Terça-feira, 25 de Abril de 2006

Ana Bonito - 6ºI

Ao longo da nossa vida, vão-se abrindo porias e janelas. Portas de magia, janelas de curiosidade. Por detrás dessas portas e janelas por vezes descobrimos mundos maravilhosos, histórias cheias de encantamento, boas e más, de bruxas e de fadas.

O meu nome é Matilde, tenho treze anos. Quando crescer gostaria de ser escritora. Tenho por hábito, escrever no meu diário aquilo que de mais importante me acontece, e hoje vou contar-vos a maior aventura da minha vida. Estamos no dia três de Agosto, já é Verão. Está um dia de muito calor, o termómetro marca trinta e dois graus. Estou muito ansiosa para que o dia de amanhã chegue. É que vou acampar para a Serra do Caldeirão no Algarve.

Espero, nesta colónia de férias, conhecer muitas pessoas da minha idade, fazer muitos amigos, mas acima de tudo, divertir-me. Acho que esta noite vou ter mesmo muita dificuldade em adormecer...

Finalmente, após uma noite de sono muito agitada, chegou o tão ansiado dia! Olho para o céu, está maravilhoso, pintado de azul celeste. O sol brilha, os passarinhos cantam alegremente. Está um óptimo dia para fazer campismo!

Salto da cama, visto-me rapidamente, lavo a cara, e vou logo tomar o pequeno-

-almoço. Tenho de me despachar. Vem um autocarro buscar-me às dez horas em ponto e eu não quero chegar atrasada.

Natureza, aí vou eu!

Quando entrei no autocarro tive uma sensação de insegurança. Para dizer a verdade, excursões nunca me atraíram muito. Principalmente, quando, para se chegar ao destino, se tem de ir de autocarro. Não consigo deixar de pensar que pode acontecer algo trágico, como um acidente, ou um pneu furado que dê origem a um incêndio. Nestes aspectos sou muito medrosa.

Costumo ter muitos pressentimentos e quase sempre negativos.

Daqui de Lisboa ao Algarve, ainda são três horas de caminho. Vou tentar acalmar-me e dormir um pouco, embalada pelos solavancos do velho autocarro.

Acordei com uma travagem mais brusca, provocada por um animal que cruzava a estrada. Já devemos estar quase a chegar, porque já consigo observar as extensas planícies do Alentejo.

A estrada é sinuosa, cheia de curvas e contracurvas muito apertadas. Estamos já no Algarve. Começámos a subir a Serra, ao longe já se consegue ver o mar. Finalmente chegámos. O Parque de Campismo é lindo. Tem muita vegetação, um arvoredo cerrado muito verde e imensas flores de todas as cores, e como se não bastasse tanta beleza, no centro do parque há ainda um lago natural de água cor de esmeralda. Não sei porquê, mas assim que vi aquele lago senti que ele escondia algum mistério, talvez um segredo bem guardado durante séculos, à espera de ser desvendado...

Um monitor simpático veio receber-me e apresentar-me aos outros colegas de colónia. Éramos ao todo vinte, doze raparigas e oito rapazes. Fomos distribuídos pelas tendas em grupos de quatro elementos do mesmo sexo. As minhas companheiras pareceram-me fixes.

Na manhã seguinte, acordei inquieta, algo me perturbava. Estava triste, cabisbaixa e com pouca vontade de rir, o que na minha pessoa não é uma atitude que se considere propriamente normal. Levantei-me, e sem dizer nada a ninguém dirigi-me para a beira do lago. Estava muito calor. Nem hesitei, fui rapidamente vestir o fato de banho e mergulhei... O lago era muito profundo e quase me afoguei. Foi por milagre que isso não aconteceu.

Senti uma força sobrenatural a elevar o meu corpo até à superfície, e foi então que me deparei com o mais belo ser que já tinha visto em toda a minha vida. Tinha cabelos longos e loiros, brilhantes como o sol, corpo azulado da cor do oceano, e um rosto simplesmente perfeito. Os nossos olhares cruzaram-se. Fiquei como que hipnotizada, pronta para fazer tudo o que me ordenasse.

A brisa batia-me suavemente na face e a água estava muito fria, Fechei os olhos, abri os braços, deixei — me levar... De repente vejo duas passagens, como se de duas janelas se tratasse. Do outro lado, estava uma bonita paisagem, com campos verdejantes, onde nem uma erva bulia. Seres magníficos voavam pelo céu. Pareciam fadas. Pequeninos como uma gota de água formavam uma nuvem brilhante, fui puxada para dentro dela.

Do meu lado esquerdo vi uma tabuleta que dizia: “Bem-vindo ao reino de Merluza, um mundo de utopia”.

De repente, vejo uma borboleta gigante que vinha na minha direcção. Parecia que estava em puro estado de choque. Dizia para eu saltar para as suas asas, percebi que precisava da minha ajuda. Fiz o que me disse. As suas asas eram macias como veludo. Olhei para trás, o ser magnífico que me trouxera até ali, tinha desaparecido.

Enquanto voávamos explicou-me porque precisava de mim. Segundo percebi, o rei estava muito doente, e existia naquele reino um homem chamado Edgar que ambicionava ser um dia, rei de Merluza. Ele estava a planear realizar a profecia. Esta dizia que quem conseguisse reunir todos os seres mágicos do reino e encontrasse o livro encantado, tornar-se-ia o novo rei.

Eu não fazia ideia para onde ela me estava a levar, e não hesitei em perguntar:

- Para onde vamos?

-Para a minha casa

- Onde fica?

-No centro da aldeia das árvores da sabedoria. Já estamos a chegar. Estás a ver aquela cabana que tem uma enorme janela?

- Sim.

-É aí que eu moro.

Quando aterrámos, o meu corpo estremeceu todo, e senti um pouco de medo. Já com os pés bem assentes na terra, perguntei à borboleta, o seu nome:

- Como te chamas?

- Eu sou a Luz, e tu és a Matilde!

-Como sabes quem eu sou?

- Só posso dizer-te que estávamos à tua espera, confia em mim... Agora, o motivo porque que te chamei: como já te disse, o Edgar anda a reunir todos os seres mágicos do reino e a tentar encontrar o livro encantado para conseguir realizar a profecia. Se eu e os meus irmãos não fugirmos depressa, mais tarde ou mais cedo vamos todos ser apanhados pelas tropas do Edgar. A única maneira de impedir que a profecia se concretize é encontrarmos o livro encantado antes do Edgar e cortá-lo ao meio com a espada da sabedoria.

- E onde se encontra esse misterioso livro e a tal espada de que falaste?

- O homem mais sábio da aldeia pode ajudar-te. O seu nome é Marlin e é ele o guardião da espada. Podemos ir ter com ele agora. Vou levar-te até lá.

- Está bem.

- Ele mora na torre, ao lado do mercado.

Voei com a Luz até lá. Na porta um letreiro dizia: Aqui vive um feiticeiro, por favor não perturbar...” por baixo, em letras pequeninas, podia ler-se: “fujam a sete pés se não querem ser transformados em velhas gárgulas...” Quando vi o aviso fiquei um pouco perturbada. Surpreendentemente, antes mesmo de eu bater, a porta abriu-se e apareceu um velho de longas barbas, com o cabelo desgrenhado, chapéu pontiagudo, óculos na ponta do nariz, vestido com um

fato azul-escuro onde, estrelinhas minúsculas brilhavam intensamente. Ele disse:

- Tu deves ser a Matilde...

- Sim sou. Mas como sabe isso?

- Não é por acaso que dizem que sou o feiticeiro mais sábio da aldeia, não é verdade? Já estava à tua espera.

- Pois... Então quando é que partimos em viagem?

- Deixa-me só ir buscar a espada. Prepara-te que a viagem é dura e longa!

Andar tanto, durante dias e dias, parecia-me bastante cansativo e doloroso mas o Marlin era muito boa companhia e cada vez que me doíam as pernas, as costas e os pés ele lançava-me sempre um feitiço que acalmava a minha dor.

À medida que íamos atravessando os campos e vales verdejantes, eu ia desfrutando cada vez mais das belas paisagens que nos rodeavam, das noites de céu estrelado, dos dias de sol resplandecente e das histórias mágicas do Marlin. Até que chegou o momento em que o Marlin me disse:

- Já estamos perto de encontrar o Livro...

- Onde está ele?

- Está naquela gruta. Vês? Ali ao fundo da clareira.

- Sim já vi.

- Reza a lenda que está guardado por um poderoso dragão que cospe fogo...

- É uma lenda, correcto? Não significa que seja verdade...

- Pois, ora aí está o nosso problema...

- Bem, não há nada como experimentar.

Fui entrando na gruta, lentamente, cheia de medo. O Marlin ia mesmo à minha frente, mas nem isso me fazia sentir mais segura. Foi então que vi um enorme dragão a dormir. As suas escamas eram como prata. Atrás do dragão, estava uma porta. No sítio da fechadura estava o molde de uma mão esculpida, na própria pedra. Olhei para a minha mão, e compreendi tudo, a minha mão era do tamanho exacto do molde. A minha mão era a chave que abria a porta.

Marlin ergueu a espada e proferiu baixinho várias frases, numa língua que só os verdadeiros sábios conhecem, para que o dragão não acordasse. Fez-me sinal e avancei. Coloquei a minha mão sobre o molde e a porta abriu-se lentamente. Do outro lado, em cima de uma rocha estava o livro. Marlin pegou-lhe, e mesmo ali, cortou-o ao meio com a espada. Saímos dali rapidamente, para iniciarmos a nossa viagem de regresso.

A Luz veio ao nosso encontro, contámos-lhe que tudo estava resolvido, não havia que ter mais medo do malvado Edgar, pois ele nada mais podia fazer. Luz contou-nos também as suas novidades, miraculosamente, o rei tinha recuperado da sua doença, o reino estava em festa, todos estavam felizes.

Como sinal da sua gratidão, Marlin, pôs no meu pescoço, um colar feito de pequenos cristais cor de esmeralda, e disse-me:

- Volta em paz para o teu mundo...

Acordei de repente na minha tenda com o toque que anunciava a alvorada. Completamente exausta e confusa. O que me teria acontecido? Teria sido algo mais do que um sonho?

A prova tive-a quando levei as mãos ao meu pescoço, e senti o colar.

Publicado por ML às 22:59
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Imagem criada a partir de uma pintura de Kandinsky.

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