Quarta-feira, 26 de Abril de 2006

Micael Ribeiro -8ºE

Dia quatro de Setembro de 1990, pelas seis horas e vinte oito minutos, nasci. Os meus pais deram-me o nome de Micael Ribeiro. Tenho um irmão Gil, o meu pai Armando Ribeiro, é Soldado de Infantaria da Guarda Nacional Republicana e a minha mãe, Isabel Ribeiro é empregada doméstica.

Aos meus quatro anos de idade, sofri um atropelamento, quando atravessei a estrada, atrás do meu irmão. Como era pequeno, ainda não tinha mentalidade para prever os perigos que corria. O motorista de um autocarro, não conseguiu travar a tempo e atropelou-me. Tive sorte, porque apenas sofri um traumatismo craniano. Lembro-me apenas que foi o meu irmão que me tirou da estrada, e me levou ao colo. O meu pai levou-me de carro para o hospital de Torres Vedras e dali fui transferido de ambulância para o hospital de S. José, em Lisboa. Foi um grande susto, mas aprendi, pois até aos nove anos de idade não atravessava aquela estrada sem estarem os meus pais comigo.

Com os anos, surgiram várias peripécias na minha vida, e o sonho de vir a seguir as pisadas do meu pai, crescia cada vez mais. Com dez anos de idade, comecei a estudar no Externato Irene Lisboa em Arruda dos Vinhos, onde resido e dali sou natural. Após três anos, já na nova escola, ainda em Arruda, agora com novo nome, Externato João Alberto Faria, numa segunda-feira apanhei outro susto agora com o meu pai, visto que este, é agora neste momento, Cabo de Infantaria, no Posto Territorial de Sobral de Monte Agraço.

Estava na Padeirinha de Arruda, a almoçar com os meus colegas, quando ouvimos uma viatura da GNR com rotativos e sirenes ligadas a alta velocidade na direcção de Sobral. Após termos visto duas viaturas nestas circunstâncias, eu, a Laura, a Sara e a Tânia (minhas colegas) saímos da Padeirinha e dirigimo-nos para o ringue de S. Lázaro. No entanto, não era ali que a GNR estava e voltamos para trás. Já de regresso a escola, deparamo-nos com uma ambulância escoltada por mais duas viaturas da GNR, em sinalização de urgência. Então seguimos a estrada por onde a GNR ia, mas a meio do caminho, a situação parecia ainda mais grave, pois passaram mais quatro viaturas da GNR a escoltar dois jipes do Cl e COE, Corpo de Intervenção e Corpo de Operações Especiais, da GNR respectivamente. Coisa boa não era. Mas a curiosidade falou mais alto e decidimos ir ver o que era. Entrei no restaurante o Serrote na Arruda, para pedir o número de um táxi. O dono do restaurante conhece-me e perguntou-me se eu sabia quem era o guarda que tinha levado o tiro no Sobral. Fiquei logo com o coração nas mãos, porque o meu pai estava de serviço e poderia ser ele o alvejado. Telefonei-lhe logo, e fiquei mais aliviado quando soube que não era ele e que tinha sido um militar dos NIC, Núcleo de Investigação Criminal de Vila Franca de Xira.

Quando passei a estrada, passou, outra viatura em emergência, agora um Renault Clio branco da Polícia Judiciária.

Não deu para irmos mais longe, pois eram treze horas e vinte minutos e tínhamos de estar nas aulas dali a dez. Quando chegámos à escola soubemos que tinham passado mais viaturas, tanto da GNR como da PJ.

Durante a noite, não dormi descansado, porque o meu pai teve que lá estar durante o tempo que o barricado permaneceu nesta situação. Zaca Malandro, assim é conhecido pelos seus vizinhos e militares da GNR do Sobral, cinquenta e quatro anos, padeiro de profissão e divorciado, disparou sobre o soldado João Ferreira, com uma caçadeira, quando este entrou na casa de Zaca. João e o seu colega ainda puxaram das armas, para deterem Zaca Malandro, mas estas, STAR, encravaram. Quando estas encravaram, o colega de João, pô-lo a salvo e chamou reforços.

No local estavam, elementos do posto territorial de Arruda e do Sobral, do Destacamento de Vila Franca e de Torres Vedras, também do Corpo de Intervenção e do Corpo de Operações Especiais da GNR e inspectores da Polícia Judiciária. Zaca Malandro é conhecido pelas autoridades da sua área por vários delitos e autos, e também por já ter cumprido pena por homicídio de um tio.

De volta da residência de Zaca Malandro, a GNR montou um vasto perímetro de Segurança. O Barricado, vencido pelo cansaço, rendeu-se após vinte e oito horas e depois, de ter disparado sobre João Ferreira, de vinte e seis anos, que perdeu a vista esquerda.

Manuel Cardoso “Zaca”, teve a sua vida por um fio, pois um elemento do COE, teve-o sempre na sua mira, mas o Tenente-Coronel Pereira, um dos responsáveis pela operação deu ordem para não dispararem.

Depois deste episódio, que marcou aquele ano escolar, acabei por concluir, após quatro anos de estudo, o décimo segundo ano de escolaridade. Concorri à Universidade de Direito em Lisboa e fui aceite. Enquanto estudava na Universidade servia, durante os fins-de-semana, almoços e jantares no mais requintado restaurante de Arruda dos Vinhos: o Fuso. Saí da Universidade com vinte e dois anos, e candidatei-me a inspector da Polícia Judiciária.

Com vinte e três anos, tornei-me inspector da Polícia Judiciária na Directoria Nacional em Lisboa. Logo na minha primeira investigação, sofri uma tentativa de atropelamento e de homicídio, mas consegui sair ileso daquela operação no Bairro Alto, graças à intervenção de uma civil e grande amiga minha Catarina. Pensei sair da PJ, mas o meu companheiro, o inspector Hugo Costa, convenceu-me a não sair.

Um ano mais tarde, já no DECC da PJ, estava com o Inspector Costa numa operação em Arruda, quando o vi a ser alvejado por um indivíduo cadastrado. Puxei pela minha arma, uma Erma 6.35mm, e disparei 9 tiros, sobre o individuo, levando-o à morte. Hugo Costa, baleado numa perna, já estaria ao serviço uma semana mais tarde, tempo em que eu estive suspenso da PJ, pelo Ministério Publico, devido ao meu comportamento de revolta, na altura do Costa ser alvejado. Mais uma vez, quis sair da PJ, mas o Hugo novamente convenceu-me do contrário.

Passados já dois anos, o Hugo foi transferido para Faro e nunca mais soube notícias dele. Eu com vinte e três anos, vi o meu cão e o meu parceiro, morrerem carbonizados, na minha viatura, um BMW 320d. Aí, não tinha o Inspector Costa, para me convencer a não sair da PJ, é costume dizer-se que à terceira é de vez.

Não consegui estar muito tempo fora de serviço policial, por isso inscrevi-me na GNR e fui aceite. Aos vinte e sete anos, já estava a estagiar no Posto Territorial de Albufeira, no Batalhão numero três. Quando não é o meu espanto que no dia que entrei ao serviço em Albufeira dou de caras com o Costa, agora Cabo da GNR em Albufeira. Este saiu também da PJ, por ser acusado injustamente de abuso de autoridade, por parte de um indivíduo cadastrado por tudo um pouco, desde furtos a homicídios qualificados.

Fiz várias patrulhas com o cabo Costa, mas foi numa operação que o salvei de uma tentativa de atropelamento. Por causa disso recebi uma medalha de mérito e fui promovido a Cabo-Chefe. Eu e o Hugo, pedimos transferência para o Posto Territorial de Arruda, onde fomos colocados. Aqui reencontrei uma pessoa especial, pela qual no passado era apaixonado. Dois meses depois casámo-nos na Igreja Matriz de Arruda.

O Cabo Costa casou com a sua noiva um mês mais tarde, e convidou-me a mim e à minha mulher para padrinhos, visto que este e a Catarina foram os padrinhos do meu casamento.

Eu e o Costa, subíamos de posto um atrás do outro, umas vezes por mérito outras por estudo.

O Costa, agora l Sargento da GNR, foi destacado para comandar a Brigada de Trânsito da GNR, no Carregado. Eu surgi logo a seguir para 2° Sargento na BT, no Carregado, e fomos os dois promovidos a Sargento-Mor. Na BT, naquele momento em Torres Vedras, eu e o Costa, ambos com trinta anos de Idade, fomos convidados a dirigir o Corpo de Operações Especiais, em Lisboa.

Dois anos mais tarde, éramos os mais especializados nos COE: carregávamos aos ombros as divisas com a patente de Tenente e chegámos a receber o convite para ingressarmos nos URT, Unidade de Resposta Táctica da PJ, mas não aceitámos.

Posteriormente fui destacado para dirigir o 11° contingente no Iraque. Não aguentei lá muito tempo, pois a família falou mais alto que aquela missão, e por isso voltei ao fim de cinco meses e meio. Orgulho-me muito daquela decisão e da de sair dos COE. Logo a seguir tive de ir para o CI da GNR, onde comandei várias operações, uma delas que envolvia o Hugo Costa, Tenente no Destacamento Territorial de Vila Franca de Xira, comandante deste destacamento.

Um grupo de assaltantes sequestrou a mulher e o Tenente Costa num barracão, para o local foram várias equipas dos COE, CI e elementos dos postos envolventes da área de Torres Vedras, Sobral, Arruda, Loures e várias equipas da PJ. Após oitenta e sete horas, os Indivíduos não se renderam, e eu não tive regras a medir, mesmo contra as ordens do Tenente-Coronel Pereira: entrei no barracão e consegui salvar o tenente e a mulher, disparando sobre os indivíduos de uma Shotgun. Fui atingido apenas com um tiro no braço esquerdo.

À saída, o Tenente-Coronel Pereira, deu-me uma descasca das piores, e ameaçou-me que me instaurava um processo por desobediência ao meu superior hierárquico. Mas na opinião, do Comandante-Geral da GNR, Exmo. Sr. Tenente-General Mourato Nunes, que condecorou a minha atitude de louvor e me promoveu a Capitão, a minha atitude foi a mais certa.

Agora, com a patente de Major, comando o Destacamento Territorial de Torres Vedras, e tenho como meu assistente, o Capitão Costa. Sou visto, como um homem militar oficial, graças à minha garra, coragem e revolta. Revolta essa que vinha perdendo enquanto subia a minha patente.

Hoje, com 38 anos, Major da Guarda Nacional Republicana, a comandar o Destacamento Territorial de Torres Vedras, casado e sem filhos por opção, devido à minha profissão, residente em Arruda dos Vinhos, sigo a minha carreira enquanto puder.

Requisitado para comandar a Brigada de Trânsito, no Carregado, onde estive há nove anos, como 2° Sargento. Comandei a BT, pelos seguintes sete anos. Numa operação STOP, num dia de muito Sol, em Arruda, um condutor alcoolizado, não obedeceu ao sinal de paragem por parte do Cabo Fonseca, e eu encandeado pelo sol, não reparei na viatura que se dirigia na minha direcção. Não tive reacção, pois só me deparei com a viatura, quando esta me atropelou.

Agora que adoeci vou deixar a minha mulher viúva. Quanto a minha carreira, pelo menos concretizei o sonho de ser uma autoridade, lutei pelos meus direitos e além de ser inspector da PJ, Soldado, Cabo-Chefe, 2°Sargento, Sargento-Mor, Tenente, Major, ser membro dos COE e dos CI e de comandar o 1 1°Contingente no Iraque, por onde passei, deixei grandes amizades. Ao Capitão Costa, actualmente a comandar o Destacamento de Torres, devo-lhe a vida. Um muito Obrigado.

 

Publicado por ML às 00:15
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4 comentários:
De Anónimo a 17 de Novembro de 2007 às 10:49
tens uma imaginação fértil
!!!!!!!
De Ze maria a 2 de Maio de 2008 às 18:26
Não teras tu idade para fazer algo mais valido???
Talvez, não sei... continuares no Fuso???
COE- Conpanhia de Operações Especiais... Coisa que não es nem jamais seras...
(Tens de aprender a separar o turismo da emigração.)
CI- Não existe na Guarda Nacional Republicana... Na GUARDA as companhias operacionais tem o nome de Batalhão Operacional.
Estas muito bem informado se es quem dizes ser, falas de coisas que não devias falar...
Mais uma vez as fugas de informação e as suas consequencias...
De Anónimo a 9 de Maio de 2008 às 22:51
Isto é um texto de ficção!!! Escrito por um aluno de 14 anos!!! Será que não dá para perceber?? DAhhh
De J a 31 de Maio de 2011 às 21:46
:D:D:D

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