Terça-feira, 25 de Abril de 2006

Duarte Godinho - 6ºG

Janelas Abertas

Numa manhã de Janeiro, acordei ao som de uma terrível trovoada, peguei na almofada e tapei fortemente os ouvidos, na tentativa de conseguir adormecer. Mas eis que tudo começou....

Pelas janelas do quarto, que se encontravam bem fechadas, entrou uma estranha claridade, ou melhor um raio de luz de tal modo forte que me apagou as cores dos meus cortinados e substituiu-as por um extraordinário brilho. De repente, oiço umas vozes, ou melhor uns ruídos que mais pareciam uns assobios descontrolados. Foi então que me apercebi que essas vozes era a trovoada.

Curioso, levantei-me. Cheguei à janela do meu quarto que estava aberta por causa do vento e vi uma coisa que me pareceu ser um O.V.N.I, não tinha a certeza pois estava meio acordado meio a dormir. Mas quando dele saiu outra luz igual à que me pôs os cortinados coloridos a brilhar, aí acordei e percebi que era um O.V.N.I e não um sonho.

Uma terceira luz saiu do O.V.N.I e quando se apagou, no sítio onde tinha sido apontada, estava uma criatura estranha. Tinha um grande olho e um grande pescoço, uma boca muito pequena e um corpo também muito pequeno. Calculei que seria um extraterrestre.

Saí do meu quarto, completamente ansioso, que nem reparei que tinha deixado as janelas do meu quarto abertas. Fui a correr até ao jardim com um único objectivo-falar com aquela criatura. Quando cheguei junto dele, este pediu-me chocolate mas eu ignorei e levei-o para dentro. Chamei os meus pais e eles ficaram ainda piores do que eu! Mudaram três vezes de cor, primeiro ficaram verdes, depois amarelos e finalmente azuis! Depois de terem passado por estas mudanças de cor, esconderam-se atrás do balcão da cozinha, pegaram no telefone e ligaram para a polícia, mas felizmente não tínhamos rede por causa da trovoada.

O extraterrestre chegou-se novamente a mim e renovou a pergunta:

-Cho-co-la-te. —E, de imediato apontou para a parede onde ele através de uma luz desenhava uma deliciosa barra de chocolate. Lembrei-me que tinha uma barra no meu quarto. Fiz-lhe sinal e ele subiu a escada atrás de mim. Quando entrei no quarto, senti-me completamente perdido, pelas janelas entravam milhares de pequenas luzes que me impediam de reconhecer o espaço a que estava tão habituado. Pensei que se desse o chocolate a este ser talvez tudo voltasse à normalidade. Dificilmente encontrava a gaveta da pequena mesa onde habitualmente escondia os chocolates da minha mãe. Finalmente encontrei-a. Custou-me muito dar-lhe aquele Crunch, pois era a minha última barrinha. O extraterrestre a que lhe dei o nome de Window, pegou na barra de chocolate e comeu com muita satisfação. Ao mesmo tempo que aquele ser se deliciava com o meu chocolate, as pequenas e cintilantes luzes rodopiavam à volta da minha cabeça. De repente oiço umas vozes a chamar- me. Lembrei-me que tinha deixado os meus pais em estado de choque. Tentei que o meu recente amigo esperasse por mim ali e convencesse as luzinhas a deixar-me em paz. Foi fácil, ele entendeu-me à primeira.

Fui ter com os meus pais e expliquei-lhes que aquilo era uma brincadeira virtual, o Rui , o meu vizinho da frente, decidiu brincar com um Iaser especial, que em noite de trovoada produz uns efeitos muitos estranhos, criando figuras, como se fossem verdadeiros seres. Os meus pais, talvez envolvidos pelo sono, ou adormecidos pelo grande susto que apanharam, apenas me disseram que não queriam mais brincadeiras do género. Quase nem acreditava, na facilidade com que tinha lhes mentido, ou melhor, escondido a verdade. Voltei ao meu quarto e estava tudo menos brilhante, mas o meu estranho amigo ainda lá se encontrava. Pensei que seria melhor fechar as janelas, pois o vento já tinha diminuído, no entanto a trovoada continuava. Quando me aproximo da janela, oiço:

- STOP. Es-Pe-Ra. Não Fe-Char. Eu Sair.

- Afinal quem és tu?

- Eu sou Window.

- De onde vens?

- Do Pla-ne-ta Snow.

- Não conheço...

- Gostar de ti... O-bri-ga-do pelo cho-co-la-te. Eu dar-te pren-da. Tu gostar de ne-ve?

- Será que percebi? Vais dar-me uma prenda e perguntas-me se eu gosto de neve?!... Estou confuso. Deixa-me tocar-te.

- Ih, Ih, Ih.... Tocar de-do.

Colocou o seu dedo em posição para eu lhe tocar, senti qualquer coisa de mole e quente que me arrepiou todo. Quando lhe toquei pela segunda vez vi que a minha, mão estava transparente. Era uma magia magnífica. De repente disse-me:

- Ir em-bo-ra. Vou dar-te Ne-ve.

- Mas...

Não tive tempo de dizer mais nada. Senti de novo um frio e um vento terrível. Abriram--se as janelas e o meu amigo Window desapareceu. Cheguei junto da janela, mas não consegui ver nada. Estava tudo escuro. Resolvi fechar tudo de novo e deitar-me, se calhar era apenas um sonho. Adormeci e de manhã quando acordei, pela voz aguda da minha mãe, fiquei surpreendido quando ela me disse que não podia ir à escola porque estava tudo coberto de neve. Foi então que percebi que a noite anterior não era um sonho. O Window tinha-me deixado uma maravilhosa prenda — a Neve.

Publicado por ML às 20:52
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Imagem criada a partir de uma pintura de Kandinsky.

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