Terça-feira, 25 de Abril de 2006

Ana Raquel Santos -6°l

           Era uma vez uma menina que se chamava Mariana. Um dia, quando a Mariana acordou, como já era habitual, foi abrir a janela do seu quarto.

Através dessa janela a Mariana via coisas lindas, ela sentava-se ali horas a olhar para aquela paisagem, os animais a pastar, as casas baixinhas cada uma com a sua beleza própria, o rio a bater nas pedrinhas, os vales e os montes. Mas o que a Mariana mais gostava era de ver o seu cão e a sua cadela a brincarem um com o outro, eles eram os seus melhores amigos.

Um dia, Mariana recebeu uma notícia que nem queria acreditar, os seus pais decidiram ir morar para a cidade. Mariana disse que não ia mas os seus pais não fizeram caso do que ela lhes tinha dito.

Nessa noite, Mariana pensou que se fugisse para uma pensão que havia ali perto os seus pais não iriam a procurar lá, porque eles não gostavam dessa pensão. Ela fez a mala e lá dentro levou cobertores para o frio, algum dinheiro e alguma roupa para o dia-a-dia.

Para ninguém se aperceber que ela tinha fugido ela trancou a porta do quarto e pôs almofadas na cama para pensarem que ela estava a dormir.

Quando estava pronta escreveu uma carta aos pais que dizia:

“Queridos pais:

Eu não queria fugir mas não havia outra maneira de ficar no campo e esta foi a única maneira que arranjei, eu adoro-o, por isso nunca vou sair de lá. Espero que não me procurem. Sei que vai ser difícil para ambas as partes mas vocês não me compreendem.

Adoro-vos beijos da vossa filha Mariana.”

Quando saiu de casa ela ficou um pouco confusa, mas pensava que seria fácil de enfrentar os problemas, apesar de não estar muito confiante. Mariana foi para a tal pensão.

Quando os pais descobriram que ela tinha fugido mandaram chamar a polícia, pois não fizeram caso da carta que a filha lhes tinha dado, o que Mariana já desconfiava, mesmo assim não adiantou muito, porque passado uma semana eles foram à pensão souberam que ela ali tinha estado, mas a dona da pensão tinha-a expulsado porque Mariana já não tinha dinheiro.

Na noite em que ela saiu da pensão ela ainda pensou em voltar para casa pelas saudades da sua vista maravilhosa, do seu cão, da sua casa e principalmente da sua família, mas ela não fez isso. Nessa noite teve de dormir na rua e logo por azar estava muito frio. Mariana foi para umas ruas muito escuras, porque eram as ruas mais calmas. Até que a Mariana ouviu a voz de uma velhinha:

- Ei tu, anda cá.

- Eu!? — Perguntou Mariana com uma voz fina e cheia de medo. A era velhinha era baixa e magra, cabelo muito escuro, olhos grandes, nariz arrebitado, com muito mau aspecto.

- Sim tu, vês aqui mais alguém? — Disse a velhinha.

- Não mas porquê que queres que eu vá aí? -disse Mariana ganhando coragem para enfrentar a velhinha.

- Penso que andes à procura de um canto mais abrigado para dormir, porque todas as pessoas que vêm para uma zona escura como esta, vêm para dormir. Acertei ou não? — Perguntou a velhinha.

- Sim, acertou. — Disse Mariana.

A Mariana decidiu fazer o que a senhora lhe tinha dito, apesar de tudo ela estava muito cansada e com muito frio.

- Como e que a senhora se chama? — Perguntou Mariana.

- Eu chamo-me Mansa Filipa, e tu como e que te chamas? — Perguntou a velhinha.

- Eu chamo-me Mariana Costa, e desculpa a agressividade com que eu falei há pouco.

- Respondeu ela.

- Não faz mal eu compreendo, já te devem ter dito para não falares com as pessoas que não conheces. Não é? — Disse a velhinha desculpando a Mariana.

- Sim, tens razão. — Respondeu Mariana.

- Tu tens pai e mãe? — Perguntou a velhinha.

- Sim, tenho. — Respondeu Mariana.

-Onde estão eles? - Perguntou a velhinha com um pouco de curiosidade.

- Eles estão em casa. — Respondeu Mariana.

- Puseram-te fora de casa? — Perguntou a velhinha.

- Não, eu é que fugi. — Respondeu Mariana.

- Porquê que tu fugiste de casa? — Perguntou a velhinha curiosa.

- Porque eles queriam ir. .. é uma longa historia. — Respondeu a Mariana.

- Eu tenho muito tempo, podes começar. — Insistiu a velhinha.

- Está bem, eu conto.

Eu vivia num sítio lindo, no campo, adorava viver ali e os meus pais sabiam disso, mas mesmo assim eles decidiram ir viver para a cidade. Eu disse que não queria ir morar para a cidade e disse que eles não me podiam obrigar, mas eles não me deram ouvidos. Então, eu decidi fugir de casa para não ter de ir para a cidade. Fui para uma pensão até hoje, mas o dinheiro esgotou-se e foi assim que eu aqui vim parar. — Contou Mariana.

-Eu só te faço uma pergunta “Valeu a pena teres fugido de casa?” porque tu afinal não estas longe da tua casa, do teu cão e da tua família? — Perguntou a velhinha.

- Sim, tem razão não valeu a pena. — Respondeu Mariana com uma voz triste.

- Então porquê que não voltas para a tua casa? — Perguntou a velhinha um pouco confusa.

- Porque eles não entendem que se eu for para a cidade vou estar a “fechar a janela” à minha vida. — Explicou Mariana.

- Não, estás enganada, isso é mentira. Tu estás a enganar-te a ti própria e estás a preocupar as pessoas que gostam de ti. Porque estarias a fechar uma janela a uma fase da tua vida mas estarias a abrir uma noiva janela a outra fase da tua vida. — Explicou-lhe a velhinha.

- Tens razão! Não é justo o que eu estou a fazer às pessoas que gostam de mim. Obrigado mas eu acho que vou para casa. Tenho muito para explicar aos meus pais. — Disse Mariana.

- Espera até amanhã, agora já é uma da manhã. — Disse a velhinha.

- Tens razão. Boa noite e até amanhã. — Pensou Mariana.

- Boa noite. — Disse a velhinha.

No dia seguinte, depois de se ter despedido da velhinha, Mariana foi para casa a pé

ela não tinha dinheiro para pagar transportes e não queria pedir à velhinha mendiga, pois ela já tinha ajudado muito e também estava perto de casa.

Quando chegou a casa deu um grande abraço aos seus pais e esclareceu tudo:

- Desculpem, eu sei que não devia ter fugido de casa, mas vocês não me podiam ter consultado antes de terem tomado essa decisão? — Perguntou Mariana.

- Mariana! Tínhamos tantas saudades. — Disseram os pais de Mariana abraçando-a — Estás desculpada. Apesar de teres fugido tens razão, nós devíamos ter pedido a tua opinião.

- Não faz mal eu também não fui nada compreensiva, mas também vocês não perceberam que estavam a fechar uma janela à minha vida e isso fazia-me confusão mas já não faz. — Disse Mariana.

- Já não te faz confusão? — Perguntaram os seus pais.

- Não, porque estive a falar com uma senhora que conheci na rua e ela disse-me que eu estaria a fechar a janela da minha vida, mas eu estaria a abrir novas janelas. E eu acho que ela tinha razão, por isso se eu for para a cidade estaria a começar uma nova etapa da minha vida. — Esclarecendo assim os seus pais.

- Mas filha agora já aceitas ir viver para a cidade? Já não tens medo de ir viver para lá? — Perguntou a sua mãe.

- Sim mãe, eu agora já não me importo de ir viver para a cidade o que importa é eu ficar convosco, mas.., mas eu gostava de ir para uma casa que tivesse um quintal para eu poder levar o meu cão. Pode ser? — Perguntou a Mariana.

- Claro que pode. - Disseram os seus pais sorrindo.

Foram viver para a cidade, mas Mariana respeitou e pensou numa frase que a sua bisavó, que tinha falecido um mês depois do seu regresso lhe tinha dito” Não interessa se vais fechar uma janela na tua vida o que interessa é que vais abrir novas janelas à tua vida”. Mas o melhor de tudo era ela poder levar o seu cão.

Mariana quando chegou à Cidade ficou fascinada com a sua casa. Era uma casa magnifica tinha um jardim enorme para o seu cão brincar, mas também tinha uma grande piscina.

 

Publicado por ML às 23:43
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Imagem criada a partir de uma pintura de Kandinsky.

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