Quinta-feira, 20 de Abril de 2006

Beatriz Carvalho Natário - 6ºG

 

 

Saí de casa, como de costume com o meu pai em direcção à escola. Como era habitual, o rádio vinha ligado na 48FM, a rádio cá do sítio, não é grande coisa mas é a que temos. A música dos DZRT começou a tocar. Bem foi o máximo; vinha eu nesta onda quando, sem quê nem para quê, a emissão parou e um tipo qualquer disse: ”Atenção! Aviso de última hora. O Externato João Alberto Faria fechou as portas por tempo indeterminado, foi detectado no seu interior uma praga de letras e números descontrolados.” Bem, dei um salto de alegria, não podia acreditar no que os meus ouvidos ouviam!

 Foi aí que começou a maior aventura da minha vida. Comecei a pensar que sem escola as janelas do meu futuro estariam fechadas, mas por outro lado, como heroína da história, não podia desiludir os meus fãs.

 Então, peguei no meu telemóvel e telefonei, às minhas amigas que estavam num alvoroço. Pedi ao meu pai que continuasse a conduzir e me fosse pôr à escola.

 Mas com esta confusão toda nem sequer apresentei as minhas amigas: a Ana Bernas, a Inês Dentadas e a Ana Coelhofa. Quando cheguei à escola, as minhas expectativas confirmaram-se. Estava tudo em pânico. As minhas colegas disseram-me que ia haver aulas extra, com o professor Deodato Pardal, ou pior.

Assim, pus mãos ao trabalho. Tínhamos que salvar a escola custasse o que custasse. Fomos a uma loja da Imaginarium que havia lá perto e comprámos tudo o que nos interessava. Todo o material de maquilhagem, espionagem, fitas, missangas e, logo a seguir, fomos a uma perfumaria. Comprámos cinco dos perfumes mais enjoativos que lá havia. Demos a volta à escola e entrámos por umas janelas abertas, que se encontravam na parte de trás do edifício, e nem sinal das letras e dos números.

Achei melhor falar com as outras, é que eles eram muitos e nós não tínhamos força para vencer todas as letras e números que nos aparecessem à frente.

Concordámos em chamar secretamente o Carlos e o Duarte. Assim que eles chegaram foi só distribuir o material e arranjar um plano. Enquanto estávamos a distribuir o material fomos surpreendidos por duas contas de multiplicar e duas de dividir. Eu, a Inês e o Duarte tirámos os nossos perfumes, mas não serviu de nada, fomos levados.

A Ana Bernas, o Carlos e a Ana Coelhofa ficaram escondidos atrás de alguns livros e nós fomos levados à presença de Sua Majestade, o Rei Dicionário. Ao seu lado estava a sua conselheira, uma pessoa que eu nunca imaginei que seria capaz de trair a turma: a Cláudia.

O Duarte passou-se, desatou a gritar, mas a Cláudia segredou alguma coisa ao ouvido do Rei.

O Rei ordenou que o mandassem para as masmorras. Nesse momento, eu atirei um perfume para o chão e eles com o cheiro desmaiaram. Nós fugimos, mas quando olhei para trás, lá estava ela a rir-se. Apanharam-nos e fomos parar às masmorras.

Nas masmorras vimos alguns alunos e na cela onde ficámos estava a Rainha Calculadora. Ela explicou-nos que o Rei tinha enlouquecido e a tinha mandado prender, mas ela não concordava com a invasão da escola. De repente caiu uma pedra com um bilhete que dizia o seguinte:

Não desistam.

Continuem.

Temos um plano que vai resultar.

Não se preocupem.

Nós tiramo-vos daí.

Têm é de ter paciência!

A Rainha disse que estava disposta a ajudar-nos.

Durante a noite, eu, a Rainha e a Inês passámos por trás dos barracões e o Duarte e os prisioneiros saíram da escola. Só restávamos nós para mandar embora o Rei e dar uma lição à Cláudia. Mas como?

Bem, foi simples raptámos o ponto fraco do Rei, a Cláudia, mas ela não desistiu assim tão facilmente, tinha sido enfeitiçada pelo Rei, que tinha posto um produto misterioso no pêlo do seu cão.

A Cláudia não resiste a dar uma festa a um qualquer quatro patas. Quando nos aproximámos, reparámos que ela tinha vários pêlos nas suas mãos e aí a Ana pegou numa folha de jornal agitou-a à sua frente e ela caiu desmaiada.

Quando recuperou disse que tinha vontade de vomitar. A Inês chegou-lhe uma bacia e qual não foi o nosso espanto quando vimos sair da sua boca letras e números em jactos desordenados.

Eu peguei na bacia e deitei tudo fora pelas janelas abertas das nossas memórias. Então, vimos as letras e os números povoarem a imaginação das crianças do mundo.

Hoje ainda recebo cartas da Rainha Calculadora a contar-me as suas aventuras, em Moçambique.

Publicado por ML às 18:21
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1 comentário:
De isa&luis a 22 de Abril de 2006 às 20:49
Adorei a maneira como encadeaste as palavras,e transformaste este conto hilariante.

Parabéns!

Beijinhos

Isa

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Imagem criada a partir de uma pintura de Kandinsky.

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