Já estamos perto de encontrar o Livro...

- Onde está ele?

- Está naquela gruta. Vês? Ali ao fundo da clareira.

- Sim já vi.

- Reza a lenda que está guardado por um poderoso dragão que cospe fogo...

- É uma lenda, correcto? Não significa que seja verdade...

- Pois, ora aí está o nosso problema...

- Bem, não há nada como experimentar.

Fui entrando na gruta, lentamente, cheia de medo. O Marlin ia mesmo à minha frente, mas nem isso me fazia sentir mais segura. Foi então que vi um enorme dragão a dormir. As suas escamas eram como prata. Atrás do dragão, estava uma porta. No sítio da fechadura estava o molde de uma mão esculpida, na própria pedra. Olhei para a minha mão, e compreendi tudo, a minha mão era do tamanho exacto do molde. A minha mão era a chave que abria a porta.

Marlin ergueu a espada e proferiu baixinho várias frases, numa língua que só os verdadeiros sábios conhecem, para que o dragão não acordasse. Fez-me sinal e avancei. Coloquei a minha mão sobre o molde e a porta abriu-se lentamente. Do outro lado, em cima de uma rocha estava o livro. Marlin pegou-lhe, e mesmo ali, cortou-o ao meio com a espada. Saímos dali rapidamente, para iniciarmos a nossa viagem de regresso.

A Luz veio ao nosso encontro, contámos-lhe que tudo estava resolvido, não havia que ter mais medo do malvado Edgar, pois ele nada mais podia fazer. Luz contou-nos também as suas novidades, miraculosamente, o rei tinha recuperado da sua doença, o reino estava em festa, todos estavam felizes.

Como sinal da sua gratidão, Marlin, pôs no meu pescoço, um colar feito de pequenos cristais cor de esmeralda, e disse-me:

- Volta em paz para o teu mundo...

Acordei de repente na minha tenda com o toque que anunciava a alvorada. Completamente exausta e confusa. O que me teria acontecido? Teria sido algo mais do que um sonho?

A prova tive-a quando levei as mãos ao meu pescoço, e senti o colar.

Publicado por ML às 22:59
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Inês Pipa -6ºI

JANELAS ABERTAS

 

Há muito, muito tempo, num país muito distante, vivia uma menina que se chamava Inês e um menino que se chamava Diogo. Eles eram irmãos.

Tudo aconteceu, certo dia em que os dois irmãos foram dormir e se esqueceram de fechar a janela de seu quarto, depois de terem contemplado as estrelas.

Durante a noite entrou um anjo que formulou:

-Que a paz, a amizade e muitas mais coisas boas reinem nesta casa - disse ele.

E bem dito, bem feito. O dito realizou-se.

De manhã, bem cedo, quando os dois irmãos acordaram viram muitos amigos e observaram muita paz e sossego.

-Mas o que será isto? - Perguntaram em coro.

-Tanta gente! Tantos amigos! Que giro!

Depois foram para a escola com os seus novos amigos.

Então tocou a campainha para entrarem para a aula de Língua Portuguesa. Eles lá foram.

Mas depois, a professora pediu-lhes para fazerem uma composição sobre os anjos do céu e esses meninos escreveram o que lhes tinha acontecido.

Sabem que titulo é que eles escolheram?

Escolheram o título de “Janelas Abertas”.

Dali a horas, o dia escolar deles acabou, e depois eles foram para casa brincar com os amigos que tinham feito naquele dia com a ajuda do Anjinho.

Enquanto, depois chegou a hora ao lanche, foram-se conhecendo uns aos outros.

Quando lancharam eles foram brincar com os novos amigos. Eles apresentaram-se e depois divertiram-se a brincar uns com os outros.

Entretanto a mãe e o pai chegaram do emprego e foram ter com os seus filhos.

-Quem são estes meninos? -perguntou-lhes a mãe.

-São nossos amigos - responderam eles.

-Bem, vou fazer as tarefas domésticas - disse a mãe.

-Mãe -chamaram eles - Fica mais um pouco que nós explicamos-te.

-Explicam o quê? - perguntou a mãe.

-O que aconteceu. Porque é que temos tantos amigos aqui.

-Meninos, não precisam de me explicar nada, porque o que eu quero é que vocês tenham amigos, muitos amigos e durante muitos anos - respondeu a mãe.

-Mas se querem mesmo falar, falem à vontade - informou a mãe.

-Então, está bem -responderam os filhos.

-Tudo começou de manhã quando nós acordámos e vimos o nosso quarto cheio de crianças como nós, e pensámos que seriam amigos, e eram. Entretanto fomos para a escola e pelo caminho conversámos e fomo-nos conhecendo um a um. Quando a escola acabou, estes meninos que estás a ver aqui vieram brincar connosco.

-E os vossos pais sabem que vocês estão aqui? - Perguntou a mãe às crianças.

-Sabem, pois, nós dissemos-lhes -responderam eles.

-Então podem continuar a brincar -respondeu a mãe.

 

Então eles brincaram durante horas e horas. Até que chegou a hora do jantar.

-Querem jantar connosco? - Perguntou a mãe.

-Se não se importar! - Responderam eles.

-Se os vossos país souberem e autorizarem, será um prazer - respondeu a mãe.

-Nós vamos já telefonar-lhes - responderam os amigos do Diogo e da Inês.

E eles foram.

Então,  depois eles foram jantar com os amigos.

Entretanto, acabaram de jantar e foram embora, cada um para sua casa. E foram dormir.

De manhã, bem cedo, eles acordaram e foram para a escola aprender. Quando eles lá chegaram encontraram os seus amigos e disseram-lhes que tinham gostado muito da grande história que lhes aconteceu.

-Estivemos a pensar e queríamos que vocês fossem a nossa casa para conversarmos sobre aquela aventura que nos aconteceu -disse o Diogo.

-Estaremos lá , e obrigada pelo convite - disse um dos seus amigos. Um pouco depois, apareceu o André velho amigo do Diogo e da Inês.

-Posso saber porque é que vocês nunca mais brincaram connosco? - Perguntou ele.

-André, nós explicamos!

-É urna longa história, mas muito bonita. Vamos contar-ta.

-Então, começa quando nós ontem fomos para a cama e contemplámos as estreias. Entretanto fomos dormir, e quando de manhã, acordámos vimos tantos amigos e decidimos conhecer-nos uns aos outros. Entendeste agora porque é que andávamos com outros amigos e não com vocês?

-Então desculpem, pensava que vocês já não queriam ser nossos amigos.

-Porquê? - Perguntou o Diogo.

-Porque… Sei lá. Parvoíces minhas. Esquece.

- André, tu sempre foste meu amigo. Eu conheço-te muito bem, somos amigos de infância e eu sabia que tu não irias ficar zangado connosco. Não é? - Perguntou ele.

-Claro que é. Tu és o meu melhor amigo, Diogo. E tu a minha melhor amiga, Inês.

-Ficamos muito agradecidos! -afirmaram os dois irmãos em coro.

-Tu também és o meu melhor amigo - disse o Diogo.

-Muito obrigado -disse o André.

-Bem - disse o André. Adorei conversar convosco, mas agora tenho de me ir embora. TCHAU!

Quando os dois irmãos chegaram a casa, a mãe perguntou-lhes:

-Onde é que estiveram este tempo todo, meninos? - Perguntou a mãe.

-Estivemos a falar com o André, mãe - respondeu a Inês.

-Mãe, nós vamos fazer os trabalhos de casa, está bem? - Perguntou o Diogo. Claro, filho -respondeu a mãe.

Então eles foram fazer os trabalhos de casa de Matemática. No dia seguinte, já toda a gente sabia o que tinha acontecido aqueles meninos.

Então quando eles chegaram, à escola, estavam lá os pais deles, os amigos e muito mais gente.

Eles acharam aquilo muito estranho e perguntaram o que tinha acontecido. Toda a gente respondeu que umas pessoas muito especiais é que tinham preparado tudo aquilo para eles.

-Quem foram essas pessoas? - Perguntou o Diogo.

- Isso agora é surpresa - respondeu a professora de Matemática.

-Por favor, digam. Nós queremos agradecer a quem nos fez esta belíssima festa -respondeu o Diogo.

-Essa grande e magnífica festa é dos vossos amigos -respondeu a directora da escola.

Muito obrigado, queridos amigos, pela magnifica festa -responderam os dois irmãos.

-De nada, foi um prazer mostrar-vos como somos e queremos ser sempre vossos amigos -disse um dos amigos.

Desde ontem que andamos para vos dizer isto, amigos: é uma coisa muito sincera da nossa parte - disse o Diogo.

E o seguinte:

Uma das melhores coisas que nos aconteceu foi vos conhecer e podem crer que nunca nos aconteceu coisa mais marcante de alegria do que isto; adorámos mesmo ter-vos conhecido, foi o máximo.

OBRIGADO POR TUDO MESMO!

Publicado por ML às 22:34
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Duarte Godinho - 6ºG

Janelas Abertas

Numa manhã de Janeiro, acordei ao som de uma terrível trovoada, peguei na almofada e tapei fortemente os ouvidos, na tentativa de conseguir adormecer. Mas eis que tudo começou....

Pelas janelas do quarto, que se encontravam bem fechadas, entrou uma estranha claridade, ou melhor um raio de luz de tal modo forte que me apagou as cores dos meus cortinados e substituiu-as por um extraordinário brilho. De repente, oiço umas vozes, ou melhor uns ruídos que mais pareciam uns assobios descontrolados. Foi então que me apercebi que essas vozes era a trovoada.

Curioso, levantei-me. Cheguei à janela do meu quarto que estava aberta por causa do vento e vi uma coisa que me pareceu ser um O.V.N.I, não tinha a certeza pois estava meio acordado meio a dormir. Mas quando dele saiu outra luz igual à que me pôs os cortinados coloridos a brilhar, aí acordei e percebi que era um O.V.N.I e não um sonho.

Uma terceira luz saiu do O.V.N.I e quando se apagou, no sítio onde tinha sido apontada, estava uma criatura estranha. Tinha um grande olho e um grande pescoço, uma boca muito pequena e um corpo também muito pequeno. Calculei que seria um extraterrestre.

Saí do meu quarto, completamente ansioso, que nem reparei que tinha deixado as janelas do meu quarto abertas. Fui a correr até ao jardim com um único objectivo-falar com aquela criatura. Quando cheguei junto dele, este pediu-me chocolate mas eu ignorei e levei-o para dentro. Chamei os meus pais e eles ficaram ainda piores do que eu! Mudaram três vezes de cor, primeiro ficaram verdes, depois amarelos e finalmente azuis! Depois de terem passado por estas mudanças de cor, esconderam-se atrás do balcão da cozinha, pegaram no telefone e ligaram para a polícia, mas felizmente não tínhamos rede por causa da trovoada.

O extraterrestre chegou-se novamente a mim e renovou a pergunta:

-Cho-co-la-te. —E, de imediato apontou para a parede onde ele através de uma luz desenhava uma deliciosa barra de chocolate. Lembrei-me que tinha uma barra no meu quarto. Fiz-lhe sinal e ele subiu a escada atrás de mim. Quando entrei no quarto, senti-me completamente perdido, pelas janelas entravam milhares de pequenas luzes que me impediam de reconhecer o espaço a que estava tão habituado. Pensei que se desse o chocolate a este ser talvez tudo voltasse à normalidade. Dificilmente encontrava a gaveta da pequena mesa onde habitualmente escondia os chocolates da minha mãe. Finalmente encontrei-a. Custou-me muito dar-lhe aquele Crunch, pois era a minha última barrinha. O extraterrestre a que lhe dei o nome de Window, pegou na barra de chocolate e comeu com muita satisfação. Ao mesmo tempo que aquele ser se deliciava com o meu chocolate, as pequenas e cintilantes luzes rodopiavam à volta da minha cabeça. De repente oiço umas vozes a chamar- me. Lembrei-me que tinha deixado os meus pais em estado de choque. Tentei que o meu recente amigo esperasse por mim ali e convencesse as luzinhas a deixar-me em paz. Foi fácil, ele entendeu-me à primeira.

Fui ter com os meus pais e expliquei-lhes que aquilo era uma brincadeira virtual, o Rui , o meu vizinho da frente, decidiu brincar com um Iaser especial, que em noite de trovoada produz uns efeitos muitos estranhos, criando figuras, como se fossem verdadeiros seres. Os meus pais, talvez envolvidos pelo sono, ou adormecidos pelo grande susto que apanharam, apenas me disseram que não queriam mais brincadeiras do género. Quase nem acreditava, na facilidade com que tinha lhes mentido, ou melhor, escondido a verdade. Voltei ao meu quarto e estava tudo menos brilhante, mas o meu estranho amigo ainda lá se encontrava. Pensei que seria melhor fechar as janelas, pois o vento já tinha diminuído, no entanto a trovoada continuava. Quando me aproximo da janela, oiço:

- STOP. Es-Pe-Ra. Não Fe-Char. Eu Sair.

- Afinal quem és tu?

- Eu sou Window.

- De onde vens?

- Do Pla-ne-ta Snow.

- Não conheço...

- Gostar de ti... O-bri-ga-do pelo cho-co-la-te. Eu dar-te pren-da. Tu gostar de ne-ve?

- Será que percebi? Vais dar-me uma prenda e perguntas-me se eu gosto de neve?!... Estou confuso. Deixa-me tocar-te.

- Ih, Ih, Ih.... Tocar de-do.

Colocou o seu dedo em posição para eu lhe tocar, senti qualquer coisa de mole e quente que me arrepiou todo. Quando lhe toquei pela segunda vez vi que a minha, mão estava transparente. Era uma magia magnífica. De repente disse-me:

- Ir em-bo-ra. Vou dar-te Ne-ve.

- Mas...

Não tive tempo de dizer mais nada. Senti de novo um frio e um vento terrível. Abriram--se as janelas e o meu amigo Window desapareceu. Cheguei junto da janela, mas não consegui ver nada. Estava tudo escuro. Resolvi fechar tudo de novo e deitar-me, se calhar era apenas um sonho. Adormeci e de manhã quando acordei, pela voz aguda da minha mãe, fiquei surpreendido quando ela me disse que não podia ir à escola porque estava tudo coberto de neve. Foi então que percebi que a noite anterior não era um sonho. O Window tinha-me deixado uma maravilhosa prenda — a Neve.

Publicado por ML às 20:52
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Daniel Alexandre Lourenço -5º H

 

Janela Aberta

     Tudo começou quando, numa noite muito escura, recebi a triste notícia de que tinha sido suspenso devido ao meu comportamento durante os últimos dois meses e desobediência às pessoas que só me queriam ver feliz.

     Dia após dia, os meus amigos foram escasseando até ficar totalmente desamparado. Era como se estivesse a ser empurrado de uma falésia abaixo.

     Absoluta das coincidências era que o sentia na pele. Embora algumas pessoas digam que a escola é uma perda de tempo, eu discordo completamente, mas quando temos a hipótese de aprender, estamos sempre a fugir tanto ao nosso trabalho como às nossas responsabilidades. Os dias foram passando e a situação continuava num estado lastimável... Sempre que tentava telefonar aos meus antigos amigos, eles não atendiam (de certeza que andavam a tentar ignorar-me).

     No dia seguinte ao olhar lá para fora, através da janela do meu quarto, apercebi-me de que ali se encontrava não uma janela mas sim um guarda-roupa. Ao espreitar lá para dentro, dei conta de que ali se encontrava um local encantado e cheio de fantasia, que mais parecia um autêntico paraíso. Eu tinha noção de que tudo ali era falso, mas agradava-me a ideia de comprar doces que limpavam os dentes automaticamente e a custo zero.

     Nas duas semanas que se seguiram, escapei-me das minhas tarefas diárias para lá passar todos os dias duas esplendorosas horas, mas quando voltava, o tempo estava no mesmo tédio que há duas horas atrás.

     Então, decidi avisar os meus antigos amigos (talvez até recuperasse a amizade deles). Determinado a telefonar-lhes, peguei no meu telemóvel e tentei...

     Decorridos quinze minutos de tentativas sem êxito, lá consegui:

     - Olá Miguel!! Olha, por acaso não queres vir cá a minha casa ver uma coisa que nem vais acreditar?

     -Tu próprio o disseste, se não vou acreditar, nem sequer me aproximo daí, adeus.

     Bem, posso voltar a tentar... (pensei eu).

     -Olá Susana, queres vir ver uma coisa ... errr... engraçada?

     -Olha, vou já meter tudo em pratos limpos. Quando éramos amigos, tu não te metias nestas confusões mas desde há cerca de dois meses, andas muito aluado. Tenho muito que fazer, por isso, adeus.

     Se nem os meus antigos melhores amigos me apoiavam, estava em muito maus lençóis. Nessa tarde, aprendi uma lição importantíssima que tão cedo não vou esquecer. Lição essa que me diz que devo avaliar muito bem o que digo e como o faço.

     No dia seguinte, reparei que ao meu lado estavam o Miguel e a Susana:

     - Então Daniel, o que é assim tão espantoso?

     - Aquilo....

     - Aquilo o quê?

     - Então, aquele armário, vocês não vêem?

     - Ainda nem te levantaste da cama e já começas a mentir? — resmungou ela, de um modo agressivo.

     - Não é mentira, eu juro!

     E, sem mais nem menos, viraram costas, e fecharam a porta num estrondo imenso - até me começava a habituar sabem?

     Dias depois, nem sequer me conseguia olhar ao espelho. Como me poderia ter acontecido uma coisa daquelas? Eu, um rapaz tão normal como tantos outros. Será que por aquele guarda-roupa ser um objecto mágico (de certeza de que o era), não se mostrava a mais ninguém a não ser àquele que primeiro o descobrira? Tudo indicava que sim. Que consequências traria o tal armário para a nossa Ciência? Seria ele um malefício e tornar-se-ia um vício ou um benefício e conseguiria fortalecer as nossas descobertas até então? - para estas duas últimas perguntas, ninguém possuía a resposta. Mas, como diz o ditado, “depois da tempestade vem a bonança”...

     Comecei a pensar e a mentalizar-me de que alguma coisa espectacular se iria suceder.

     Como se fosse vidente, acertei em cheio. Ao verificar o correio apercebi-me de que se encontrava

lá uma carta dirigida à minha pessoa.

 

     “Excelentíssimo senhor:

     Foi-nos fornecida a informação de que tem capacidade de realizar fantásticos trabalhos sobre Ciência. Por essa razão o convidamos para a anual feira da Ciência Juvenil, que irá ter lugar a 17 de Abril, às16 horas, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

     Gostaríamos realmente que participasse neste concurso.

                                                             ASS: Alfredo Costa.

                                                             Presidente da Comissão da Ciência Juvenil”

 

     - Que bom!! — eu sabia que algo de muito bom iria acontecer. Mas, o que irei levar para o concurso? Bem, penso mais tarde. Agora está na hora da minha regular visita ao guarda-roupa.
     Assim, sem pensar no grande trabalho que iria ter ao fazer aquele projecto, fui correndo apressado para uma visita. Visita essa que duraria duas horas, no meu guarda-roupa.

     Sempre que saía do meu «Paraíso», sentia-me alegre e feliz. Parecia que toda a minha infelicidade desaparecera. Mas, na verdade, ela continuava dentro de mim. O facto de eu, naquela altura, não ter amigos era culpa do guarda-roupa. Sempre que possível, tentava comportar-me e achar-me um rapaz normal, como tantos outros, mas, tal, era completamente impossível.

      Agora eu devia concentrar-me no que levar para o concurso de Ciências Juvenil. Passara-me pela cabeça levar o guarda-roupa comigo (talvez até fosse a melhor ideia) — mas e se ele não se mostrasse às outras pessoas presentes, como já tinha acontecido?

Tinha sido ele o meu melhor amigo desde que eu fora suspenso. E o guarda-roupa não tinha tido culpa nenhuma disso. Talvez se eu ganhasse o concurso, me pudessem aliviar a suspensão.... porque, terem-me convidado já deveria significar alguma coisa.

     Depois dessa tarde, como já só faltava uma semana para o concurso, eu lá voltei a ponderar a hipótese de levar o guarda-roupa como meu projecto. Estava eu a tentar tapá-lo com uns trapos feitos de tecido, para o conseguir levar para o concurso sem que ninguém o tomasse como aquilo que era (um guarda-roupa mágico), quando ele começou a levitar alguns centímetros acima do solo. O objecto dirigia-se ao hall de entrada para sair pela porta central. Pior para mim, a porta estava aberta porque o meu pai fora buscar o correio. Assim, foi impossível não esbarrarem os dois:

     - O que é isto, filho? — interrogou o meu pai, com uma voz muito autoritária.

     - Olá pai!... Então... Isto é o meu projecto para o concurso da Ciência Juvenil. -respondi eu.

     - Sim, mas o que está por debaixo destes trapos de tecido? - voltou a questionar o meu pai.

     - Já disse e volto a repetir: é o meu projecto para o concurso da Ciência Juvenil.

     - Daniel... — retorquiu o meu pai — não estás lá em muito boa posição de andar a brincar com as outras pessoas, como andaste a fazer no período escolar, ou numa parte dele... Não sei se me fiz entender?

     - Sim, pai, fez-se entender — resmunguei eu.

     - Muito bem. Então, se me fiz entender, é melhor que não pises o risco. Ou então terei de adoptar novos métodos de educação, já que estes não estão a resultar na perfeição, e, nem perto disso. Estamos conversados?

     Sim, pai — resmunguei eu novamente.

     Ao ver o meu pai afastar-se, disse de mim para comigo: “Só queria saber se lhe dá prazer estar-me sempre a ralhar. Porque desta vez até nem tinha lá muita razão de queixa.”

     Sempre que tentava pensar no que levar para o concurso, convencia-me de que ainda tinha muito tempo para lhe dedicar o meu esforço mental. Agora era impossível dizê-lo. Faltavam dois dias e ainda não havia decidido o que levar para o tão inesperado concurso. Até ao momento em que ... fez-se luz: “Se o guarda- roupa não se mostra a mais ninguém a não ser à minha pessoa, posso levá-lo para onde quiser. E se no concurso, eu pedir por gestos aos júris e ao público que façam total silêncio, o guarda roupa não há - de perceber. E se as pessoas começarem a insinuar que ninguém absolutamente «normal» conseguiria executar o feito de entrar num guarda-roupa e mostrar um mundo totalmente novo (onde neva muito e as loja vendem doces e gelados que lavam os dentes automaticamente), eu respondo com toda a naturalidade de que tudo não passa de efeitos especiais.

     Sinceramente, para plano de última da hora, aquele fora espectacular.

     O último dia antes do concurso de Ciências Juvenil foi dedicado aos preparativos finais. Por essa razão fui deitar-me completamente estafado.

     Na manhã do dia 17 de Abril (dia do concurso e também do meu aniversário), fiz-me à estrada com os meus pais, com o meu irmão e com o meu «projecto». Pelas 14 horas e 30 minutos, partimos para o local descrito na carta, a fim de nos apresentarmos pelas 15 horas e 45 minutos.
     No Pavilhão do Conhecimento, deparei-me com um imenso público. Fui informar-me e soube que participavam cerca de 250 concorrentes. Éramos chamados por ordem alfabética e eu era o quinquagésimo nono a apresentar o meu projecto. No total havia 3 júris e a avaliação era de O a 10. A competição de conhecimento teve início 5 minutos mais tarde devido a alguns problemas relacionados com o público. Fui vestir-me e tentar decorar o meu discurso mais uma vez e, quando acabei, era a minha oportunidade de apresentar o meu projecto.

- NÚMERO 59— anunciou uma voz ao megafone

     Apresentei o meu projecto da seguinte forma:

     - Boa tarde minhas senhoras e meus senhores. Estou aqui presente para vos apresentar este meu projecto. Trata-se de um guarda-roupa mágico. E ainda vos queria pedir que durante esta demonstração fizessem silêncio... Obrigado. Como estava a dizer, este é um guarda-roupa mágico e, assim, vou-vos demonstrar uma coisa mágica.

     Abri a porta do guarda-roupa e lá se encontrava um mundo onde nevava muito e, mais à frente, inúmeras lojas cheias de doces, totalmente gratuitos, dos quais trouxe cerca de meia dezena. O público

aplaudiu e fiz-lhes uma vénia. Olhei para os júris.

     - DEZ PONTOS — disse um júri.

     - DEZ PONTOS — disse outro júri

     - NOVE PONTOS — retorquiu o último júri, franzido o sobrolho.

      “Boa!!!”- pensei eu. Para se apurar o vencedor tive de esperar mais 3 horas e 45 minutos. Vencedor esse que tinha sido... EU!!!

     Quando cheguei a casa, e como era Sábado, fizemos uma pequena festa que se prolongou até às 23 horas e 30 minutos. Lá estavam a Susana e o Miguel (que tinham voltado a ser os meus melhores amigos).

     Durante a festa, o meu pai recebeu um telefonema a dizer que o seu filho mais novo podia começar a preparar a mochila escolar para Segunda-feira. Ao receber aquela notícia, fiquei muito contente.

     Ao fim do dia, entrei no meu quarto, olhei para o meu guarda-roupa e vi que, no lugar dele, se encontrava a minha antiga janela. Bem, eu não sabia e até hoje ainda não sei, como é que aquele guarda-roupa aparecera e desaparecera. Mas eu adorara, porque ali encontrei uma janela aberta para a fantasia.

Publicado por ML às 19:59
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Ana Ferreira-5ºH

JANELA ABERTA


     É mais um daqueles dias de Primavera ensolarados, em que eu regresso da escola. O céu está azul, o sol brilha, as andorinhas voam por cima dos telhados. Um dia ideal para brincar.

     De manhã tive aulas.

     Hoje na escola, houve reunião de pais e professores e a mãe tomou conhecimento das minhas notas. Soube que eu tive quatro negativas. Este 5° ano está a ser difícil! Não entendo porque temos de saber tanta coisa. Tenho de saber como é que os ingleses falam, saber o que aconteceu há quinhentos anos e resolver problemas de Matemática. Depois vem a Música, depois a Natação, o Ballet, e tudo mais o que tenho que aprender. Gostava que alguém inventasse a escola da brincadeira, tenho certeza que tinha a nota máxima em todas elas.

     Será que a mãe me vai dar o mesmo castigo de sempre?

     Estou a chegar a casa.

     - Ana, és uma menina de dez anos, tens que estudar mais. Não podes pensar só em brincar, deves ter responsabilidade nos teus estudos, vai já a para a janela!

     -Já para a janela! Disse minha mãe, levantando um pouco a voz.

     - Sim, estou a ir! - Respondi eu, um pouco, contrariada.

     Vou tanta vez para esta janela. É a janela do meu quarto. É branca, de alumínio, tem dois vidros grandes e cortinados cor-de-rosa, igual à colcha que está em cima da cama. Para minha sorte, é virada para a avenida principal da Vila, e daqui posso avistar o Mundo. No parapeito tenho duas bonecas que são a minha companhia. Recebi-as de presente este Natal. Foi a vizinha Cecília que mas deu. Foram as únicas bonecas que recebi. Já não me dão brinquedos. Acham que sou demasiado crescida. Talvez tenham razão, mas não consigo deixar de brincar.

     Quando me porto mal, a mãe põe-me de castigo nesta janela, mas a Ritinha e a Zizi não estão de castigo. Assim sabem de tudo, o que se passa nesta rua. De manhã até à noite, observam todas as pessoas que caminham nela, uns vão apressados, devem ir trabalhar; outros mais idosos e sem muito para fazer, vão devagar.., o tempo já não os incomoda. Às vezes há brigas: os homens bebem demais e deixam de se entender.

     Ouvem os segredos, os mexericos que as vizinhas contam umas às outras, isto quando não relatam as histórias inteiras das novelas.

     Mas o que elas vêem de mais importante são todos aqueles meninos que brincam no parque infantil da Vila.

     Coloquei as minhas amigas neste parapeito, para elas verem todas as brincadeiras que ocorrem e depois me contarem.

     -Olha Ritinha! Vem ali o Sr. João, deve ir para a sua sapataria, a loja onde a mãe compra os meus sapatos. E atrás dele vem a avó da minha amiga Patrícia. Onde irá? — Perguntei num tom baixinho para

a minha mãe não ouvir.

     -Hum! Entrou no talho do Sr. Joaquim. Hoje há bifes para o jantar da Patrícia.

     -Continuei. Ela vive com avó. O pai e a mãe estão sempre a viajar. Se eu vivesse com a minha avó,

será que também vinha para a janela?

     -Olha Zizi, diz adeus minha amiga Madalena. — Disse eu, pegando na mão dela.

     -Olá Madalena! Onde vais? — Perguntei com voz de boneca.

     -Oh! Vais para o parque! Eu gostava tanto de ir contigo. Íamo-nos divertir tanto.

     Bem, Tu sabes... tenho de ficar outra vez à janela. — Continuei eu. — Sim.

     Tive quatro negativas. Não consigo ficar quieta com aqueles livros, quando tenho tantas coisas para

brincar. E um desperdício de tempo. Não percebo porque temos de aprender aquilo tudo?

     -Tens razão. Se tivesse estudado, ia agora contigo para o parque. Adeus — Disse eu despedindo-me

dela com umas lagrimazitas marotas no canto dos olhos.

     Não posso ficar triste, tenho a minha janela, e dela posso ver e viver tudo. Vejo os passarinhos que voam de árvore em árvore no parque. A vida deles é livre, sem regras, sem exigências, sem castigos, simplesmente vivem. Quando precisam de comer, procuram-no e comem, quando querem cantar é só abrir o bico e sua voz sai. Sim! Porque a eles ninguém os manda calar. E podem estar o tempo que quiserem sobre as árvores do parque. Como eu gostava de estar a brincar no parque. Mas daqui, da minha janela, só o vejo.

     A Madalena está a andar de baloiço, para a frente e para trás, cada vez mais rápido. Seus cabelos claros voam com o vento. Ela é muito boa aluna, a melhor a matemática. Neste primeiro período teve um

quatro, porque a professora não dá cincos de início, mas neste segundo período acreditamos que o vai ter.

     -Ritinha. Acreditas que a Madalena, nos intervalos das aulas, o melhor tempo que a escola tem, vai para a biblioteca estudar? — Perguntei à espera que a minha imaginação respondesse.

     - Mas, agora, sabes o que ela está a imaginar? Deve-se sentir uma acrobata, voando num baloiço suspenso... Por isso ela sorri. Deve imaginar que voa, que roda, que salta de baloiço em baloiço, sempre a voar. Por isso, ouve os aplausos, dobra os joelhos para a frente e para trás dando balanço novamente.

     -Prossegui com um olhar saudoso de brincadeira.

     -É Zizi! O parque está a transformar-se num circo.

     Não vês, Zizi? O Ruben e o seu irmão mais novo estão andar nos cavalinhos. Para eles são cavalos

selvagens que tem que domar. Um é castanho com uma mancha branca no pescoço e o outro é todo cinzento. Vão conseguir. Os cavalos estão a levantar a pata direita, para agradecer ao grande público. O

cavalo cor-de-rosa está sozinho, ninguém o quer, devido à cor, ninguém brinca com ele ou seja ninguém

o doma. Está sempre á minha espera. É o meu cavalo preferido! Quando o monto, fica tão contente que

galopa mais que os outros, nenhum outro o apanha. — Disse eu, acariciando — lhe o seu cabelo de lã –

ali, no escorrega amarelo está a Cheila. Tem uma roupa nova, uma t-shirt e umas calças azuis, da cor

do mar. O cabelo está apanhado com um elástico, também ele azul.

     Ela é muito bonita, mas tal como eu não gosta de estudar. E a minha companheira de carteira em algumas disciplinas. Ficamos sempre na última fila da sala, assim podemos fazer desenhos, olhar a rua, sem que a professora tome conhecimento. Ela, quando crescer, vai ser cabeleireira, não vai precisar de saber os determinantes, muito menos quem foi o último rei de Portugal, e a comprida história da fada Oriana. Tem que aprender é a usar tesouras, para cortar o cabelo direito, e não como eu vejo alguns com pontas acima e outras abaixo. Pois. É a moda. Hoje é moda cortar o cabelo torto, é moda as crianças ficarem todo o dia na escola, é moda para quem não gosta da moda, ficar de castigo.
     -Zizi, achas que a Cheila se vai atirar da prancha de dez metros para a piscina? Olha! Está-se a preparar. Já está a subir as escadas, chegou ao escorrega, ou seja à prancha. — Continuei, agora segurando-a no meu colo.

     -Vejam,  atirou-se. Está a descer com muita velocidade. Os seus pés batem na areia, isto é na água da piscina. — Disse eu, dirigindo-me às minhas amigas. Será que vai aos Jogos Olímpicos? Será que vai ser escolhida para representar Portugal. Talvez traga a medalha de prata, ou então a de bronze. Se

não conseguir, paciência. Que concorra, Que faça o seu melhor, porque ninguém a vai castigar, ninguém a vai pôr à janela.

     No parque há um castanheiro, a árvore que faz sombra ao” Banco da Terceira Idade”. E esse o nome que lhe atribuíram. Nele sentam-se as pessoas com mais idade, depois de darem as suas caminhadas. Todos os dias o Sr. José Félix e a sua companheira a Sra. Joaquina descansam nele. Não podem andar muito rápido, têm problemas nos joelhos, coisas da velhice. Na semana passada, na mercearia da Esquina, ouvi a Sra. Joaquina dizer que o médico a tinha proibido de comer carne, doces e fritos, alimentos que agravam a sua doença. Mas, então o que vai ela comer? - Pensei eu. Ainda bem que só tenho dez anos, e não preciso de fazer essas dietas. Assim como é que comia os hambúrgueres e as batatas fritas? E o salame como sobremesa?

     - Olhem amigas! O Daniel está a sair dos baloiços, Já fez todos os triplos mortais com a Madalena. Deve ir para casa? Tem de estudar. A escola tem um quadro chamado “Quadro de Honra”, onde são aplicadas as fotografias e o respectivo nome dos melhores alunos. Não se pode ter nenhuma negativa, nem nenhum três. O Daniel entrou com vários cincos e quatros. Tem de estudar muito, por isso vai embora, não pode continuar no parque. Ele vai ser médico como o seu pai e mãe. Tem que aprender a lidar com as pessoas e com as dores delas, tem de saber dar uma palavra de esperança para a cura de cada um. Uma profissão difícil! Eu não sei o que vou ser quando crescer, ainda é cedo para decidir essas coisas, mas podia ser fabricante de bonecas de trapo, loiras como a Zizi e ruivas como a Ritinha, ou então professora da nova disciplina “Disciplina Brincar”. É que com tantas ocupações que se dão às crianças, um dia destes têm que inventar a “Ocupação Brincar”, ajudar a criança a ter imaginação. Se não for estas duas, não sei o que mais ser.

     No recanto do parque, por trás dos escorregas, está o João Oliveira e o Pedro a brincar aos berlindes. É a brincadeira preferida deles. Têm razão para isso. Os berlindes são lindos, de todas as cores. Podemos imaginar cada berlinde como um planeta, e toda a nossa brincadeira, como um grande sistema solar. E eu? A que iria brincar?

Eu? Queria fazer tudo! Ser uma acrobata, sentir-me voar, de baloiço em baloiço, ouvir os aplausos do público e sorrir. Domar cães, tigres e leões ferozes e selvagens, fazendo-os obedecer à minha voz. No meu cavalo cor-de-rosa galopar sem fim, correr prados e montanhas. Do grande escorrega amarelo, atirar-me e mergulhar nas águas límpidas da piscina, tornando-me uma nadadora. Por fim, brincar aos berlindes, saltando de planeta em planeta, até encontrar o “Planeta das Crianças”, e nele brincar a tudo aquilo que a minha imaginação tiver.

     -Ana! Ana, vem jantar, já podes sair do castigo. — Disse a minha mãe.

     -Adeus, Zizi e Ritinha. Acabou-se o castigo, não tenho de ficar mais nesta janela. Vou fechá-Ia.
     -Filha, sabes o quanto é importante estudarmos, faz um esforço. É bonito aprender. Saber ler e interpretar histórias, fazer cálculos que nos ajudam no dia-a-dia. Além daquilo que se aprende, é aquilo que se vive. A escola é a tua primeira vida, ensina-te a relacionar com o mundo e a enfrentares as dificuldades que ele tem. Neste momento, tens uma. A escola rouba-te o tempo do brincar, mas na vida vais descobrir que muitas outras coisas te vão roubar o tempo daquilo que gostas. Mandei-te para a janela, para poderes estar sozinha. E compreenderes que a vida te dá alguns desafios, que os tens que vencer. Esse é um dos objectivos da vida. Agora vai dormir, que amanhã é um novo dia.
     A minha mãe tem razão, tenho que aprender a gostar da escola e de tudo o que ela me ensina. Vou fechar os olhos e dormir, e que amanhã esteja novamente um dia de sol. Um daqueles dias que convida a brincar...

Publicado por ML às 19:28
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Caroline Buchacher -5ºD

Palavras Pintadas


     Havia uma história que se chamava “palavras pintadas” e que começava assim:
     Era uma vez um menino que estava na primeira classe que se chamava Pedro e estava a aprender as primeiras vogais do abecedário que eram: a, e, i, o, u, .Antes de se irem todos embora a professora disse:

     - Não se esqueçam de treinar as vogais.

     - Sim! Disseram todos.

     O Pedro saiu da sala e foi direito ao autocarro. Quando chegou a casa a mãe perguntou:

     - Trouxeste trabalhos de casa?

     - Trouxe! Disse o menino.

     O menino foi direito para o seu quarto, primeiro ele sobe as escadas quando chegamos ao corredor ele é bem escuro, o menino acende a luz e aparecem três portas um ao fundo do corredor que é a casa de banho, outra é o quarto dos pais e finalmente o quarto dele, o menino abre a porta enferrujada do quarto em frente do armário está a cama com um edredão do super homem, ao  pé da janela está a secretária, o menino tira da mala os livros e começa a fazer os T.P.Cs mas o menino fica com uma cara como se a letras estivessem a saltar do livro para fora. Primeiro dizia para ele escrever as palavras iguais como estavam no livro. O menino gostava muito das cores das frases umas eram roxas outras eram amarelas e também vermelhas. O menino dizia que aquilo eram palavras pintadas, mas ninguém acreditava nele, por isso o menino ficava triste. Um dia o menino conheceu uma rapariga que por acaso também gostava muito de escrever e também se interessava pela leitura e pelas palavras. Um dia quando o menino foi à Biblioteca requisitar um livro encontrou a menina que tinha encontrado da outra vez no intervalo, o menino olhou para ela a menina também olhou e sorriu, mas o menino não ligou.

     No dia seguinte no intervalo, o menino sentou — se num dos bancos do parque enquanto estava a comer a sua sandes e o seu sumo de maçã reparou que a menina da Biblioteca estava sentada num dos baloiços a chorar, então o menino largou a sua sandes e o sumo em cima duma das mesas e foi ter com a menina e perguntou — lhe:

     - O que é que se passa, porque é que estás a chorar?

     - Não me apetece falar. Disse a menina com um ar triste.

     - Então, se não me queres dizer o que tens então posso saber como te chamas?

     - Chamo — me Mariana.

     - Eu chamo — me Pedro.

     - Ouvi dizer que tu gostas de ler e aprender as palavras.

     - Sim gosto muito por acaso é o meu passatempo favorito.

     - O meu também.

 

     Então desde esse dia tornaram — se grandes amigos.  

No dia seguinte o menino encontrou a Mariana na Biblioteca como tinham combinado se encontrarem.

     - Olá, Pedro! Disse a Mariana.

     - Olá, Mariana! Disse o Pedro.

     - Então o que queres?

     - Era para saber se tu podias ajudar-me a terminar um trabalho. É que eu precisoo de o entregar amanha, pode ser? Perguntou o Pedro.

     - Está bem pode ser, e como se chama o trabalho?

     - Chama — se Palavras Pintadas.

     - É um nome muito giro. Disse a Mariana.

     - Ainda bem que gosta do nome. Disse o Pedro.

     - Olha antes de começarmos o trabalho posso fazer-te umas perguntas?

     - Está bem, mas depressa se não de pois acaba o intervalo e nós não acabamos o trabalho, respondeu a Mariana.

     - Quantos anos tens tu? Perguntou o Pedro.

     - Tenho 6 anos, e tu?

     - Tenho 6 também.

     - E em que ano estás tu? Perguntou o Pedro.

     - Estou no segundo ano, e tu?

     - Estou no primeiro ano. Respondeu o Pedro.

     - Tens algum irmão? Perguntou a Mariana.

     - Não!

     - Eu tenho um irmão com 3 anos, chama se Rodrigo.

     - Bom já acabaram as perguntas? Perguntou a Mariana.

     - sim.

     - Ainda bem, então vamos começar.

     Enquanto eles faziam o trabalho não deram por uma discussão que houve no recreio. Depois de ter tocado para entrar para as aulas eles já tinham acabado o trabalho. E quando iam para as salas que é se aperceberam que um menino estava a deitar sangue.

     - Oh, não é o André o que é que lhe aconteceu para ficar neste estado? Disse o Pedro.

     - Não sei, parece que andou à bulha com outro miúdo. Respondeu a Mariana.

     - No dia seguinte o André já estava melhor e o Pedro teve uma boa nota no trabalho das Palavras Pintadas. Teve um muito bom que sorte!

     A Mariana passou de ano, mas o Pedro também passou. Então fizeram uma festa de passagem de ano, e foi nesse dia que aconteceu uma coisa muito engraçada mas isso vocês já vão saber.
     - Olá Mariana, já soube que passaste de ano.

     - Sim, não é fantástico, e tu também passaste que o André contou-me.

     - Pois é, o primeiro ano é fácil. Disse o Pedro.

     - Pois mas olha que a segundo ano já é um bocado difícil.

     - Eu sei.

     -Olha vamos fazer troca de presentes aqui na escola, eu tenho um presente para ti.
     - Eu também tenho um para ti, vai ser muito divertido. Disse a Mariana.

     -Olha depois da troca de presentes, eu quero te dizer uma coisa, está bem?

     - Está bem mas porque é que tu não me contas agora?

     - Mas eu quero que seja assim.

     -Está bem, olha eu também tenho uma coisa para te dizer.

     Enquanto eles faziam a troca de presentes, entretanto o Pedro já tinham aberto o seu presente, só que a Mariana ainda não tinha aberto a sua prenda, então eles foram lá para fora e o Pedro disse:

      - Isto é para ti, Mariana.

     - O que é?

     - Já vês, se a abrires.

     Quando a Mariana tirava o papel de embrulho e abria a caixa estava uma linda pulseira com borboletas.

     - É linda! Disse a Mariana. Mas deve ter sido caríssima!

     - Nem por isso.

     - Então o que é que querias me dizer. Disse a Mariana enquanto colocava a pulseira no pulso.

     - Bem... é que... é que eu... eu gosto de ti. Disse o Pedro gaguejando.

     - Bem - é que eu também gosto de ti. Disse a Mariana envergonhada.

     - A sério? Estás mesmo a falar a sério?

     - Sim, estou.

     Depois de terem falado um com o outro, no dia seguinte já estavam nas férias de Verão. E como vêem agora eles são felizes porque admitiram que gostavam um do outro, e com Isto tudo a Mariana, foi viver para o mesmo bairro que O  Pedro, e a Mariana ficou a conhecer outros amigos do Pedro sem ser o André  também conheceu o João, e a Sara.

     - Mariana, também vens viver para aqui?

     - Sim, é que o meu irmão agora como já tem 4 anos ele agora quer um quarto só para ele, e eu também quero privacidade.

     - Ainda bem! Disse o Pedro com ar de espantadíssimo. — É que eu tenho muita gente para te apresentar.

     Primeiro foram à casa do André.

     - Quem é que mora aqui, Pedro?

     -É o André! Disse o Pedro.

     -Mas eu já conheço o André.

     -Está bem mas vamos contar lhe a novidade. Disse o Pedro com um ar muito contente.

     Tocaram à campainha, e abriu o André a porta. O André assim que viu a Mariana ficou de boca aberta e perguntou:

     - O que é que a Mariana está aqui a fazer?

     - Veio para aqui viver, não é fantástico?

     - Que fixe! - Já avisaste a Sara e o João? Perguntou o André.

     - Não mas vamos agora. E assim foi, despediram se do André e foram para casa da Sara.

     Tocaram outra vez à campainha e abriu a Sara.

     - Olá Sara!

     - Quem é essa menina? Perguntou a Sara.

     - E a Mariana e vai começar a viver aqui também.

     - Ela é tua colega ou algo assim?

     - Sim é minha colega e namorada.

     - Sê bem vinda, amigos dos meus amigos também são meus amigos. Bom deixa-me apresentar. Eu sou a Sara tenho 9 anos não ando na mesma escola que tu e o Pedro.

     - Sabes Mariana, ela é a mais velha do nosso bairro.

     - Pois isso eu já vi.

    - Adeus!- Disseram.

     Então foram à ultima casa que era a do João.

     - Olá João vim  apresentar-te uma menina.

     - Quem é?

     - É a Mariana?

     - Olá prazer em conhecer-te! Disse o João ainda mastigando o pão. - Eu sou o João e tenho 7

anos.

     - Prazer em conhecer-te também. Disse a Mariana com um sorriso.

     - Olha temos que ir andando temos que ajudar a mãe da Mariana é que nós prometemos ir  ajudá-la.

      - Então adeus. Disse a Mariana. E foram se embora a correr.

     À noite já estava tudo arrumado na casa da Mariana cada um foi para sua casa e despediram-se

todos. Passando um ano a Sara teve uma ideia e decidiu telefonar ao André, ao Pedro e ao João.

     Em casa do Pedro toca o telefone e ele atende.

     - Estou, é da casa dos Silva.

     - Estou, sou eu Pedro a Sara.

     - O que queres?! Disse o Pedro com um ar de admirado.

     -Olha já passou um ano e hoje faz o dia em que a Mariana veio para cá viver.

     - Estás, a falar a sério, que dia é hoje?

     - 13 de Julho.

     - Oh, não temos que fazer qualquer coisa, mas o quê? Perguntou o Pedro com ar de preocupado.

     - Não te preocupes eu o André e o João já pensámos em tudo.

     - Então qual é a vossa ideia?

     - Estávamos a pensar em fazer uma festa. O que é que achas?

     - É uma boa ideia! Disse o Pedro todo contente. — E quando vamos começar a fazer os preparativos para essa tal festa?

     - A seguir ao pequeno-almoço, a que horas é que queres que eu passe por aí?

     - Pode ser às 11 da manhã. Está bem até logo.

     - Adeus! Disse o Pedro, e desligou o telefone.

     Depois de ter tomado o pequeno-almoço, tocaram à campainha era a Sara, e o Pedro disse:

     - Adeus mãe, venho à hora do almoço.

     -Então onde estás a pensar fazer a festa? Disse o Pedro com um ar pensativo.

     - Que tal na casa da árvore?

     - Boa ideia!

     - O João e o André já estão lá à nossa espera.

     -Possa vocês já têm tudo preparado? Disse o Pedro com um ar de espantado.

     Quando chegaram à casa da árvore estava em cima de uma mesa pequenina um cartaz a dizer    ” Bem vinda mais um ano aqui no nosso bairro” só que não estavam pintadas estavam em branco e Pedro disse:

    Não me digam que vão meter esse cartaz na parede em branco!

     - Ainda não sabemos é que os meus guaches estão vazios o André não tem e a Sara tem os dela todos secos.

     - Vocês não pensam! Quer dizer que foste perguntar à Sara se ela tinha e ao André? Mas não me perguntaste a mim, eu assim já tinha trazido os guaches.

     - Será que ainda dá tempo de tu ires lá busca-los? Perguntou o André preocupado.

     - Sim. Disse a Sara confiante.

     - Que horas são? Perguntou o João.

     - Ainda é cedo. Vai andando.

     Passados 15 minutos o Pedro já tinha chegado exausto e com os guaches na mão e disse:

     - E como estás a pensar em fazer isto? Disse a Sara.

     - É que quando fiz um trabalho e a Mariana ajudou-me e chamava se “As Palavras Pintadas” e ficou muito giro porque eu depois pintei o titulo com várias cores e depois tracejei a preto e parecia que estavam a saltar do papel.

     Então o Pedro encheu um copinho com água limpa e arregaçou as mangas e começou a pintar as letras com muito cuidado para não sair para fora, depois de ter pintado as letras contornou a preto para parecerem que estavam a sair para fora.

     Quando acabou meteu a secar numas das janelas da casa da árvore a secar, passado meia hora a tinta já estava seca e depois meteram na parede em frente da porta para se ver bem.

     - Prontos parece que está tudo pronto a única coisa que falta é o bolo e os doces. Disse o João.

     - Sim mas isso é o dever do André e da Sara. Disse o Pedro.

     - Oh, não estou atrasado para o almoço. Disse a Sara assustada.

     - Que horas são? Perguntou o Pedro.

     - Faltam 15 minutos para a uma.

     Então foram todos acorrer fechando a porta com pressa e cada um foi para sua casa. Depois de terem todos comido foram todos muito apresados para a casa da árvore.

     - Bom, o bolo e os doces já estão aqui. Disse o Pedro entusiasmado.

     - Agora só falta ir buscar a Mariana a casa que vais ser tu Pedro, como ela é a tua namorada. Disse a Sara.

     Pois e o que é que vamos dizer a ela para ela vir até aqui sem suspeitar de nada? Disse o André preocupado.

     - Não se preocupem. Disse o Pedro. — Eu tenho um plano.

     E foi-se embora. Quando chegou a casa da Mariana tocou à campainha e abriu a Mariana.

     - Olá, Pedro o que estás aqui a fazer?

     - Bom é que eu queria-te mostrar uma coisa na casa da árvore.

     - Está vamos lá mas não me posso demorar muito é que tenho que ajudar a minha mãe a arrumar a casa.

     - Não te preocupes nós só vamos ficar um bocado na casa da árvore. Disse o Pedro com pressa.  Então foram a correr para não chegarem muito tarde à festa quando lá chegaram cansados e a suar, os que estavam à espera gritaram:

     - Surpresa!

     A Mariana ficou um bocado baralhada porque não sabia porque é que estavam a fazer lhe aquela festa então ela disse.

     - Mas eu não faço anos hoje!

     - Já te esquecestes que já faz um ano que moras neste bairro? Disse o André zangado.

     - Foi então que a Mariana se apercebeu do cartaz que estava colado na parede a dizer” Bem vinda mais um ano aqui no nosso bairro” e ficou um bocado envergonhada e disse:

     - Obrigado a todos por esta linda festa.

     - Mas tu ainda não começaste a festa e já nos estás a agradecer. Disse a Sara surpreendida.

     - Bom vamos começar a festa.

     E a assim foi, jogaram ao jogo da apanhada das escondidas e depois foram todos lanchar. Havia muitas guloseimas e bolos. Havia um bolo de chocolate, arroz doce, bolo de amêndoa, rebuçados, chocolates, frutos, gelatina, mouse de chocolate e para terminar o bolo especial com velas e dizia no

bolo “espero que gostes de passar este ano como gostaste do outro”.

     No fim da tarde tudo estava cansado e estafado então despediram se todos e foram para casa, mas nem todos houve dois que ainda quiseram namorar mais um pouco e tiveram em cima da árvore onde estava a casa e viram o pôr do sol e a Mariana disse:

     - Obrigada por esta festa inesquecível.

     - Não tens de quê? Disse o Pedro.

     - Espero que para o ano aja outra festa tão bonita como esta. Disse a Mariana.

     - Olha tenho uma prenda para ti.

     - Oh, não era preciso incomodares-te.

     - Não faz mal eu gosto de dar presentes.

     Então a menina começou a desembrulhar o papel às cores, estava dentro da caixa um fio a condizer com a pulseira, que também tinha borboletas desenhadas. A Mariana ficou toda contente com o fio e disse:- Obrigada.

     - De nada, espero que tenhas gostado.

     - É claro, se não não tinha gostado da pulseira que me deste na troca de presentes.

     Então depois de terem passado mais um bocado juntos, foram para casa de mãos dadas e disseram:

     - Então ate amanhã Mariana.

     - Até manhã disse o Pedro.

     Então antes de acabar os nossos amigos ainda se divertiram muito foram ao Oceanário e o aconteceu uma coisa muito gira ao nosso amigo João. No espectáculo dos golfinho um deles saltou

e o João levou um banho. Também foram ao Jardim Zoológico e divertiram-se muito também. A Sara

quando foi comprar um gelado deixou o cair no chão e é claro que abou por não comer gelado nenhum. Fizeram uma grande aventura porque no meio disto tudo repetiram-se muitas vezes “As Palavras Pintadas” e também foram-se conhecendo mais coisas entre os nossos amigos e agora vamos acabar esta história que espero que tenham gostado.

 

Publicado por ML às 18:59
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Eduardo Félix - 5ºC

JANELA ABERTA


     Era uma vez uma janela muito bonita, não é que fosse mais bonita que as outras, mas era bonita. Esta janela do convento tinha uma ombreira castanha, trabalhada num estilo muito, muito antigo. O vitral era tão colorido que o tornava ainda mais fantástico que a ombreira. Aquela janela do tal convento chamava-se Marta. A janela via um lindo espaço coberto de zonas verdes, que se misturavam com as muitas colinas à sua frente e lá mesmo no cimo, avistava-se uma grande casa: a escola do quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, décimo primeiro e décimo segundo anos. Marta, a janela, gostava muito do sítio onde estava, do que via e do que ouvia.
     Ela era alegre e feliz porque, todos os dias, observava os meninos que vinham da escola com as suas mochilas pesadas às costas e as suas caras preocupadas, enquanto pensavam numa maneira de mostrar os recados que, por vezes, traziam na caderneta. Não eram todos, alguns deles até eram bem “comportadinhos”. A Marta ficava mesmo muito triste quando algum dos meninos a insultava, porque era uma janela muito especial. A janela costumava estar sempre aberta, nem de noite a fechavam, mas ela não se importava, porque assim os seus olhos podiam ver, com menos dificuldade, os carros e os adolescentes que vinham da discoteca, muitos deles embriagados.
     Um dia, um menino estava a fazer grafites na sua ombreira quando a Marta disse com a sua voz fininha:

     - Porque estás tu a fazer essas coisas na minha linda ombreira castanha e trabalhada num estilo muito antigo?

     -O quê?! — Disse o menino com uma cara muito pálida. - Tu falas?

     -Claro que falo, não estás a ver que sim!? Tal como tudo na vida, nós as janelas falamos. E tu, não falas?

     -Sim, eu falo mas as minhas janelas não. Só uma pergunta...

     -Então qual é a tua pergunta? Pareces-me muito interessado.

     -Eu só queria saber se as minhas janelas também falam como tu.

     - Não sei. Tu é que tens que ver, vai ao quarto e tenta falar com elas para ver se te respondem e amanhã dizes-me.

    -Está combinado. Até amanhã! - disse o rapaz muito feliz por ter conhecido uma nova amiga.
     Quando o menino já ia a meio da rua, a Marta lembrou-se que nem sabia o nome do menino, então chamou:

     - Ó menino!!!

     O rapaz muito assustado olhou para trás, porque não estava mais ninguém na rua àquela hora, mas se estivesse a Marta não podia gritar assim, pois ninguém acreditaria que ela pudesse falar.
     O rapaz voltou-se e a Marta perguntou-lhe:

     - Nem sei qual é o teu nome, como te chamas?

     -Chamo-me Rui e tu como te chamas?

     - Eu sou a Marta - disse a janela com a sua voz melodiosa como a de um rouxinol.

     - Então, até amanhã! - disse o rapaz muito curioso para saber se as janelas dele falavam.

     No outro dia de manhãzinha, antes do galo cantar, toda a cidade estava a dormir excepto a Marta e o Rui, ansiosos por se voltarem a encontrar.

     Finalmente chegou a hora da janela e o rapaz se verem. Quando as aulas acabaram, o Rui foi ter logo com a janela e disse:

     - Mentiste, disseste-me que as minhas janelas falavam e elas não falam.

     - Rui, queres mesmo saber porque é que elas não falam contigo?

     - Gostava!

     - Antigamente as janelas e as pessoas davam-se todas bem, mas um terrível dia, houve uma janela que se zangou com o seu parceiro de quarto e desde então ninguém acredita que nós falamos.
     O menino ouviu muito atento a história e perguntou intrigado:

     -Que pena! Mas porque estás aberta, todos os dias? Não tens frio? Eu que sou tão friorento, faz-me confusão...

     -A ti, faz-te confusão porque não estás habituado. Imagina que te fechavam o dia todo e que não podias ver nem ouvir nada, ou então imagina que te estão constantemente a sujar e a embaciar. Tu gostavas?

     - Não gostaria, isso é verdade.

     - Rui, vou contar-te um segredo. Mas promete-me que não vais contar a ninguém.

     - Eu prometo, mas conta lá o teu segredo.

     - Vamos fazer um negócio...

     - Qual é esse negócio?

     - Espera que eu já te digo.

     Passados cinco minutos a janela afirmou:

     -Também tens que me contar um segredo teu, está bem?

     - Amiga janela não sei nenhum segredo que te possa contar, mas adorava saber o teu.

     - Eu conto-te mas tens que prometer que quando te lembrares de algum me vens a correr dizer, está bem amigo?

     - Sendo assim negócio fechado!

     - Há dois dias, sem querer, ouvi uma conversa entre duas freiras que diziam que o convento ia ser vendido pois não tinham dinheiro... Basicamente foi isto que eu ouvi.

     - Sendo assim, amiga Marta poderá acontecer uma coisa terrível.

     - Mas o que de tão terrível poderá acontecer?

 

     - Amiga janela se venderem este convento, tu passas a pertencer a outras pessoas.

     - Mas o que tem isso de mal? Pode ser que as novas pessoas sejam muito simpáticas e que tratem bem de mim.

     - Pode ser, mas também pode ser que os teus novos donos te fechem para sempre e que nunca mais possas ouvir nem ver.

     - Que horror! Só estava a pensar no lado bom! Nunca me tinha passado pela cabeça o que tu acabaste de mencionar...

     Nessa noite a janela não pregou olho, esteve sempre a pensar o que lhe iria acontecer no futuro.

     No dia seguinte a Marta ouviu outra conversa. Desta vez, não era só entre freiras também incluíam padres. Eles realmente não tinham nem mais um tostão, precisavam de dinheiro e teriam que vender definitivamente o convento que tinha sido tão especial. Ninguém gostava de se desfazer daquele espaço onde houvera muitas festas e acontecimentos religiosos.
     A janela estava horrorizada e quando viu o Rui, contou-lhe tudo. Fez-lhe milhares de perguntas, às quais ele não lhe poderia responder, pois eram sobre os novos proprietários do convento.
     A notícia depressa se espalhou por toda a aldeia. Não se falava em mais nada e toda a gente queria comprar o belo convento. Imensas pessoas estavam interessadas, mas só uma o poderia comprar.
     Foi então que o Rui teve uma grande ideia: todos os habitantes da aldeia podiam juntar as suas poupanças e comprar o convento. Assim teriam a certeza que o velho edifício pertenceria a toda a gente!
     Desta forma, as freiras continuavam a ter onde morar e os habitantes da aldeia podiam continuar a comer aqueles doces maravilhosos feitos por elas! Doces conventuais!

     Toda a aldeia ficou contente com a solução. No dia da escritura, toda a gente assinava os papéis cheios de lágrimas nos olhos, tal era a felicidade e emoção!

     Nesse dia, houve uma grande festa no pátio do convento. Estavam lá todos, menos o Rui que comemorou com a sua amiga janela.

Publicado por ML às 16:58
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Cláudia Teixeira - 5ºA

Janelas Abertas ou os Quatro Dragões


  Naquela época o tempo era jovem, não havia rios nem lagos, apenas o grande mar do Oriente.

  Os dragões sulcavam os ares, os mais corajosos eram o grande dragão, o dragão amarelo, o dragão negro e o dragão cor de pérola. Mas, num triste dia um pedido foi ouvido lá no alto:

  Poderosos antepassados ajudem-nos!
  Levado pelo fumo dos incensos o dragão amarela que adorava a terra desceu para ver melhor.
  -Coitados! A grande seca está a destruir as colheitas.
  - As reservas de alimentos estão quase esgotadas. Em breve, será o fim.
  -O sofrimento deles é muito grande.
  -Vamos implorar ajuda ao poderoso Imperador de Jade.
  E assim, o grande dragão e os seus companheiros voaram em direcção ao palácio celestial, morada do imperador. A recepção não foi muito cordial.
  -Porque vêm incomodar-me?
  -As pessoas estão a sofrer muito, majestade. Se não lhes enviares chuva, será o fim deles.
  -Vou pensar no assunto. Agora, saiam e tratem de ocupar o vosso tempo com coisas mais importantes. Assim falou o imperador.
  Dez dias passaram desde a promessa do imperador. Dez dias sem água. As mulheres não tinham nada para dar aos filhos. Uns comiam a casca das árvores, outros, as raízes. Então, os dragões decidiram ajudar o povo. Foi o grande dragão que teve a melhor ideia.
 - O mar! Aí está a água de que precisamos. Com ela, poderemos ajudar toda a gente ,só temos de a colher e dispersar no céu, transformar-se-á em chuva e cairá sobre os campos.
  E assim fizeram os quatro dragões. O povo desesperado, mal podia acreditar no que via:
  - Chuva! Está A CHOVER!
  - Mas a imperador de Jade não gostou do prodígio e ficou furioso.
  - Tragam aqui os dragões imediatamente.
  Os dragões foram acorrentados e levados ao palácio do imperador, que lhes preparara um castigo terrível.
  - Desafiaram o meu poder e, por isso, serão castigados. Eis a ordem: Para o REI DOS CUMES
  - Mas só fizemos o nosso dever!
  -Prende esses quatro dragões em quatro montanhas, de modo a que nunca mais possam libertar-se!
  O imperador não se deixou enternecer pelas palavras dos dragões e a sua ordem foi cumprida.
  - A vossa vontade foi atendida, majestade!
  - É o que acontece a quem provoca a minha ira. Agora, não poderão voltar a praticar o BEM!

  Mas a ninfa Mariana, senhora da coragem, não gostou nada daquilo.
  -A sua crueldade é tão grande como a sua arrogância!
  As palavras da ninfa foram muito severas.
  - E a sua beleza continua a ser inigualável!
  - A sua vingança será o seu castigo. Olhai bem para aquelas montanhas. Porque não voltarás a vê-las assim!
  - Que ides fazer? Nada mudará a minha sentença!
  A ninfa não podia anular a injusta condenação do Imperador mas quis que o sacrifício dos dragões fosse recordado para sempre. O poder da ninfa atravessou as montanhas e espalhou a sua magia. E ela absorveu a essência de dragão. Assim, a ninfa Mariana, para sempre ligada aos dragões, voou, livre sobre o mundo e os quatro dragões transformaram-se em quatro rios: o rio negro, o rio amarelo, o grande rio e o rio pérola da ninfa restou apenas um colar de cristal azul.

Quinta-feira, 20 de Abril de 2006

Beatriz Carvalho Natário - 6ºG

 

 

Saí de casa, como de costume com o meu pai em direcção à escola. Como era habitual, o rádio vinha ligado na 48FM, a rádio cá do sítio, não é grande coisa mas é a que temos. A música dos DZRT começou a tocar. Bem foi o máximo; vinha eu nesta onda quando, sem quê nem para quê, a emissão parou e um tipo qualquer disse: ”Atenção! Aviso de última hora. O Externato João Alberto Faria fechou as portas por tempo indeterminado, foi detectado no seu interior uma praga de letras e números descontrolados.” Bem, dei um salto de alegria, não podia acreditar no que os meus ouvidos ouviam!

 Foi aí que começou a maior aventura da minha vida. Comecei a pensar que sem escola as janelas do meu futuro estariam fechadas, mas por outro lado, como heroína da história, não podia desiludir os meus fãs.

 Então, peguei no meu telemóvel e telefonei, às minhas amigas que estavam num alvoroço. Pedi ao meu pai que continuasse a conduzir e me fosse pôr à escola.

 Mas com esta confusão toda nem sequer apresentei as minhas amigas: a Ana Bernas, a Inês Dentadas e a Ana Coelhofa. Quando cheguei à escola, as minhas expectativas confirmaram-se. Estava tudo em pânico. As minhas colegas disseram-me que ia haver aulas extra, com o professor Deodato Pardal, ou pior.

Assim, pus mãos ao trabalho. Tínhamos que salvar a escola custasse o que custasse. Fomos a uma loja da Imaginarium que havia lá perto e comprámos tudo o que nos interessava. Todo o material de maquilhagem, espionagem, fitas, missangas e, logo a seguir, fomos a uma perfumaria. Comprámos cinco dos perfumes mais enjoativos que lá havia. Demos a volta à escola e entrámos por umas janelas abertas, que se encontravam na parte de trás do edifício, e nem sinal das letras e dos números.

Achei melhor falar com as outras, é que eles eram muitos e nós não tínhamos força para vencer todas as letras e números que nos aparecessem à frente.

Concordámos em chamar secretamente o Carlos e o Duarte. Assim que eles chegaram foi só distribuir o material e arranjar um plano. Enquanto estávamos a distribuir o material fomos surpreendidos por duas contas de multiplicar e duas de dividir. Eu, a Inês e o Duarte tirámos os nossos perfumes, mas não serviu de nada, fomos levados.

A Ana Bernas, o Carlos e a Ana Coelhofa ficaram escondidos atrás de alguns livros e nós fomos levados à presença de Sua Majestade, o Rei Dicionário. Ao seu lado estava a sua conselheira, uma pessoa que eu nunca imaginei que seria capaz de trair a turma: a Cláudia.

O Duarte passou-se, desatou a gritar, mas a Cláudia segredou alguma coisa ao ouvido do Rei.

O Rei ordenou que o mandassem para as masmorras. Nesse momento, eu atirei um perfume para o chão e eles com o cheiro desmaiaram. Nós fugimos, mas quando olhei para trás, lá estava ela a rir-se. Apanharam-nos e fomos parar às masmorras.

Nas masmorras vimos alguns alunos e na cela onde ficámos estava a Rainha Calculadora. Ela explicou-nos que o Rei tinha enlouquecido e a tinha mandado prender, mas ela não concordava com a invasão da escola. De repente caiu uma pedra com um bilhete que dizia o seguinte:

Não desistam.

Continuem.

Temos um plano que vai resultar.

Não se preocupem.

Nós tiramo-vos daí.

Têm é de ter paciência!

A Rainha disse que estava disposta a ajudar-nos.

Durante a noite, eu, a Rainha e a Inês passámos por trás dos barracões e o Duarte e os prisioneiros saíram da escola. Só restávamos nós para mandar embora o Rei e dar uma lição à Cláudia. Mas como?

Bem, foi simples raptámos o ponto fraco do Rei, a Cláudia, mas ela não desistiu assim tão facilmente, tinha sido enfeitiçada pelo Rei, que tinha posto um produto misterioso no pêlo do seu cão.

A Cláudia não resiste a dar uma festa a um qualquer quatro patas. Quando nos aproximámos, reparámos que ela tinha vários pêlos nas suas mãos e aí a Ana pegou numa folha de jornal agitou-a à sua frente e ela caiu desmaiada.

Quando recuperou disse que tinha vontade de vomitar. A Inês chegou-lhe uma bacia e qual não foi o nosso espanto quando vimos sair da sua boca letras e números em jactos desordenados.

Eu peguei na bacia e deitei tudo fora pelas janelas abertas das nossas memórias. Então, vimos as letras e os números povoarem a imaginação das crianças do mundo.

Hoje ainda recebo cartas da Rainha Calculadora a contar-me as suas aventuras, em Moçambique.

Eduardo da Cunha - 5º A

Janelas Abertas

Ou

As Aventuras no Bosque Encantado

 

            Era um dia de escola como outro qualquer. Por acaso nesse dia estava Sol, o que já não acontecia há alguns dias.

            A professora de Língua Portuguesa preparava-se para ler um texto sobre encantamentos. Diogo não prestava atenção, como era habitual, pois não acreditava em encantamentos, nem em bruxedos.

            - Diogo, presta atenção! – insistia a professora, ainda convencida que um dia o ia  emendar. Mas Diogo não queria saber e voltava sempre ao mesmo.

            Ele era bom aluno a tudo, menos a Língua Portuguesa, porque achava a professora maçadora, estava sempre a ler livros de encantamentos e isso era para crianças, achava ele. A mãe dizia-lhe sempre que ele chegava a casa:

            - Filho, tens de prestar mais atenção ao português!

            - Está bem – dizia ele. Depois ia dormir.

            Numa bela noite, já Diogo estava quase a dormir, quando aconteceu algo de muito estranho.

            À sua frente apareceu uma luz muito brilhante e uma figura que parecia de mulher. Era uma fada, soube ele depois.

            - Ai, ai, ai… que é isto?! – gritava Diogo assustado.

            - Cala-te! Sou a fada Maria Albertina.

            - A fada Maria Albertina?! – interrogou ele pasmado.

            - Ouvi dizer que tu não acreditas em encantamentos?

            - E não acredito.

            - Então vem comigo.

            A fada agarrou-lhe na mão e, num piscar de olhos, já se encontravam num bosque muito feio e escuro.

            - O que é isto? – perguntou a fada.

            - Deve ser a lixeira de Arruda – brincou Diogo.

            - Não, não pode ser… este bosque costumava ser lindo! – E nesse mesmo instante apareceu um goblin (uma espécie de duende).

            - Olá, amigo goblin, ainda bem que apareceste – disse a fada.

            - Olá, fada Maria Albertina! Há alguns dias que não te via por aqui – respondeu o ser minúsculo.

            - Fui buscar o Diogo… mas o que é que aconteceu aqui no bosque?

            - Enquanto foste buscar o rapaz, apareceu por aqui o Dragão das Neves Pretas e levou os sete rubis que tornavam o bosque encantado.

            - Oh não, temos de tentar encontrá-los! – disse a fada desesperada.

            Decidiram então os três procurar os sete rubis. Diogo já estava quase convencido, mas ainda faltava qualquer coisa para ele acreditar no mundo encantado.

            Passado um bom bocado encontraram a Caverna da Lava, onde deram de caras com a Serpente Mágica. Quando esta os viu, tentou morder-lhes, mas o Diogo, que andava a aprender artes marciais, aplicou-lhe um golpe que ela tombou no chão sem sentidos. Olharam, então, para todos os lados e viram um brilho intenso num buraco. Tinham encontrado o primeiro rubi.

            Depois seguiram por um caminho de lama até chegarem a uma casa toda cheia de buracos. Diogo e a fada Maria Albertina entraram na casa, subiram as escadas também desfeitas e encontraram um baú: era bonito, novo, brilhante… não tinha nada a ver com a casa.

            Diogo tentou abrir o baú, mas não conseguiu. A fada tocou-lhe, então, com a varinha e ele abriu-se. Lá dentro estava muito ouro e, no meio do ouro, dois rubis.

            - Ufa, encontrámos mais dois – disse Diogo estafado.

            - Já só nos faltam quatro – disse Maria Albertina com um ar preocupado.

            - Ok, então vamos lá embora.

            Atrás da casa estava um portão doirado. Entraram. Foram dar a um compartimento cheio de aranhas pequenas, muitas aranhas nojentas e pegajosas. Havia também uma porta. Abriram-na e foram encontrar uma espécie de loja velha. Entraram e viram um homem, parecia morto, mas estava vivo, pelo menos mexia. Limpava jóias.

            - Bem-vindos! – disse o homem, muito educado.

            - Olá! – saudaram eles atrapalhados com o assunto.

            O homem, depois de ter acabado o seu trabalho, baixou-se atrás do balcão, quando se ergueu parecia um monstro dos mais horríveis e tentou atacar Diogo, que saltou para cima do balcão.

            - Este deve ser um dos servos do Dragão das Neves Pretas – gritou ele muito assustado.

            - Pois, deve ser – respondeu-lhe a fada já preparada para o ataque. Tirou do bolso uma ferradura e mandou-lha à cabeça. O morto-vivo caiu no chão e transformou-se em pó. Junto das jóias encontravam-se mais dois rubis. Já só faltava um.

            Percorreram muitos sítios. Andaram por montes e vales. Voaram de nuvem em nuvem, saltaram de pedra em pedra, até que encontraram um espelho no meio do mato. Olharam para ele e, de repente, foram sugados para o seu interior. Lá dentro era tudo branco, tudo coberto de neve. No cimo do monte, também branco, estava o Dragão das Neves Pretas a dormir. Era grande e forte. A única coisa que o podia derrotar era um pedaço de magia púrpura.

            - Eu tenho aqui um pouco, não sei se chega, é que esta magia é muito difícil de encontrar – referiu a fada Maria Albertina, receando que não chegasse. E deu-a a Diogo.

            Ele, destemido, trepou a montanha. Ao chegar lá acima, subiu pela cauda do dragão até à cabeça. Cuidadosamente, despejou a magia púrpura pelos ouvidos do dragão. Este começou a revirar-se e a transformar-se em fumo. No momento em que já só restava a cabeça, saltou de dentro da sua boca o último rubi

            - Boa, boa… - gritavam Maria Albertina e o goblin felizes.

            - Vamos para o bosque, depressa… - dizia Diogo.

            E lá foram os três. Quando lá chegaram puseram os rubis no coração da floresta que se tornou de novo bela… encantada.

            Diogo não queria ir embora, mas já era quase horas de se levantar para ir para a escola. Quando Maria Albertina viu o seu olhar triste, disse-lhe:

            - Diogo, sempre que quiseres vir ao bosque encantado desenha uma janela no espelho do teu quarto, empurra-la e ela será o caminho para aqui chegares: do teu quarto será a janela aberta para o bosque e do bosque será a janela aberta para o teu quarto.

            Diogo passou a acreditar em encantamentos e nunca mais achou que as aulas da professora de Língua Portuguesa eram aborrecidas. Estava era sempre desejoso de poder ouvir mais uma história.

Publicado por ML às 18:19
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Imagem criada a partir de uma pintura de Kandinsky.

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