Quinta-feira, 20 de Abril de 2006

Eduardo da Cunha - 5º A

Janelas Abertas

Ou

As Aventuras no Bosque Encantado

 

            Era um dia de escola como outro qualquer. Por acaso nesse dia estava Sol, o que já não acontecia há alguns dias.

            A professora de Língua Portuguesa preparava-se para ler um texto sobre encantamentos. Diogo não prestava atenção, como era habitual, pois não acreditava em encantamentos, nem em bruxedos.

            - Diogo, presta atenção! – insistia a professora, ainda convencida que um dia o ia  emendar. Mas Diogo não queria saber e voltava sempre ao mesmo.

            Ele era bom aluno a tudo, menos a Língua Portuguesa, porque achava a professora maçadora, estava sempre a ler livros de encantamentos e isso era para crianças, achava ele. A mãe dizia-lhe sempre que ele chegava a casa:

            - Filho, tens de prestar mais atenção ao português!

            - Está bem – dizia ele. Depois ia dormir.

            Numa bela noite, já Diogo estava quase a dormir, quando aconteceu algo de muito estranho.

            À sua frente apareceu uma luz muito brilhante e uma figura que parecia de mulher. Era uma fada, soube ele depois.

            - Ai, ai, ai… que é isto?! – gritava Diogo assustado.

            - Cala-te! Sou a fada Maria Albertina.

            - A fada Maria Albertina?! – interrogou ele pasmado.

            - Ouvi dizer que tu não acreditas em encantamentos?

            - E não acredito.

            - Então vem comigo.

            A fada agarrou-lhe na mão e, num piscar de olhos, já se encontravam num bosque muito feio e escuro.

            - O que é isto? – perguntou a fada.

            - Deve ser a lixeira de Arruda – brincou Diogo.

            - Não, não pode ser… este bosque costumava ser lindo! – E nesse mesmo instante apareceu um goblin (uma espécie de duende).

            - Olá, amigo goblin, ainda bem que apareceste – disse a fada.

            - Olá, fada Maria Albertina! Há alguns dias que não te via por aqui – respondeu o ser minúsculo.

            - Fui buscar o Diogo… mas o que é que aconteceu aqui no bosque?

            - Enquanto foste buscar o rapaz, apareceu por aqui o Dragão das Neves Pretas e levou os sete rubis que tornavam o bosque encantado.

            - Oh não, temos de tentar encontrá-los! – disse a fada desesperada.

            Decidiram então os três procurar os sete rubis. Diogo já estava quase convencido, mas ainda faltava qualquer coisa para ele acreditar no mundo encantado.

            Passado um bom bocado encontraram a Caverna da Lava, onde deram de caras com a Serpente Mágica. Quando esta os viu, tentou morder-lhes, mas o Diogo, que andava a aprender artes marciais, aplicou-lhe um golpe que ela tombou no chão sem sentidos. Olharam, então, para todos os lados e viram um brilho intenso num buraco. Tinham encontrado o primeiro rubi.

            Depois seguiram por um caminho de lama até chegarem a uma casa toda cheia de buracos. Diogo e a fada Maria Albertina entraram na casa, subiram as escadas também desfeitas e encontraram um baú: era bonito, novo, brilhante… não tinha nada a ver com a casa.

            Diogo tentou abrir o baú, mas não conseguiu. A fada tocou-lhe, então, com a varinha e ele abriu-se. Lá dentro estava muito ouro e, no meio do ouro, dois rubis.

            - Ufa, encontrámos mais dois – disse Diogo estafado.

            - Já só nos faltam quatro – disse Maria Albertina com um ar preocupado.

            - Ok, então vamos lá embora.

            Atrás da casa estava um portão doirado. Entraram. Foram dar a um compartimento cheio de aranhas pequenas, muitas aranhas nojentas e pegajosas. Havia também uma porta. Abriram-na e foram encontrar uma espécie de loja velha. Entraram e viram um homem, parecia morto, mas estava vivo, pelo menos mexia. Limpava jóias.

            - Bem-vindos! – disse o homem, muito educado.

            - Olá! – saudaram eles atrapalhados com o assunto.

            O homem, depois de ter acabado o seu trabalho, baixou-se atrás do balcão, quando se ergueu parecia um monstro dos mais horríveis e tentou atacar Diogo, que saltou para cima do balcão.

            - Este deve ser um dos servos do Dragão das Neves Pretas – gritou ele muito assustado.

            - Pois, deve ser – respondeu-lhe a fada já preparada para o ataque. Tirou do bolso uma ferradura e mandou-lha à cabeça. O morto-vivo caiu no chão e transformou-se em pó. Junto das jóias encontravam-se mais dois rubis. Já só faltava um.

            Percorreram muitos sítios. Andaram por montes e vales. Voaram de nuvem em nuvem, saltaram de pedra em pedra, até que encontraram um espelho no meio do mato. Olharam para ele e, de repente, foram sugados para o seu interior. Lá dentro era tudo branco, tudo coberto de neve. No cimo do monte, também branco, estava o Dragão das Neves Pretas a dormir. Era grande e forte. A única coisa que o podia derrotar era um pedaço de magia púrpura.

            - Eu tenho aqui um pouco, não sei se chega, é que esta magia é muito difícil de encontrar – referiu a fada Maria Albertina, receando que não chegasse. E deu-a a Diogo.

            Ele, destemido, trepou a montanha. Ao chegar lá acima, subiu pela cauda do dragão até à cabeça. Cuidadosamente, despejou a magia púrpura pelos ouvidos do dragão. Este começou a revirar-se e a transformar-se em fumo. No momento em que já só restava a cabeça, saltou de dentro da sua boca o último rubi

            - Boa, boa… - gritavam Maria Albertina e o goblin felizes.

            - Vamos para o bosque, depressa… - dizia Diogo.

            E lá foram os três. Quando lá chegaram puseram os rubis no coração da floresta que se tornou de novo bela… encantada.

            Diogo não queria ir embora, mas já era quase horas de se levantar para ir para a escola. Quando Maria Albertina viu o seu olhar triste, disse-lhe:

            - Diogo, sempre que quiseres vir ao bosque encantado desenha uma janela no espelho do teu quarto, empurra-la e ela será o caminho para aqui chegares: do teu quarto será a janela aberta para o bosque e do bosque será a janela aberta para o teu quarto.

            Diogo passou a acreditar em encantamentos e nunca mais achou que as aulas da professora de Língua Portuguesa eram aborrecidas. Estava era sempre desejoso de poder ouvir mais uma história.

Publicado por ML às 18:19
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Imagem criada a partir de uma pintura de Kandinsky.

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